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Professores em formação sobre a língua nganguela

Carlos Paulino | Menongue

Mais de 200 professores do ensino primário do município de Menongue, província do Cuando Cubango, participam até sábado num seminário sobre a língua nacional nganguela.

Docentes estão agora melhor esclarecidos
Fotografia: José Soares

Durante a acção formativa vão ser abordados, entre outros temas, a organização da aula e gestão de tempo, regras básicas e gerais do curso, métodos de inovação do ensino de língua nacional nganguela, o progresso e os problemas da primeira fase da sua introdução no currículo escolar.
Pedro Suco, um dos formadores, considerou importante a formação dos professores do ensino primário, de modo a transmitir às crianças o conhecimento da língua materna, ao mesmo tempo que referiu o facto de constatar grandes dificuldades por parte dos alunos em comunicarem no idioma local, porque em casa e na rua falam português.
“É importante que falemos a nossa língua materna e, infelizmente, muitos encaram como se fosse um retrocesso, daí que prefiram educar os filhos a falar só em português, o que é reprovável. Para contornar a situação, o Executivo adoptou este sistema no plano curricular em cada região do país, para que os alunos também possam aprender o idioma local”, disse.
A língua nganguela, disse, consta actualmente do currículo escolar para os alunos do ensino primário a nível da província, uma disciplina que nos próximos tempos vai estender-se aos estudantes do segundo ciclo do ensino secundário.
A administradora adjunta de Menongue, Felistance Brunisse, disse que o seminário se reveste de capital importância para o regaste dos valores culturais na região, tendo em conta que muitas pessoas têm sido influenciadas pela cultura de outros países. Hoje, acrescentou, é raro ver um jovem a falar a sua língua materna, preferem aprender o idioma de outros países, com realce para o inglês ou o francês. “É necessário que o Ministério da Educação reforce ainda mais este programa de introdução da língua nacional no currículo escolar, para que possamos resgatar os nossos valores morais, cívicos e culturais”, concluiu.

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