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Malformação congénita preocupa autoridades

Lourenço Bule | Menongue

Um total de 29 casos de malformação congénita foram registados de Janeiro a Dezembro do ano em curso no Centro Ortopédico de Menongue, disse ontem, em Menongue, o director técnico da unidade sanitária.

Fabricação de próteses tem sido possível com a compra de alguns materiais e com base na troca de serviços com outros centros ortopédicos
Fotografia: Lourenço Bule

Avelino Mahinga Filho disse ao Jornal de Angola que os casos registados de deformidade congénita são de pé bota (pé torto), escolioses (deformidade da coluna vertebral) e lordose (defeito do tórax, também conhecido por mulumba), diagnosticado em pacientes com idade compreendida entre os cinco e os 20 anos.
O director técnico informou que os pacientes que apresentam estas patologias são tratados com ajuda de calçado e coletes especiais, fisioterapia de calor, ultra-sons, infravermelhos e massagens. 
Durante o período em referência foram ainda tratados na área de fisioterapia 20 pacientes com paralisação do sistema nervoso (Acidente Vascular Cerebral), 11 casos de hemiparesia, trauma que deixa os membros superiores ou inferiores sem força, após sofrer um acidente e dez outros por terem sido amputados os braços ou as pernas, devido à gravidade dos ferimentos em acidentes de viação.
Avelino Mahinga Filho realçou que, de Janeiro a Dezembro, o Centro Ortopédico de Menongue produziu 150 pares de muletas, 28 cadeiras de rodas, concebeu 20 órteses, 12 próteses e consertou oito órteses, beneficiando mais de 200 pacientes que solicitaram estes serviços. O responsável explicou que a instituição produz vários tipos de próteses, nomeadamente miolítica, transtibial, transfemural e órteses, mas, por falta de material, o nível de produção tende a diminuir, optando mais na reparação de próteses, órteses, cadeiras de rodas e muletas.

Falta de material


Por falta de fivelas, muletas e aparelhos para o alinhamento do fémur e da tíbia e outros materiais para a fabricação de próteses, órteses, muletas e cadeiras de roda, situação que perdura há mais de um ano, têm recorrido ao centro ortopédico da Huíla, para a aquisição de material, disse Avelino Mahinga Filho, para acrescentar: “Temos feito permuta com a direcção do Centro Ortopédico da Huíla, onde entregamos o gesso em pó em troca de alguns componentes para a produção de próteses e órteses, bem como sistemas de alinhamento do fémur e tíbia, pé protésicos e fivelas”. Avelino Mahinga Filho referiu que está a dificultar a melhoria da assistência aos deficientes físicos de guerra e de acidentes de viação, bem como Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC), que têm procurado os serviços de ortopedia e fisioterapia na referida unidade sanitária.
Para o director do centro, com a actual conjuntura socioeconómica e financeira que o país vive, só é possível comprar alguns materiais para a fabricação de próteses e fazer troca com alguns centros ortopédicos do país, para não ficar paralisado.
“Devido à escassez de equipamentos, os pacientes vítimas de acidentes de viação, AVC e má formação congénita beneficiam somente de serviços de massagem, assistência de mobilidade activa e passiva, bem como treino para a utilização correcta de muletas, próteses e cadeiras de rodas”.

Meios gratuitos

Avelino Mahinga Filho disse que a produção de próteses, órteses e reparação de muletas canadianas é feita sob medida e prescrição médica, com intuito de facilitar a locomoção dos assistidos. Estes meios são entregues aos deficientes e mutilados de guerra de forma gratuita, uma vez que esta franja da sociedade não dispõe de recursos financeiros para suportar tais encargos.
“Apesar das dificuldades, o centro ortopédico de Menongue tem vindo, nos últimos tempos, a conhecer melhorias significativas no tratamento e recuperação física de pessoas vítimas de acidentes vasculares, cerebrais e de acidente de viação”, disse Avelino Mahinga Filho, que informou que o Centro Ortopédico de Menongue controla vários pacientes dos demais municípios e tem-se debatido com inúmeras dificuldades para trabalhar com os mesmos, por falta de meios tecnológicos e humanos, visto que actualmente é assegurado por apenas 15 técnicos, dos quais três especializados.
Avelino Mahinga Filho frisou que foram assistidos, desde Janeiro, no Centro Ortopédico de Menongue, mais de mil pacientes, que foram submetidos a tratamentos de fisioterapia, treino do uso de próteses e de luxações.

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