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Menongue na rota do desenvolvimento sustentável

Lourenço Manuel | Menongue

Menongue comemora hoje 53 anos de existência, com as atenções viradas para o desenvolvimento sustentável, segundo o administrar Miguel Dala Popular, em entrevista ao Jornal de Angola.

Vista aérea de Menongue onde estão em curso diversas acções sociais para melhorar a qualidade de vida da população
Fotografia: Fernando Camilo

As festas alusivas à efeméride estão a ser comemoradas sob o lema “Menongue Cultural, Progresso e Esperança”, numa clara demonstração dos sinais de desenvolvimento que a região conhece de forma gradual.
“A cidade de Menongue já não é a mesma, a densidade demográfica passou de 0,2 no período colonial para três habitantes por cada quilómetro quadrado”, disse o administrador, acrescentando que actualmente o município é habitado por cerca de 350 mil pessoas, notabilizando-se também um crescimento das infra-estruturas habitacionais e de serviço.
Das jornadas comemorativas, que se estenderão até ao próximo dia 11 de Novembro, Dia da Independência Nacional, destaque para a feira de produtos agro-pecuários da região, palestras sobre o alcoolismo no seio da juventude, realização de um culto ecuménico no salão gimnodesportivo e eleição da miss Cuando Cubango.
Estão igualmente agendadas a inauguração de três escolas do ensino primário, duas moradias para professores e enfermeiros, um quadrangular de futebol onze, provas de atletismo e de xadrez, bem como um jantar de gala, que contará com a presença do governador Higino Carneiro, e que será abrilhantado pelos músicos Yanick Afroman, Bela Chicola, Bessa Teixeira e artistas da praça local.
No local das festividades, o largo 23 de Março, situado no perímetro do centro de formação de Menongue, foi instalado um carrossel para a diversão das crianças, ao passo que a administração municipal montou 50 tendas para o entretenimento dos adultos.
Na óptica do administrador, as “Terras do Fim do Mundo”, devido ao seu fraco desenvolvimento, causado pela chegada tardia das autoridades portuguesas ao território do Cuando Cubango, seguindo-se depois as guerras de libertação nacional e pós-independência, hoje estão transformadas em “Terras do Progresso”.

Obras em curso

Com o alcance da paz, a 4 de Abril de 2002, o Executivo colocou em marcha o plano de modernização e expansão de diferentes serviços sociais básicos em toda a província do Cuando Cubango. Miguel Dala Popular realçou que a cidade de Menongue está a passar por uma profunda reformulação e os vestígios da guerra foram apagados, com a implementação de programas de requalificação das zonas ribeirinhas e municipais integrados de combate à fome e redução da pobreza, que estão a proporcionar à cidade infra-estruturas modernas, como escolas, hospitais, sistemas de fornecimento e abastecimento de energia e água, entre outros serviços sociais básicos. A antiga vila de Serpa Pinto conta igualmente com um pólo universitário, em fase de acabamento, que compreende a oitava região académica (Cuando Cubango e Cunene), um hospital geral, também em fase de conclusão, equipado com meios modernos, uma nova estação de captação e distribuição de água, com capacidade para bombear 11 milhões de litros cúbicos por dia, bem como uma central térmica, com dez megawatts.
Está em curso a montagem de um novo sistema de iluminação pública e as ruas terciárias e secundárias estão a ser terraplanadas, asfaltadas e sinalizadas. Estão igualmente a ser montadas pontes metálicas sobre o rio Kwebe, que circunda a cidade, nos acessos dos bairros Sacaheta, Azul, Boa Vida e Vitória.
A cidade de Menongue conta também com um Instituto Médio de Gestão “23 de Março”, um de Agronomia e outro de Enfermagem, que têm contribuído para o aumento do número de quadros para o interior da província.
A rede hoteleira, com destaque para o sector privado, também deu passos significativos, com o surgimento de três novos aldeamentos turísticos, igual número de hotéis e várias pensões.
Hoje, a cidade de Menongue tem como cartão postal a moderna estação dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes (CFM), onde todos os dias desembarcam centenas de passageiros provenientes do Namibe e Huíla, trazendo consigo bens alimentares do campo e industrializados, materiais de construção, entre outros equipamentos, que são comercializados em Menongue.

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