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Paludismo tende a aumentar na província

Carlos Paulino | Menongue

Os casos de paludismo na província do Cuando Cubango podem aumentar nesta época chuvosa, por falta de mosquiteiros impregnados com insecticidas de longa duração, que nesta altura são distribuídos à população, sobretudo a crianças e mulheres grávidas, alertou o chefe de departamento Provincial da Saúde Pública e Controlo de Endemias. 

Casos de paludismo no Cuando Cubango podem aumentar nesta época chuvosa por falta de mosquiteiros impregnados com insecticidas
Fotografia: Carlos Paulino

Ntima Mandawele disse que os mosqueteiros tratados com insecticida chegam normalmente à província através da ONG internacional Fundo Global, mas, infelizmente, há cerca de dois anos deixou de o fazer, devido à crise financeira que está a afectar o continente europeu.
A falta de mosquiteiros na província, lamentou, pode concorrer negativamente para o aumento significativo de casos de malária e aumento do número de óbitos, sobretudo nesta época chuvosa, quando o risco é maior, devido à multiplicação do mosquito transmissor do paludismo nos charcos, lagoas e capim, que cresce à volta das residências.
Em função desta situação, pediu aos administradores municipais para, através do Programa de Municipalização dos Serviços de Saúde, que contempla os municípios com financiamento anual, para terem em conta a necessidade de se comprarem mosquiteiros impregnados, para dar continuidade à iniciativa do Fundo Global e evitar, deste modo, um surto de malária na província.
Chamou, ainda, a atenção, para a necessidade de os mosquiteiros serem usados para o fim a que se destinam, porque muitos recebem-nos e dão-lhes outro destino, como protegerem as culturas nas lavras, uma situação que preocupa as autoridades sanitárias da província, que tentam combater este tipo de atitude.
“Pedimos aos vários agentes de saúde para trabalharem junto da população, sensibilizando-a para a necessidade de se protegerem das picadas dos mosquitos, sobretudo as crianças e mulheres grávidas, porque o Estado gasta muito dinheiro na compra de medicamentos, quando este podia ser aplicado noutros projectos sociais úteis à sociedade”, disse. Apesar desta situação, tem havido um decréscimo de mortes por malária. Desde o início do ano até Setembro, foram registados 264 óbitos, dos cerca de 50 mil pacientes diagnosticados com paludismo.
Em comparação a igual período de 2013, houve uma diminuição de 235 mortes, graças à testagem rápida nas unidades sanitárias e à intensificação das campanhas de sensibilização para prevenção e combate à doença.
“A situação da malária a nível da província está bem controlada, mesmo sem mosquiteiros, uma vez que se melhorou significativamente a cobertura da assistência médica e medicamentosa, e a qualidade dos serviços prestados às populações, sobretudo aquelas que vivem em áreas mais recônditas da região”, frisou.

Pais e filhos


Ntima Mandawele lamentou o facto de ainda haver na província muitos pais e encarregados de educação que preferem fazer tratamentos tradicionais e que só levam os filhos às unidades sanitárias em estado grave e depois resulta muitos acabam por morrer. A pessoa com paludismo apresenta sintomas de febre e frio, forte dor de cabeça, falta de apetite, vómitos e diarreia, além de outras dores no corpo e nas articulações.

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