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Promovidas acções de prevenção da ébola

Carlos Paulino| Menongue

Mais de cem técnicos de saúde, do Serviço de Migração e Estrangeiros (SME), das Forças Armadas Angolanas (FAA), da Polícia Nacional e autoridades tradicionais dos municípios de Menongue e Cuangar, no Cuando Cubango, participaram, sexta-feira, num seminário sobre medidas de prevenção do vírus ébola.

Estão a ser desenvolvidas várias acções para que a população conheça os sintomas e métodos de transmissão do ébola
Fotografia: Carlos Paulino| Menongue

Durante a formação, promovida pelo Ministério da Saúde, os participantes foram munidos de ferramentas sobre o vírus do ébola, principais sinais e sintomas, como se transmite e medidas de prevenção.
O coordenador de emergência do Ministério da Saúde, Lutumba Agostinho, recordou que o vírus do ébola é transmitido pelo contacto directo com o sangue, secreções ou sémen de pessoas vivas ou mortas portadoras da doença e tem como principais sintomas febre alta, dores de cabeça, musculares, articulares, abdominais e na garganta, fraqueza, abatimento profundo, diarreia, vómitos, soluços, borbulhas no corpo, olhos vermelhos e hemorragia, que pode levar à complicações graves e à morte.
Explicou que a doença afecta todos os grupos etários e ambos os sexos, tendo como período de incubação de dois a 21 dias. A taxa de mortalidade varia de 23 a 90 por cento, dependendo da qualidade da assistência médica e medicamentosa.
Lutumba Agostinho salientou que a biossegurança joga um papel preponderante para os técnicos de saúde, tendo em vista que neste tipo de surto morrem cerca de 20 por cento da equipa médica, por falta de medidas correctas de prevenção.
“É necessário que os técnicos de saúde, sobretudo dos Bancos de Urgência, usem sempre os materiais de biossegurança correctamente, com realce para máscaras, luvas e batas descartáveis, no sentido de evitarem o contágio da doença”, disse, a­crescentando que no caso de se depararem com um paciente com suspeita de ébola o médico ou enfermeiro em serviço não deve entrar em pânico, mas sim prestar a devida assistência.
Lutumba Agostinho apelou os participantes no sentido de transmitirem os conhecimentos adquiridos a outras pessoas, principalmente aquelas que vivem nas comunidades.
O chefe de departamento das emergências médicas do Cuando Cubango, José Barros Domingos, anunciou que formações idênticas vão decorrer nos municípios fronteiriços do Calai, Dirico e Rivungo, tendo em conta a vasta fronteira que têm com a República da Namíbia e da Zâmbia, apesar de não registarem ainda nenhum caso de ébola.
Lembrou que neste momento, no continente africano, o vírus do ébola assola os países da Guiné Conacri, Libéria, Serra Leoa, Nigéria e a República Democrática do Congo, sendo este último o mais preocupante, uma vez que faz fronteira com Angola. José Barros Domingos disse que a nível da província do Cuando Cubango já foi criada uma comissão de controlo e prevenção do ébola e que se está a trabalhar actualmente em campanhas de sensibilização nas unidades sanitárias, escolas, mercados paralelos, nas comunidades, postos fronteiriços, aeroporto, entre outros locais.
No quadro das medidas de prevenção, os estudantes da Escola Superior Politécnica de Menongue, afecta à Universidade Mandume Ya Ndemunfayo, foram esclarecidos sobre o referido surto, durante uma palestra que teve como prelector o representante provincial da Organização Mundial da Saúde (OMS).

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