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Os adultos matriculados aumentam todos os dias

Ezequiel Dala | Cuchi

Mais de mil alunos com idades entre os 15 e os 63 anos estão inseridos no sistema de ensino de adultos, no município do Cuchi, província do Kuando-Kubango.

Mais de mil alunos com idades entre os 15 e os 63 anos estão inseridos no sistema de ensino de adultos, no município do Cuchi, província do Kuando-Kubango.
De acordo com informações prestadas esta semana pela chefe de secção de ensino de adultos, Rosária Cacuhu, 688 dos alunos matriculados são do sexo feminino e 512 do masculino.
No município do Cuchi, as aulas são asseguradas por apenas 40 professores, dos quais 37 na sede municipal, um na comuna do Kutato e dois na comuna do Vissaty, o que não corresponde às expectativas dos alunos que aumentam a cada dia que passa. 
A responsável explicou ainda que 576 alunos fazem parte do programa de aceleração do atraso escolar, que é frequentado maioritariamente por adolescentes dos 15 aos 18 anos, que por motivos de força maior nunca tinham estudado.
Comparando com o ano anterior, Rosaria Cacuhu diz que o número de pessoas a frequentar o ensino de adultos aumentou, uma vez que no ano transacto estiveram matriculados 901 alunos, dos quais 325 do sexo masculino e 576 do feminino, sendo que 875 tiveram aproveitamento positivo.
O projecto de luta contra o analfabetismo não é exclusivo para a sede do município, estendendo-se às comunas e aldeias. Até à data, as localidades do Kutato e Vissaty já beneficiam do mesmo programa.
Rosária Cacuhu manifestou-se preocupada pelo facto de não existirem no município estruturas próprias para o ensino de adultos, o que obriga os professores a leccionar em suas próprias casas, nas igrejas e em sombras de árvores. “Este é um problema que gostaríamos de ver resolvido, pois não tem sido nada fácil para os professores trabalhar nestas condições”, disse a responsável para quem os salários pagos aos educadores também não satisfazem as suas necessidades, tendo-se em conta a realidade actual.
Referiu ainda que 60 por cento dos alunos matriculados neste sistema de ensino estão na sede do município, enquanto os restantes 40 por cento frequentam as salas de aula das comunas e aldeias.
Em relação ao material didáctico, o município enfrenta sérios problemas, como a falta de quadros, de manuais referentes aos vários módulos, lápis, cadernos, lapiseiras, borrachas, entre outros.
Apesar destas dificuldades, a vontade de sair da lista dos analfabetos faz com que os alunos continuem empenhados, esperando que em cada aula superam as debilidades que ainda possuem em ler e escrever. É o caso de Miguel Ntchamba, de 53 anos, que diz estar satisfeito com o programa. Para o alfabetizando, é preciso que as pessoas que estão na sua condição se enquadrem no sistema, uma vez que “um homem sem escrita nem leitura não compreende absolutamente nada, mas, caso estude, poderá servir melhor o país”, salienta Miguel.
Antónia Joana Mutango, 47, outra aluna, disse sentir-se muito orgulhosa por fazer parte de um grupo que está a tentar aumentar os seus conhecimentos, depois de anos sem estudar.
 A senhora pediu ao Governo para continuar a apoiar fortemente este programa, visto ser “um projecto que está a devolver a vida a milhares de angolanos que antes não podiam estudar, também, por causa dos tempos difíceis que o país viveu”.

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