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Obras melhoram aeroporto

Lourenço Manuel | Menongue

Depois de um interregno de aproximadamente um ano, devido a problemas técnicos, as obras de restauro e ampliação do aeroporto comandante Kwenha, da cidade de Menongue, Kuando-Kubango, recomeçadas em Março último, estão a decorrer a bom ritmo.

Kuando-Kubango prepara condições para receber os novos aeronaves da TAAG
Fotografia: Jornal de Angola

Depois de um interregno de aproximadamente um ano, devido a problemas técnicos, as obras de restauro e ampliação do aeroporto comandante Kwenha, da cidade de Menongue, Kuando-Kubango, recomeçadas em Março último, estão a decorrer a bom ritmo.
O Jornal de Angola apurou que a empreitada tinha um orçamento inicial de 55 milhões, 792 mil e 447 dólares americanos. Os trabalhos estão concentrados no extremo leste da pista. Neste momento estão operacionais 2.400 metros de pista para aterragem e descolagem de aeronaves de pequeno e médio porte, incluindo os aviões de passageiros da TAAG que escalam Menongue.
Também já decorrem trabalhos de fundação para construção dos edifícios destinados à torre de controlo da navegação aérea, à unidade dos bombeiros e à aerogare.
A nova aerogare vai passar a dispor de serviços de restaurantes, salas de embarque e desembarque de passageiros, uma sala protocolar e outra VIP, e uma vasta área destinada à recepção da bagagem, equipada com tapete rolante.
De acordo com o director nacional de Navegação Aérea, Nzakimuena Manuel, tão logo as obras terminem “vamos ter um aeroporto comandante “Kwenha” moderno, completamente vedado, com uma pista com novo tapete asfáltico e sistema de iluminação nocturna, capaz de receber aeronaves em qualquer período do dia”.
A fonte adiantou que a torre de controlo vai receber equipamentos de última geração, que vão conferir maior segurança à navegação aérea local. O dispositivo vai beneficiar igualmente os voos internacionais que cruzam os céus do Kuando-Kubango.
O aeroporto “Comandante Kwenha” é o segundo maior do país, depois de Luanda, com 3.700 metros de extensão. As obras em curso vão capacitá-lo a receber qualquer tipo de aeronave.
A largura da pista está a ser ampliada de 45 para 60 metros e a placa de estacionamento de aeronaves será alterada de 200 para 500 metros de extensão, sendo equipada com mangas de reabastecimento de combustível posicionadas a cada 100 metros.
O director nacional de Navegação Aérea, Nzakimuena Manuel, garantiu que o aeroporto comandante Kwenha terá as mesmas características do aeroporto internacional de Cabo Verde e vai servir de alternativa aos voos internacionais que diariamente utilizam os dois corredores aéreos que passam por cima da cidade de Menongue.
Para o efeito está a ser construído um reservatório capaz de armazenar 660 metros cúbicos de combustível do tipo JET-A1, para atender à procura dos voos internacionais, bem como da rede doméstica.
Nzakimuena Manuel disse que o Governo angolano firmou contratos com empresas estrangeiras, para equipar os aeroportos comandante Kwenha e o do município do Cuito Cuanavale com meios técnicos capazes de garantirem uma navegação aérea segura em quaisquer condições climáticas.
Nzakimuena Manuel, que se deslocou ao Kuando-Kubango para averiguar o estado de progressão das obras nos dois aeroportos, não avançou datas para a instalação dos referidos equipamentos, mas adiantou que os mesmos já foram adquiridos no estrangeiro.
Realçou que, actualmente, no Ku­ando-Kubango a navegação aérea é a possível, tudo por culpa das incidências do conflito armado recente, que deixou as infra-estruturas aeronáuticas e de apoio completamente arrasadas. Por esta razão, disse Nzakimuena Manuel, a ENANA está, agora, a revitalizar o sector, “para conferir maior segurança aos passageiros”.

