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Mutilados de guerra de Mavinga recebem próteses feitas na Irlanda

Nicolau Vasco| Mavinga

Um grupo de 150 mutilados de guerra das extintas FALA, antigo braço armado da Unita, residentes no bairro 11 de Novembro, a 20 quilómetros da sede municipal de Mavinga, vão receber este mês um novo modelo de próteses, produzidas na Irlanda do Norte, para facilitar a reintegração dos deficientes que se debatem com graves problemas de locomoção.  

Deficientes físicos contam com novos meios que vão facilitar a sua movimentação
Fotografia: Nicolau Vasco

Um grupo de 150 mutilados de guerra das extintas FALA, antigo braço armado da Unita, residentes no bairro 11 de Novembro, a 20 quilómetros da sede municipal de Mavinga, vão receber este mês um novo modelo de próteses, produzidas na Irlanda do Norte, para facilitar a reintegração dos deficientes que se debatem com graves problemas de locomoção.  
A acção, que se enquadra no projecto “Caminhada Segura”, do fundo Lwini, está a ser executado em parceria com uma Organização Não-Governamental da Irlanda do Norte, denominada “Ok-Prosthetics”, e do ministério angolano da Assistência e Reinserção Social (MINARS).
Para facilitar o uso das modernas próteses aos beneficiários, a direcção provincial do Ministério da Saúde seleccionou 15 técnicos de Menongue e Mavinga que estão a ser preparados por dois técnicos irlandeses e um namibiano no próprio bairro 11 de Novembro, em técnicas de aplicação e manutenção das próteses dos mutilados de guerra.
A chefe da delegação e  curadora da Fundação Lwini, Ana Paula Victor, disse que estas novas próteses estão a ser usadas em países como Moçambique, Cuba e Namíbia, são mais versáteis e pesam menos de quilo e meio, uma enorme vantagem em relação às actuais, que são produzidas à base de gesso e plástico e chegam a pesar mais dos dois quilos cada membro. Depois do Kuando-Kubango, o projecto vai prosseguir nas províncias do Bié, Huambo, Huíla e Kwanza-Sul.
Ana Paula Victor esclareceu que, neste momento, ainda não foi possível substituir no total a prótese convencional que é usada pelos mutilados de guerra, porque, como disse, estas modernas próteses requerem um investimento muito grande, razão pela qual “vamos atender, em primeira instância, aquelas pessoas que requerem cuidados muito especiais para poderem mover-se”. A Cônsul de Angola na região de Okavango, Namíbia, Judith Costa, disse que viu pela primeira vez estas próteses durante uma visita ao Hospital Central do Rundu, considerou o projecto muito interessante e comunicou esse facto às autoridades angolanas.
“Sinto-me feliz por o fundo Lwini, através do Minars, estar a seguir este projecto, pela primeira vez, no nosso país. Sinto-me muito honrada pelo convite que me foi formulado pelo Fundo Lwini. Milhares de compatriotas que durante a guerra perderam um dos seus membros vão poder mover-se com muita facilidade”, salientou. O Administrador Municipal de Mavinga, Elísio Macai, disse que no Bairro 11 de Novembro existem, pelo menos, 917 mutilados de guerra sem, no entanto, incluir outros que foram abandonados nas matas ao longo do conflito armado que, segundo informações, são milhares.
No Kuando-Kubango, a delegação do Fundo Lwini também visitou o centro Ortopédico da cidade de Menongue, onde são assistidos, anualmente, mais de quatro mil mutilados de guerra.

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