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Mulheres aconselhadas a aderirem às consultas

Nicolau Vasco | Menongue

As autoridades sanitárias de Menongue estão preocupadas com o elevado índice de casos de hemorragia, roturas de útero e de ingestão de medicamentos tradicionais que ocorrem em mulheres grávidas, informou, ontem, em Menongue,  a directora da maternidade local.

O número de mulheres grávidas que aderem às consultas de planeamento familiar e aos testes voluntários de VIH/Sida tende a aumentar
Fotografia: Nicolau Vasco|Edições Novembro-Menongue -

As autoridades sanitárias de Menongue estão preocupadas com o elevado índice de casos de hemorragia, roturas de útero e de ingestão de medicamentos tradicionais que ocorrem em mulheres grávidas, informou, ontem, em Menongue,  a directora da maternidade local.
Delfina Jamba disse ao Jornal de Angola, explicou que durante o mês de Janeiro a maternidade realizou 302 consultas pré-natais, 238 partos, 22 abortos, 16 cesarianas e 160 mulheres aderiram ao programa de planeamento familiar, sendo que a maior parte dos casos de morte ocorreu em gestantes que não seguiram à risca o calendário de consultas da mulher grávida.
“No decurso de 2016 foram efectuados 1.866 partos, com 125 nados mortos”, disse Delfina Jamba, para explicar que no mesmo período, o banco de urgência atendeu 4.946 pacientes, dos quais 4.398 em consultas pré-natais, enquanto 1.137 aderiram ao planeamento familiar. “Durante o período em referência realizaram-se também 451 cesarianas, 194 abortos e 38 mulheres morreram durante o parto”.
Em 2015, a maternidade atendeu no banco de urgência 4.314 mulheres, das quais 4.116 gestantes fizeram a consulta pré-natal, 1.569 partos, 1.466 nados vivos, 103 nados mortos, 122 cesarianas, 159 abortos, 31 mortes durante o parto e 1.137 mulheres aderiram ao planeamento familiar. 
Sbre o elevado número de mulheres e de bebés que morrem, Delfina Jamba apontou a fraca adesão de mulheres grávidas nas consultas pré-natais, pacientes com problemas de hepatite aguda, malária cerebral, anemia, falta de sangue, gravidez utópica e a chegada tardia aos serviços hospitalares como as principais causas.  “Durante o mês de Janeiro do ano em curso, provocaram a morte a seis gestantes e o nascimento de 26 crianças já sem vida,”

 Sensibilização da população

Delfina Jamba preconizou o reforço das campanhas de sensibilização da população, para a prevenção de certas doenças negligenciadas, para que possas nascer bebés saudáveis, um programa executado em parceria com a Direcção Provincial da Saúde, administrações municipais e autoridades tradicionais, no sentido de se inverter o actual quadro.
A directora da maternidade provincial afirmou que o número de mulheres que aderem ao Centro de Aconselhamento e Testagem Voluntária (CATV) é cada vez maior, porque os órgãos de comunicação social e outras instituições que abordam temas ligados aos VIH têm vindo a passar mensagens positivas e muitas grávidas e adolescentes se preocupam em saber o seu estado serológico. “A maternidade registou em 2016 um aumento substancial de mulheres grávidas que aderiram ao Centro de Aconselhamento e Testagem Voluntária (CATV), perfazendo um total 4.399, contra os 4.359 em 2015”, disse Delfina Jamba, que referiu que as consultas devem ser feitas do primeiro ao nono mês de gravidez, porque é através das mesmas que as mães são orientadas a fazerem as análises, apanhar as vacinas, prevenindo deste modo as doenças sexualmente transmissíveis, o tétano, entre outras enfermidades, que podem afectar o bebé e a própria mãe. Delfina Jamba aconselhou as mulheres grávidas a afluírem às consultas pré-natais e pós-parto, sobretudo as mães que têm feito partos em casa, para se evitar riscos durante ou depois do parto, e absterem-se de quaisquer tipos de tratamento tradicional.
 
Falta de sangue

A directora da maternidade disse que a falta de sangue constitui também uma grande preocupação, pois, nos últimos tempos, têm surgido muitos casos de hemorragia e nem sempre a unidade dispõe do produto. “Em alguns casos recorremos aos familiares, mas também não temos sido bem sucedidos, porque as vezes a pessoa disponível apresenta um problema de saúde ou o seu grupo sanguíneo não é compatível com o da pessoa necessitada, razão pela qual apelamos à sociedade no sentido de doar um pouco do seu sangue, para que possamos tê-lo guardado e salvar vidas.”
Outro motivo de preocupação, disse Delfina Jamba, prende-se com o problema de gravidez precoce, que ultrapassa os 40 ou 50 por cento dos casos de mulheres grávidas que se dirigem às consultas pré-natais, que resultam sempre em casos complicados, porque são adolescentes entre os 13 e 17 anos e nem sempre estão preparadas para dar à luz.
“Entre Dezembro  a Janeiro  a maternidade efectuou 300 partos em mulheres com idades inferiores a 18 anos. Chamou a atenção dos encarregados de educação no sentido de aconselharem os filhos para uma educação sexual adulta e responsável”, concluiu Delfina Jamba.

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