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Novo Hospital Provincial abre este trimestre

Carlos Paulino | Menongue

Cuando Cubango vai contar, ainda no primeiro trimestre deste  ano, com um novo hospital provincial, com capacidade para internar 250 doentes. O edifício da actual unidade, construído na década de 1960, é reabilitado a seguir.

Director do Hospital do Cuando Cubango considera injustificáveis mortes por malária
Fotografia: Nicolau Vasco | Menongue

O director do Hospital Provincial de Menongue, Jacinto Guedes, disse à reportagem do Jornal de Angola que as obras já estão concluídas em 95 por cento. “Falta terminar a vedação, efectuar a pintura externa, montagem do mobiliário nas áreas administrativas e dos equipamentos de diagnóstico e tratamento nas diferentes áreas de especialidade.”
A nova unidade hospitalar do Cuando Cubango ocupa uma área de 12 mil metros quadrados e  conta  com quatro blocos operatórios, serviços de imagiologia, com aparelhos de Raios-X e Tomografia Axial Computorizada (TAC), laboratórios, uma morgue com 14 gavetas, gabinetes administrativos, refeitório, lavandaria e dois fornos para incineração do lixo hospitalar.
O hospital vai  prestar serviços de medicina, pediatria, estomatologia, otorrinolaringologia, oftalmologia, cirurgia reconstrutiva, hemoterapia, cardiologia, dermatologia, fisioterapia, nutrição, urologia, neurocirurgia, psicologia, ginecologia-obstetrícia, anestesia e outras especialidades.
Jacinto Guedes afirmou que a nova unidade sanitária, primeira do género a ser construída no Cuando Cubango depois da Independência,  fornece  serviços especializados que a população local até agora só encontra noutras províncias do país, na Namíbia ou na Zâmbia.
Por falta de equipamentos de diagnóstico ou tratamento, muito do trabalho é feito às cegas. Por essa razão, todos os doentes em estado grave são transferidos para a província do Huambo, disse Jacinto Guedes. “Esta situação está a chegar ao fim, para satisfação da população e dos profissionais de saúde.”
O actual Hospital Provincial, com 106 camas, conta apenas com serviços de medicina interna, ortopedia, cirurgia e anestesia. “Com a entrada em funcionamento do novo hospital provincial, prevista para o primeiro trimestre deste ano, a província vai ganhar uma unidade sanitária de referência, com todas as condições necessárias”, disse Jacinto Guedes, que informou que, após a entrada em funcionamento da nova unidade, a actual vai ser reabilitada e passa a Hospital Geral de Menongue.

Novos médicos


Jacinto Guedes disse que, para funcionar em pleno, a nova instituição vai precisar de 60 novos médicos especializados em medicina interna, estomatologia, otorrinolaringologia, ortopedia, pediatria, oftalmologia, cirurgia reconstrutiva, cardiologia, dermatologia, fisioterapia, nutrição, urologia, neurocirurgia, cuidados intensivos, psicologia, ginecologia-obstetrícia e anestesia.
O actual Hospital Provincial funciona com 16 médicos formados nas áreas de medicina interna, ortopedia, cirurgia e anestesia, dos quais cinco são angolanos, igual número de coreanos, três cubanos e outros tantos russos, quatro técnicos  médios de diagnóstico e 177 enfermeiros.
Jacinto Guedes afirmou que, apesar do número reduzido de recursos humanos, a unidade sanitária tem procurado estar à altura das necessidades. Para suprir a falta de quadros médicos na província, pediu ao Governo Provincial do Cuando Cubango que envide esforços para a criação de curso de Medicina na Universidade do Cuito Cuanavale, afecta à oitava região académica.
 
Negligência das famílias


O director do Hospital Provincial do Cuando Cubango realçou que, apesar das dificuldades, tem diminuído a percentagem de mortes naquela unidade, fruto do empenho de técnicos de Saúde e de melhorias na assistência médica e medicamentosa. 
Durante o ano de 2015, a unidade atendeu 26.612 pacientes com diversas patologias, dos quais 178 acabaram por morrer.
Em 2014, foram atendidos 35.900 doentes, com um registo de 316 mortes, uma média mensal de 26 óbitos. A malária continua a liderar as estatísticas de mortalidade na província. Seguem-se a febre tifóide, hipertensão arterial, doenças diarreicas agudas e traumatismos provocados por acidentes de viação.
O número de mortes por malária desceu de 82, em 2014, para 58 no ano passado. A média de doentes atendidos nos últimos meses continua na ordem dos dois mil por mês.
O número ainda elevado de óbitos, uma média de 14 por mês, deve-se, sobretudo, ao facto de os doentes recorrerem ao hospital de forma tardia, disse Jacinto Guedes, que lamentou o facto de, apesar dos sucessivos apelos das autoridades sanitárias, se verificar  um nível acentuado de negligência por parte das famílias, que levam os doentes ao hospital apenas quando o seu estado de saúde se agrava.
“Esta é uma situação a que temos assistido e tem sido debatida com muita frequência na província, tendo em vista que as principais causas de morte na nossa instituição têm a ver com doentes que chegam tarde e em estado crítico”, disse Jacinto Guedes.
“Estas mortes podiam ser evitadas se o recurso ao hospital acontecesse aos primeiros sinais de doença, mas muitos preferem fazer primeiro um tratamento tradicional ou ir a um posto médico privado com atendimento precário.”
Para Jacinto Guedes, já não se justificam casos de morte por malária, pois as unidades dispõem de meios para a realização de testes rápidos e de medicamentos eficazes para o tratamento desta doença.
“É necessário que as pessoas tenham confiança na nossa instituição e nos nossos técnicos, porque temos condições para prestar um serviço de qualidade aos cidadãos”, afirmou Jacinto Guedes, e pediu à população para acatar as medidas de prevenção e combate às diferentes enfermidades e a manter a higiene corporação e do meio onde vivem e uma alimentação saudável.
 
Medicamentos garantidos

O Hospital Provincial possui  medicamentos suficientes para dar resposta às doenças mais frequentes e às vítimas de acidentes de viação. “Apesar das dificuldades financeiras que o país atravessa, temos conseguido dar assistência médica e medicamentosa a todos os pacientes que acorrem à nossa unidade sanitária, sobretudo aqueles  que têm de ser internados”, garantiu Jacinto Guedes.
"Aos doentes em regime ambulatório cujo quadro clínico dispensa cuidados de maior, são passadas receitas médicas para adquirirem  os remédios nas farmácias", informou Jacinto Guedes.

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