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Pescadores artesanais necessitam de apoios

Weza Pascoal | Menongue

O departamento das pescas da Direcção Provincial do Cuando Cubango da Agricultura, segundo o seu director, Luís Cambinda, seleccionou, nos arredores da cidade de Menongue, quatro áreas para o projecto de aquacultura, que visa a reprodução de peixes, mas a falta de meios técnicos e financeiros está a provocar muitos transtornos aos criadores da região.

Luís Cambinda, entrevistado ontem pelo Jornal de Angola, acrescentou que a região possui potencial hidrográfico e uma infinidade de zonas férteis para a prática da aquacultura, mas a assistência técnica e o apoio financeiro não se fazem sentir, o que leva a população, sobretudo das zonas rurais do Cuando Cubango, a ter dificuldades para se alimentar.
Por orientação do Ministério das Pescas, numa primeira fase foram identificadas em Menongue as áreas de Tchivonde, Cambumbe, Abel e Cunha, sustentadas pelos rios Luahúca e Cuebe, mas até agora este projecto nunca saiu do papel.
A falta de assistência técnica e apoio financeiro são notórios em várias cooperativas de pesca artesanal, que têm dificuldade em aumentar os níveis de captura de peixe, uma realidade que faz com que dezenas de pescadores da região trabalhem em condições difíceis.
Luís Cambinda disse que a nível da província o departamento das pescas tem sob o seu controlo 33 cooperativas de pescadores, que desenvolvem as suas actividades com redes de mosquiteiros ou muzua (instrumento tradicional), que é colocado em locais de baixo caudal do rio, havendo relatos de muitos pescadores que, por conta disso, foram vítimas de ataques de crocodilos.
As cooperativas necessitam de barcos, redes, anzóis, bóias, caixas térmicas para a conservação do peixe, motorizadas de três rodas e viaturas para apoiar a rede de distribuição, para que possam desenvolver as suas actividades sem sobressaltos.
“Neste momento é quase impossível falarmos de níveis de captura, porque os pescadores, nas condições em que trabalham, só conseguem dar de comer às suas famílias, havendo pouco remanescente para a venda aos consumidores que procuram por este produto, que é bastante apreciado na região, sobretudo nos finais de semana”, disse Luís Cambinda.
Actualmente, referiu, a maior parte da população da província do Cuando Cubango alimenta-se de peixe congelado, que vem da província do Namibe ou da Namíbia, produtos que já não têm as mesmas propriedades, devido ao longo período que permanecem nos sistemas de conservação.

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