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Mortes por malária estão a aumentar

Weza Pascoal | Menongue

O oficial do programa de combate à malária, Mingi Wamba, disse ontem, ao Jornal de Angola, que as autoridades sanitárias da província do Kuando-Kubango estão preocupadas com o aumento de mortes causadas pela doença que, de Janeiro a Outubro deste ano, vitimou 582 pessoas entre adultos e crianças, entre os 46.750 casos diagnosticados pelas unidades sanitárias.


Mingi Wamba disse que, no período em balanço, foram registados 29.655 casos no município de Menongue, 5.799 no Rivungo, 4.834 no Cuito Cuanavale, 1.683 em Mavinga, 1.610 no Cuangar, 1.492 em Nancova, 1.120 no Calai, 365 no Dirico e 192 no Cuchi.
Em declarações ao Jornal de Angola, o oficial provincial do programa de combate à malária acrescentou que, em 2012, foram registados 32.441 casos, que resultaram na morte de 377 pessoas. O aumento do número de mortes deve-se à falta de educação sanitária das comunidades que, em vez de utilizarem os mosqueteiros ­impregnados com insecticida para se defenderem dos mosquitos, os usam em actividades de pesca artesanal, segundo Mingi Wamba.

Sistema de fumigação

A falta de pelo menos uma viatura com sistema de fumigação, para pulverizar as zonas de reprodução de mosquitos, acrescentou, está também na base do aumento de casos de mortes por malária.
Mingi Wamba apontou, ainda, como outros factores que estão na origem do aumento da doença, as águas das chuvas estagnadas, o deficiente saneamento básico do meio e a existência de muito capim em redor das residências.
Durante este ano, a instituição que dirige distribuiu, apenas em Janeiro, 63.822 mosquiteiros a crianças e mulheres grávidas. “Neste momento, estamos a trabalhar em conjunto com o programa da luta anti-vectorial que, de forma significativa, está a contribuir para a redução de casos e mortes por malária”, disse. A capacidade dos hospitais em relação aos doentes tem sido positiva, pois as unidades sanitárias contam com o apoio do programa de combate à malária, que tem distribuído, com regularidade, fármacos e meios de diagnóstico rápido, cedidos pela Direcção Nacional da Saúde.

Sensibilização da população

O programa de combate à malária está a decorrer sem problemas no interior da província do Kuando-Kubango, apesar de enfrentar algumas dificuldades, como a falta de técnicos e o mau estado das vias para chegar aos outros municípios e às zonas mais recônditas.
Mingi Wamba pediu à população da região para levar os seus filhos às consultas sempre que apresentam sintomas da doença e para não fazer primeiro um tratamento tradicional e só recorrer às unidades de saúde depois de atingirem um estado crítico, porque, acrescentou,  este tem sido também um dos principais factores que têm contribuído negativamente para a morte de muitas pessoas, sobretudo crianças.

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