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Ponte põe fim ao isolamento de mutilados

Carlos Paulino | Cassela

A travessia do rio Kwebe passa a ser feita com maior segurança, pelos habitantes da aldeia de Cassela, cerca de 80 quilómetros da cidade de Menongue, no Cuando Cubango, na sequência da inauguração de uma ponte metálica, pelo governador provincial, Pedro Mutindi.

A ponte foi inaugurada pelo governador Pedro Mutindi (segundo da direita para a esquerda)
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro - Cuando Cubango

Montada por técnicos do Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA), a ponte tem 30 metros de comprimento, sete de largura e capacidade para suportar 40 toneladas.
O director provincial do Instituto Nacional de Estradas de Angola, Celso Martin, explicou que as obras da montagem da referida ponte metálica, que conta ainda com um canal de 24 metros, que permite a passagem da água do rio Kwebe, tiveram a duração de dez dias.
Madalena Noloti, em nome da população do Cassela, agradeceu o gesto do governo da província que cumpriu com a promessa feita no dia 4 de Abril do corrente ano, durante o acto provincial do Dia da Paz, no qual prometeu acabar com o sofrimento da população da aldeia de Cassela em relação à travessia do rio Kwebe, que era efectuada por meio de canoas, com risco de serem atacadas por jacarés.
Sublinhou que os habitantes da aldeia de Cassela reconhecem os esforços empreendidos pelo Executivo angolano e em particular do governo local que, apesar da crise económica e financeira, tudo têm feito para a melhoria das condições de vida da população.
Fez saber que a localidade de Cassela tem 1.447 habitantes, que constituem maioritariamente a família gerada por 507 mutilados de guerra, reassentados naquela localidade. Recordou que, nos tempos passados, a população da aldeia era obrigada a fazer a travessia do rio Kwebe por meio de canoas para atingir a outra margem, onde apanhava táxis para ir até a cidade de Menongue, o que tornava a situação difícil e perigosa, devido aos jacarés e hipopótamos.
“Hoje, a situação está ultrapassada. Por isso, agradecemos ao Governo do Cuando Cubango, sobretudo na pessoa do governador Pedro Mutindi, pelos apoios e atenção especial que tem prestado a nós, que viemos das matas do Rivungo e de Mavinga, sem nada para comer ou vestir”, disse.
Madalena Notoli disse que, apesar dos apoios já prestados, a população de Cassela carece ainda de fornecimento de água potável, de escola, um posto de saúde, inputs agrícolas, inserção dos antigos combatentes e uma antena de telefonia móvel.

Construção de casas
Na aldeia de Cassela, Pedro Mutindi procedeu ainda ao lançamento da primeira pedra para a construção de 500 casas sociais do tipo T-3, T-2 e T-1, para os antigos combatentes residentes na referida circunscrição. O projecto, orçado em 500 milhões de kwanzas, contempla também a construção de uma esquadra policial, uma escola de seis salas de aula, um posto de saúde e um centro infantil e recreativo, cujas obras estarão a cargo da empresa chinesa Hyway.
O director da empresa Hyway, Yao Ke, explicou que numa primeira fase serão construídas 50 casas, num prazo de quatro a seis meses, acrescentando que neste momento estão a concentrar no local todos os equipamentos e materiais de construção civil, para que dentro de 15 dias as obras possam arrancar sem sobressaltos.
Salientou que esta parceira entre a sua empresa e o Governo da Província do Cuando Cubango vai permitir inicialmente dar emprego a 30 moradores do bairro Cassela, um número que vai aumentar gradualmente de acordo com a necessidade de alguns serviços.
Yao Ke garantiu que a Hyway vai envidar esforços para entregar as 500 casas nas datas previstas, que podem levar um prazo de três a quatro anos de forma geral. Realçou que o mais importante é construir residências de forma acolhedora, que possam dignificar os antigos combatentes, que por muitos anos lutaram para libertar e trazer a paz definitiva em Angola. O governador Pedro Mutindi disse que a construção da ponte sobre o rio Kwebe  constituía a principal prioridade do governo da província, tendo em vista que os 1.447 habitantes da localidade, sobretudo os 507 mutilados, enfrentavam enormes dificuldades ao subir e ao descer da canoa para atravessar o rio.

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