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Mulheres khoisan querem mais apoio

Nicolau Vasco | Menongue

Mulheres khoisan, residentes na comuna do Caiundo, no município de Menongue, província do Cuando Cubango, solicitaram ao Governo Provincial o reforço de apoios à agricultura, incluindo electro-bombas e charruas de tracção animal ou mecanizadas, para fazer face aos graves problemas de escassez de alimentos com que se debate este grupo étnico linguístico, que habita no sudeste de Angola.

O Governo do Cuando Cubango traça estratégias para a melhor integração das mulheres e crianças da comunidade khoisan
Fotografia: Nicolau Vasco | Menongue

Helena Mbaco, uma das participantes no primeiro fórum de auscultação à mulher rural, elogiou a estratégia do Executivo de combate à pobreza, mas disse ser urgente passar-se da teoria à prática, pois as comunidades Sans, no Cuando Cubango, sobrevivem única e exclusivamente do campo e não dispõem de meios para desbravar as terras.
Revelando alguns conhecimentos da agenda política, social e económica do Cuando Cubango, disse que na província apenas um pequeno grupo da sua etnia, na localidade de Jamba Cueio, a 115 quilómetros da cidade de Menongue, está inserida em projectos agrícolas, apoiados pelo Governo da Alemanha, e que a maioria continua a utilizar instrumentos rudimentares.
Expressando-se na língua nganguela, disse que por estas andanças da vida de nómada, passou por diversas localidades do Cuando Cubango em busca do básico para se alimentar e quando a natureza não oferecia nada eram forçados a mexer em lavras que não eram suas, práticas que estão a desaparecer entre a sua comunidade.
O acesso ao ensino e a uma assistência médica em condições também é uma das preocupações dos khoisans, salientou Helena Mbaco, para acrescentar que muitas crianças da comunidade não vão à escola e quando estão doentes o tratamento é feito à base de raízes, folhas e plantas medicinais, uma prática utilizada também nos adultos, havendo casos que acabam em mortes, por falta de conhecimentos da doença com que se está a lidar.
Dados da associação de conservação do ambiente e desenvolvimento integrado rural (ACADIR) apontam para a existência de oito mil membros da comunidade khoisan no Cuando Cubango que, por falta de apoios, sobrevivem através de métodos antigos nómadas, recolecção de frutos silvestres e da caça.Actualmente, e de forma muito lenta, o Governo Provincial procura a todo custo inserir estas comunidades em projectos sociais e de desenvolvimento, mais estes projectos estão a encontrar algumas barreiras sobretudo linguísticas, um factor que está a dificultar a inserção das crianças sans no sistema de ensino e aprendizagem.
Durante o encontro, que contou com a participação de mais de meia centena de mulheres da comuna do Caiúndo, localidade que fica a 135 quilómetros da cidade de Menongue, as mulheres também pediram facilidades na aquisição de microcrédito, instrumentos agrícolas, melhoria dos serviços de saúde, mais escolas, o fornecimento de energia e de água potável e transportes públicos para poderem deslocar-se à sede da província do Cuando Cubango e vice-versa.
O coordenador do grupo de acompanhamento ao programa de auscultação à mulher rural na comuna do Caiundo, Carlos Jonas, disse que é normal as mulheres apresentarem-se com os ânimos exaltados, porque a ansiedade é grande e a resposta tarda a chegar, "razão pela qual estamos a trabalhar com este grupo alvo para se estudar a melhor forma de resolver os problemas que foram colocados".
Todas as inquietações foram anotadas, vamos levar à consideração superior, para depois voltarmos aos mesmos locais com a solução dos problemas de foro agrícola, designadamente o reforço do gado bovino, caprino e suíno, charruas, sementes, fertilizantes  e a construção de armazéns para se depositar os produtos do campo.

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