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Mavinga sem médicos especializados

Lourenço Bule | Mavinga

O Hospital Municipal de Mavinga, província do Cuando Cubango, carece, há mais de quatro anos, de médicos de diversas especialidades, para atender os mais de 27 mil habitantes da referida circunscrição, que dista 400 quilómetros da cidade de Menongue.

Autoridades sanitárias defendem a admissão de mais médicos e enfermeiros para baixar os índices de mortalidade
Fotografia: Lourenço Bule| Edições Novembro

Esta informação foi revelada à imprensa pelo director do Hospital Municipal de Mavinga, Manuel José Sambo, que na ocasião salientou que a unidade sanitária não dispõe de médicos e técnicos superiores de enfermagem para atender os pacientes com diversas enfermidades, que diariamente acorrem em busca de assistência médica e medicamentosa.

Manuel Sambo salientou que diariamente 100 a 150 pacientes são atendidos, dos quais cinco a dez são internados com patologias como malária, doenças diarreicas e respiratórias agudas. Manuel José Sambo explicou que a instituição que dirige tem capacidade de 56 camas de internamento e conta com os serviços de medicina geral, pediatria, maternidade, Programa Alargado de Vacinação (PAV), Centro de Aconselhamento e Testagem Voluntária (CATV), pequenas cirurgias, laboratório, morgue com 12 gavetas, secção de tuberculose e lepra.
De acordo com o responsável, por falta de médicos, os pacientes mais graves são evacuados para a capital do Cuando Cubango (Menongue), correndo sérios riscos de perder a vida ao longo do trajecto, devido ao péssimo estado das estradas e a distância de 400 quilómetros que separa as duas localidades.
Manuel José Sambo explicou que o Hospital Municipal de Mavinga tem actualmente 25 enfermeiros clínicos. Explicou que, para manter o normal funcionamento da unidade sanitária, são necessários 270 técnicos de saúde, entre médicos e enfermeiros.
“Urge enviarem-se médicos ao hospital do município de Mavinga, sobretudo especializados em clínica geral e pediatria, para lutar contra as doenças que assolam a população desta região da província do Cuando Cubango”, disse. Acrescentou que os dois médicos angolanos que trabalhavam na referida unidade sanitária foram enviados à cidade de Menongue. Explicou ainda que as enfermidades mais frequentes na região são malária, febre tifóide, doenças sexualmente transmissíveis, mánutrição, doenças diarreicas e respiratórias agudas.
Manuel Sambo apontou como dificuldades a falta de médicos, aparelho de raio X e ambulâncias, visto que a única que funciona está em mau estado de conservação. Acrescentou que o paciente que necessita de efectuar um raio X é evacuado para a cidade de Menongue. Manuel José Sambo destacou que o bloco operatório do Hospital Municipal de Mavinga não funciona há mais de um ano por falta de técnicos especializados, situação que tem obrigado à evacuação de enfermos que necessitam de intervenção cirúrgica para a cidade de Menongue.

Evacuação de doentes
Manuel José Sambo disse que, durante o ano passado, três mulheres grávidas que necessitavam de cesariana morreram durante o percurso Mavinga/Cuito Cuanavale, devido ao mau estado das vias de acesso, situação que tem criado inúmeros transtornos à população.
“As mulheres grávidas correm o risco de perder a vida ou de abortar, tendo em consideração o mau estado da estrada que liga o município de Mavinga à região do Cuito Cuanavale”, disse, para acrescentar que caso não se me-lhore as vias de acesso e o bloco operatório haverá registo de várias mortes de pacientes ao longo do processo de evacuação.
Manuel Sambo disse que durante o ano passado se registaram cerca de 50 casos de pacientes gestantes infectadas com HIV-Sida no Hospital Municipal de Mavinga. Salientou que a área da maternidade do Hospital Municipal de Mavinga, com capacidade de 12 camas, atende diariamente 30 mulheres grávidas, com idades compreendidas entre os 20 e os 40 anos, com vários problemas de saúde, como malária, infecções urinárias e doenças sexualmente transmissíveis.

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