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População da vila de Mucusso é atormentada por elefantes

Lourenço Manuel | Menongue

A população da comuna do Mucusso, em Menongue, está a viver um clima de medo e insegurança devido a elefantes e outros animais selvagens que tentam atacar a localidade para encontrar alimentos.

Segundo o administrador os animais selvagens devastaram todas as culturas agrícolas
Fotografia: Dr

A população da comuna do Mucusso, em Menongue, está a viver um clima de medo e insegurança devido a elefantes e outros animais selvagens que tentam atacar a localidade para encontrar alimentos.
De acordo com o administrador da comuna, Manuel Moura Jamba, as manadas de elefantes devastaram já por completo todas as culturas e reservas alimentares dos camponeses da região nos arredores da sede comunal. Por falta de alimentos, estão agora a procurar invadir a localidade, uma vez que as cubatas da população se confundem com os celeiros onde as pessoas guardavam os alimentos no campo.
O administrador solicitou uma vez mais os serviços dos efectivos do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF) para fazerem deslocar ao terreno uma equipa reforçada, com vista a conter as constantes investidas dos animais. Mas até agora não existem soluções por causa do reduzido número de fiscais.
Enquanto isso, a população local mobilizou-se em grupos, que trabalha em regime de turno, para afugentar os animais, produzem barulho tocando batuques, batendo com paus em chapas de tambor e de noite realizam fogueiras nos principais pontos onde os bichos são vistos com frequência.
A localidade de Mucusso, pela sua localização geográfica e abundância da fauna e flora, constitui uma das zonas principais do Kuando-Kubango no projecto turístico transfronteiriço, denominado “Okavango/Zambeze”, que envolve países como Angola, Namíbia, Botswana, Zâmbia e Zimbabwe.
O surgimento de alguns casos de subnutrição no seio dos cerca de 4.450 habitantes da sede comunal de Mucusso, está a preocupar as autoridades locais, disse o administrador Manuel Moura.
O responsável deslocou-se já à capital da província, Menongue, onde tem previsto um encontro com o governador do Kuando-Kubango, Eusébio de Brito Teixeira, a quem vai apelar à criação de uma comissão multi-sectorial para averiguar as condições de vida da população.
O administrador lamentou o facto de há mais de três meses ouvir, através de emissões de rádio, o presidente da Associação dos Jovens Angolanos Provenientes da Zâmbia (AJAPRZ), Bento Raimundo, prometer que levaria ajuda à população do Mucusso, mas, até à data, essa promessa ainda não foi concretizada. A par da fome, o responsável manifestou-se igualmente preocupado com a questão da necessidade de cerca de três mil pessoas que residem nas proximidades do rio Kuvango deverem ser transferidas para as antigas aldeias. Estes populares, devido às cheias do referido rio, teve vários dissabores no ano passado, pelo que todos os esforços estão a ser envidados para se evitar que o mesmo episódio se repita.
A falta de medicamentos e de ambulância no único posto de saúde é outra preocupação. Para uma assistência médica mais adequada, os pacientes têm de acorrer às cidades namibianas mais próximas, visto que são as únicas que possibilitam ligação por terra, em consequência da destruição da ponte sobre o rio Kuito.

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