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Menongue assinala 48º aniversário com novo rosto

Lourenço Manuel

Menongue que comemora na próxima semana mais um aniversário como cidade, está transformada num autêntico estaleiro, tantas são as obras de restauro que nela se desenvolvem 

A reabilitação das ruas e passeios de Menongue estão a deixar a cidade com um renovado e atraente aspecto
Fotografia: Nicolau Vasco

 
Menongue, a capital do Kuando Kubango, prepara-se para assinalar, na terça-feira, o 48º aniversário como cidade, com um rosto completamente renovado, mercê da profunda remodelação, em curso, das principais infra-estruturas sociais.
Graças a uma bem gizada estratégia de actuação dos Governos central e da província, a antiga cidade de Serpa Pinto é, hoje, um verdadeiro canteiro de obras, assistindo-se, em toda a sua dimensão, a trabalhos de melhoramento nos mais variados sectores da vida económica e social.
A maior parte destas obras – colocação de novo asfalto nas ruas da cidade, construção do terminal dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes (CFM), centros de saúde, casas para os quadros, reabilitação do aeroporto, hospitais, sistemas de fornecimento de energia e água, entre outros empreendimentos – apesar de não estarem concluídos, já emprestam outra imagem à cidade.
As empresas encarregadas das obras trabalham sem limitações, das 7h00 às 21h00, para compensarem os atrasos registados. Por tudo isto, Menongue é hoje uma cidade onde é difícil circular devido ao encerramento da quase totalidade das vias.
No terreno, o vaivém de homens e máquinas é frenético. Como resultado, parte de alguns troços já receberam o novo tapete asfáltico, lancis e passeios bem pavimentados. No domínio da energia e água, passa-se o mesmo, a cidade é iluminada das 17h00 às 5h00 e a água jorra, todos os dias, em algumas torneiras da zona urbana.
A par destas obras, o Governo local está a desenvolver o projecto “cimento e tinta”, que se consubstancia em pequenas reparações e pinturas exteriores de casas.   
Em curso está, igualmente, a construção de uma linha de enchimento de gás de cozinha e um reservatório de combustíveis com vista a resolver o problema da enorme procura destes derivados de petróleo na região.
 
Rejuvenescimento
 
O programa de melhoramento e aumento da oferta dos serviços sociais básicos à população, que conferia, anualmente, ao Kuando-Kubango 20 milhões de dólares, marcou o ponto de viragem da até então capital das “terras do fim do mundo”, altura em que o Governo lançou a campanha de erradicação da fome e da pobreza.
Tal como nos restantes municípios da província, Menongue recebe, anualmente, cinco milhões de dólares, no quadro do programa de gestão municipal, que, em certa medida, veio tornar mais célere o desenvolvimento da região, com o surgimento de novas escolas, postos de saúde, mercados e fomento da agricultura.
O Programa de Investimentos Públicos (PIP), cuja execução é da inteira responsabilidade das estruturas centrais do Estado, é o que está a provocar uma grande revolução no capítulo das grandes infra-estruturas, como é o caso dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes, estradas estruturantes, pontes, hospitais, desminagem, energia e água potável, reparação do aeroporto, entre muitas outras realizações.
Estes programas, que começaram a ser executados em 2002, reduziram para níveis muito baixos os acentuados focos de pobreza, e a situação penosa que a população carregou durante os quase 30 anos de guerra tende a desvanecer-se e a cidade ganhou mais vida.
Já se podem ver, com maior frequência, nas ruas da cidade de Menongue, comerciantes e vendedores ambulantes provenientes de outras províncias e de países como a Namíbia, África do Sul, Zâmbia e Zimbabwe, sobretudo mulheres, a comercializarem produtos de beleza, roupas, alimentos diversos e bijuterias.  
 
Festas da cidade
 
Elevada à categoria de cidade em 21 de Outubro de 1961, através do diploma legislativo ministerial número 51, que criou o distrito do Kuando-Kubango e fixou Serpa Pinto como sua capital depois de asfaltadas as ruas, instalada a rede eléctrica, a água canalizada, a construção de escolas, de hospitais e do arruamento da periferia.
O espaço que é hoje a cidade de Menongue foi pisado pela primeira vez pelos colonizadores em 1878. Daí, passaram a efectuar trocas comerciais a partir de Silva Porto (Kuito), trazendo roupas, cobertores, sal, óleo de cozinha, missangas e espelhos para trocar com cera, borracha e marfim.
De 1961a 2009, a cidade de Menongue, nome que descende de “Mwene Vunongue”, rei dos Nganguelas, hospedou 13 governadores provinciais, dois dos quais da administração colonial, mas as várias facetas por onde passou desde as lutas de libertação, pós independência e eleitoral retardaram o seu desenvolvimento.
Apesar de ser considerada, ainda, em alguns círculos, “terras do fim do mundo” e para os mais optimistas “terras do progresso”, a verdade é que a 6ª edição das Festas da Cidade de Menongue está comprometida e não vai ser assinalada com euforia, devido a problemas de ordem económica.
O administrador municipal de Menongue, João Chamba, disse ao Jornal de Angola que face a esta realidade, a administração resolveu realizar as festas de forma simbólica, com recurso aos comerciantes locais e vendedores ambulantes, que vão ser credenciados para instalarem barracas de comes e bebes no recinto da feira.
Durante as festividades prevê-se, também, a realização de uma exposição dos principais produtos do campo, com realce para massango, massambala, milho, mutietie, nhami, batata-doce e mandioca. Actividades desportivas e culturais, com músicos locais, também constam da agenda.
 João Chamba tranquilizou a população e assegurou que em próximas edições as festas da cidade de Menongue vão ter muita cor, luz e alegria, porque a administração elaborou um programa que já foi aprovado na programação financeira do Governo do Kuando-Kubango para o próximo ano.
 
Espaços verdes
 
Para colorir, ainda mais, a cidade, que prospera a cada dia, o Governo provincial está a desenvolver um amplo projecto de reabilitação dos jardins públicos, a criar espaços verdes ao longo das margens do rio Kwebe e polígonos florestais à volta da cidade para proteger a população das poeiras durante a estação seca.
Estes trabalhos contam com o apoio do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF), da Juventude Ecológica de Angola (JEA) e da Associação Mário Santiago, que não medem esforços para voltar a colocar a cidade de Menongue nos patamares dos tempos áureos.
Está também agendada a realização de uma vasta campanha de plantação de árvores nas ruas da cidade e bairros periféricos, com as autoridades tradicionais, religiosas e a população em geral a trabalhar no sentido de ser banida a prática de desmatamento e queimadas que se têm registado nos últimos tempos.
A recolha de resíduos sólidos e a criação de uma cartilha de educação ambiental, a conservação do património público e a criação de um programa radiofónico denominado “Amigos do Ambiente” para a educação da população estão, também, previstas.

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