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Menongue precisa de material para a fabricação de próteses

Lourenço Bule | Menongue

A falta de material para a produção de próteses e órteses no Centro Ortopédico de Menongue, província do Cuando Cubango, está a causar uma série de constrangimentos aos pacientes  que têm de recorrer  aos serviços da  unidade hospitalar, disse o director técnico.

Hospital ortopédico no Cuando Cubango debate-se com a falta de especialistas em fisioterapia
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro

Avelino Filho disse ao Jornal de Angola que para a produção de próteses, órteses, reparação de muletas e aparelhos para o alinhamento do fémur,    o centro  recorre, há mais de três anos, ao Hospital Ortopédico da Huíla. “Temos feito permuta com a direcção do Centro Ortopédico da Huíla, ao qual entregamos o gesso em pó e em troca  recebemos alguns componentes para a produção de próteses e órteses, mormente o sistema de alinhamento do fémur e tíbia, pé protésicos, fivelas, entre outros meios”, informou. 
Avelino Filho disse que a falta de matéria-prima   impede que se preste  melhor assistência aos deficientes físicos, quer os que contraíram  lesão em consequência  da  guerra quer os por acidentes de viação,  e ainda os pacientes com acidentes vasculares cerebrais (AVC).
Avelino Filho informou que o centro de Menongue  produz vários tipos de próteses, nomeadamente miolítica, transtibial, transfemural e órteses, mais por falta de material o nível de produção tende a diminuir significativamente. “Esta situação obriga  a instituição a optar mais na reparação de próteses, órteses, cadeiras de rodas e muletas do que  prestar assistência médica”, lamentou.
Avelino Filho disse que a produção de próteses, órteses e reparação de muletas canadianas são feitas sob medida e prescrição médica, e entregues aos pacientes de forma gratuita. “Não conseguimos prestar aos pacientes que recorrem aos nossos serviços de fisioterapia  assistência de mobilização activa e passiva por falta de equipamentos de reabilitação.”

 Falta de recursos humanos

Avelino Filho frisou   que o Centro Ortopédico se debate  com  falta de recursos humanos, sendo a  área de ortoprotesia a mais afectada, pois tem  apenas quatro técnicos, mais um que o sector de fisioterapia, que também se ressente da falta de quadros.  “Para respondermos à procura  precisamos, no mínimo, de 15 técnicos especializados na área de ortoprotesia e  de 25  especialistas em fisioterapia”, precisou.
Avelino Filho disse  que a falta de técnicos muitas  vezes é colmatada por finalistas do curso de Fisioterapia do Instituto Médio Técnico de Saúde (IMTS). Apesar das dificuldades, Avelino Filho reconhece  que a  instituição tem registado “melhorias significativas” no tratamento e recuperação física de pessoas vítimas de acidentes vasculares cerebrais e de acidentes de viação” .
O Centro Ortopédico de Menongue  recebe pacientes dos nove municípios da província,  mas  encontra dificuldades em acompanhar  os doentes  por escassez  de meios rolantes, humanos e de logística.

Assistência médica
Avelino Filho informou que,  de Janeiro a Dezembro, foram assistidos  na área de fisioterapia 6.000 pacientes com diversas patologias, com realce para  o AVC e doenças neuromusculares.
Durante o  período,  o sector de ortoprotesia efectuou 300 reparações de próteses, produziu 35 próteses e 15 órteses superiores e inferiores.
Efectuou ainda a doação de 53 cadeiras de rodas a pacientes com deficiência nos membros inferiores.
Avelino Filho informou que todos os dias a unidade ortopédica de Menongue   atende 70 a 80 pacientes com diversas patologias provenientes de várias comunidades da província . Sobre o número elevado de casos de AVC, Avelino Filho apontou a falta de exercício físico, excesso de peso, alimentação descuidada e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas como os principais factores para  a abundância de  doentes com Acidentes Vasculares Cerebrais.

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