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Programa de alfabetização reintegra a comunidade

Lourenço Bule | Menongue

Um grupo de 3.625 membros da comunidade khoisan, que vivem nas aldeias de Cuatir, Ndumbo, Jamba Cueio, Ntompa e Mucundi, na província do Cuando Cubango, vão beneficiar de programas de alfabetização e de produção de alimentos para auto-sustento.

Projecto realizado pela fundação Open Society-Angola inclui o apoio das famílias no reconhecimento de terras comunitárias
Fotografia: Lourenço Bule

O projecto, realizado pela fundação Open Society-Angola, inclui assistência das famílias no reconhecimento de terras comunitárias, identidade cultural, estudos sobre os hábitos e costumes, bem como o registo civil.
Até agora, foram aprovados pela entidade financiadora mais de 170 mil dólares.
A ONG Missão de Beneficência, Agro-pecuária do Kubango, Inclusão, Tecnologia e Ambiente (MBAKITA), sedeada na província, que coordena o projecto, trabalha em estreita colaboração no processo de reintegração social da comunidade khoisan.
O coordenador da MBAKITA, Pascoal Baptistiny, disse que a instituição vai igualmente supervisionar outro projecto de fomento da agricultura e educação alimentar, financiado pela Embaixada dos Estados Unidos em Angola, no valor de 24.985 dólares, para beneficiar 125 famílias khoisans.
 O projecto para o reconhecimento de terras comunitárias, alfabetização e advocacia para o registo civil, numa primeira fase, vai ser implementado na província do Cuando Cubango e, posteriormente, estende-se às regiões do Cunene, Huíla e Moxico.
A troca de experiência e intercâmbio entre as comunidades dos países da Namíbia, Botswana, África do Sul e Zâmbia está também incluída neste projecto de educação e inclusão social.
“A experiência a ser adquirida vai facilitar a integração social da comunidade que habita o nosso país, com vista a torná-los mentores dos seus afazeres de cada dia, uma vez que, se os mesmos não aprenderem a ler nem escrever, vai ser difícil trabalhar com eles em programas de inclusão”, realçou Pascoal Baptistiny. O responsável disse que a MBAKITA está a trabalhar em parceria com o Ministério da Educação, para implementar o programa de alfabetização “Sim eu posso”, entre as comunidades khoisan no Cuando Cubango e posteriormente alargar às regiões do Cunene, Moxico e Huíla.
Para este programa, foram seleccionadas oito pessoas da comunidade para frequentar o curso de formadores de alfabetização e o método Dom Bosco, para trabalharem dentro das aldeias e acompanharem directamente a aprendizagem dos restantes membros.

Aposta na agricultura

Pascoal Baptistiny disse que, para o projecto da agricultura e educação alimentar, estão disponíveis 15 hectares de terras aráveis nas localidades do Cuatir, Ndumbo, Jamba Cueio, Ntompa e Mucundi.
O coordenador da organização referiu que este projecto tem como objectivo primordial impulsionar o progresso sócio-económico das famílias e melhorar a qualidade de vida.
A comunidade Khoisan são povos nómadas, que sobrevivem através da recolha de frutos silvestres e da caça, mas a MBAKITA está a lançar um programa de produção de hortícolas, leguminosas e cereais.
Fundada a 14 de Abril de 2012, a organização já assistiu 520.071 pessoas, sendo 1.260 do ramo da agricultura, 513.600 do domínio ambiental, 624 da educação, 1.500 em catástrofes naturais, 1.275 da saúde e 1.812 do registo civil.
Além do Governo, a associação recebe apoio de parceiros e doadores, como o Programa Alimentar Mundial (PAM), a Organização Mundial da Saúde (OMS), a fundação Open Society-Angola e as embaixadas da Alemanha, França, Austrália, Estados Unidos e Japão.

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