Cuito Cuanavale encerrado

O aeroporto do Cuito Cuanavale, o segundo maior da província do Kuando-Kubango, com uma pista de 2.400 metros de extensão, está encerrado ao tráfego aéreo há cerca de três meses, para que as equipas de trabalho da construtora Imbondex, responsável pela sua reabilitação, façam os retoques finais.
De acordo com o director nacional de Navegação Aérea, que se deslocou também àquela região, “as obras no Cuito Cuanavale estão em fase mais avançada, se comparadas com as do Menongue”.
Mas há que reter que a intervenção no aeroporto do Cuito Cuanavale é, substancialmente, de menor dimensão. A pista vai continuar com os seus 2.400 metros de comprimento. A largura passou dos 30 para os 45 metros, estando agendada a colocação de novo asfalto em toda a dimensão da pista. O aeroporto vai contar igualmente com um sistema de iluminação para recepção de aeronaves no período nocturno.
Está concluído o edifício destinado ao apoio dos passageiros, numa área de 900 metros quadrados e que inclui salas de embarque e desembarque e escritórios.
A torre de controlo já começou a receber obras de melhoramento, devendo, posteriormente, ser equipado e o pessoal reciclado.

Realojamento atrapalha obras
 
Tanto em Menongue como no Kuito Kuanavale a progressão das obras depara-se com um obstáculo: as casas construídas a escassos metros da pista.
O director nacional de Navegação Aérea, Nzakimuena Manuel, abordou o assunto com as autoridades dos municípios de Menongue e do Kuito Kuanavale, de quem recebeu garantias de que, a curto prazo, as famílias vão ser movimentadas para locais mais seguros tanto para as aeronaves como para si próprias. 
O responsável chamou a atenção das famílias naquelas condições para colaborarem com o Governo da província. “E se, eventualmente, por meios próprios poderem abandonar aquelas áreas já será muito bom, porque o aeroporto é um bem público e não vai servir apenas aos membros do Governo”.
Nzakimuena Manuel, bastante preocupado, acrescentou que além de precaver futuros desastres, a resolução do assunto tem um outro lado positivo, que é o de “vermos as obras a progredirem a cada dia que passa, uma vez que já se regista um enorme atraso nos prazos inicialmente estabelecidos, que eram de 18 meses, incluindo o período de mobilização dos equipamentos”.
O vice-governador do Kuando-Kubango para os Serviços Técnicos, Simão Baptista, contactado pelo Jornal de Angola, disse que a situação é “preocupante e deve ser resolvida com celeridade, porque é do interesse das autoridades e da população ver rapidamente o aeroporto completamente modernizado, para facilitar o movimento de pessoas e mercadorias, tendo em conta as grandes distâncias que separam o Kuando-Kubango dos principais centros urbanos do país”.
Simão Baptista afirmou que o executivo local está a trabalhar na mobilização dos meios necessários, nomeadamente chapas de zinco e cimento, entre outros materiais de construção, “com vista a proporcionar às pessoas abrangidas um realojamento condigno e sem lamúrias”. 
O vice-governador realçou que as administrações do Kuito Kuanavale e de Menongue foram já orientadas no sentido de fazerem o levantamento do número real das pessoas a serem movimentadas.

TAAG reduz voos

A transportadora aérea angolana (TAAG) reduziu de sete para cinco os voos semanais para a cidade de Menongue e retirou da programação os voos de escala Luanda/Namibe/Menongue, através dos quais a população do Kuando-Kubango recebia o peixe e outros produtos do mar oriundos do Namibe.
A alteração está a ser vista pela população local com muito cepticismo, dado que todos os voos, excepto o de terça-feira, partem de Luanda às 15 horas, com previsão de chegada a esta cidade às 16 horas e 30 minutos, o que faz pressupor a ocorrência de muitos cancelamentos.
A TAAG é a única operadora que voa para o Kuando-Kubango, ao contrário de outras cidades do país, que contam com o concurso de outras companhias do ramo da transportação aérea de passageiros para Luanda e vice-versa.

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