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Realizados centenas de cortes de transmissão vertical

Cláudia Muhatili| Menongue

A chefe de enfermagem da Maternidade Provincial do Cuando Cubango, Rosa Luís, disse que pelo menos 300 casos de corte de transmissão vertical foram efectuados, desde o ano passado, para evitar o contágio do VIH/Sida de mãe para filho, naquela unidade sanitária.

Muitas mulheres insistem em realizar o parto em casa situação que tem contribuído para o aumento de mortes de parturientes e de bebés
Fotografia: Nicolau Vasco | Menongue

Os cortes de transmissão vertical fazem parte de um total de 1.784 partos, dos quais 1.480 foram de nados vivos e 149 de bebés nascidos mortos.
A maternidade registou ainda 138 casos de cesarianas, 14 operações cirúrgicas, com realce para a retirada de seis quistos e de oito miomas.
A instituição registou também 41 mortes maternas e 11 abortos. Estes últimos casos deveram-se à chegada tardia das mulheres gestantes à maternidade.
A chefe de enfermagem disse que há um registo significativo de redução de mortes maternas, fruto das campanhas de sensibilização que as autoridades sanitárias têm estado a realizar nas unidades hospitalares.
Rosa Luís lamentou o facto de muitas mulheres insistirem em fazer o parto em casa, situação que tem contribuído para o aumento de mortes de parturientes e de bebés e surgimento de casos complicados a nível da maternidade. A maternidade  atendeu 7.639 pacientes em trabalhos de parto, consultas pré-natais, planeamento familiar, entre outras.A nível do Centro de Aconselhamento de Testagem Voluntária (CATV) foram efectuados 4.329 testes, dos quais 314 resultaram em casos positivos.
A Maternidade Provincial do Cuando Cubango, com capacidade para 42 camas, realiza entre dez a 12 partos diariamente, que são assegurados por 161 trabalhadores, dos quais quatro médicos (um nacional, outro cubano e dois coreanos), apoiados por 87 técnicos clínicos.
A maternidade funciona actualmente sem ambulância e carece de médicos, principalmente na área de laboratório, hemoterapia e anestesia. A unidade clínica precisa também de um bloco operatório. “Temos estes problemas, que são acudidos, às vezes, pelo Hospital Central de Menongue, instituição que partilha a única ambulância connosco”, lamentou.

Gravidez precoce

A chefe de emermagem, Rosa Luís, disse que o elevado número de gravidez precoce, com realce para o município de Menongue, é uma das grandes preocupações das autoridades sanitárias.
A gravidez precoce pode ser considerada problema de saúde pública, acarretando complicações obstétricas com repercussões para a mãe e o recém-nascido, além de factores psico-sociais e económicos.
Face à situação, a chefe de enfermagem da maternidade apelou aos pais e encarregados de educação no sentido de terem uma participação cada vez mais activa nas questões sociais diante dos filhos, com vista à sua consciencialização sobre a sexualidade.
As mães, principalmente, devem jogar um papel preponderante para a resolução deste problema, visto que “as filhas sentem-se mais à vontade a abordar este tipo de conversa com elas”.
Rosa Luís adiantou que é necessário desenvolver um diálogo mais aberto para evitar que as jovens engravidem muito cedo ou corram o risco de apanhar certas doenças sexualmente transmissíveis.
De igual modo, chamou atenção aos pais para terem muita atenção em relação aos casos de gravidez precoce e, quando se depararem com a situação, devem dirigir-se aos sítios adequados e não provocarem abortos em locais duvidosos, porque podem acarretar problemas de infertilidade, psicológicos e até a morte.

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