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Regularidade das chuvas anima produção agrícola

Lourenço Bule | Menongue

Pelo menos 310 mil camponeses do Cuando Cubango mostram-se particularmente animados, na obtenção de bons resultados, na presente campanha agrícola, a julgar pela regularidade das chuvas que coloriram de verde os cerca de 104 mil hectares de terras aráveis, preparados em toda a extensão da província.

Camponeses do Cuando Cubango mostram-se animados com a obtenção de bons resultados
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro |

Contactados por telefone, os administradores municipais do Dirico, Nancova, Rivungo, Calai, Cuangar, Mavinga e Cuchi confirmaram à reportagem do Jornal de Angola estarem a respirar de alívio, pelo facto das chuvas caírem regularmente e a continuar assim é caso para se dizer que depois da tempestade vem a bonança, tendo em conta o longo período de estiagem, que deixou perto de 350 mil pessoas a fome.

No município de Menongue o Jornal de Angola visitou a localidade de Cuatir, a 30 quilómetros da cidade, uma das principais zonas de produção do município sede, e constatou que o verdejante dos campos ilustra bem o empenho e alegria dos camponeses, animados com as águas das chuvas que estão a irrigar diariamente as suas lavras, ao contrário do que ocorreu o ano passado.
Fernando Munengue Ndala vive do campo desde a sua tenra idade, um hábito que adquiriu dos seus progenitores. Como muitos, ele acredita que os prejuízos registados no ano transacto poderão ser recuperados na presente época agrícola, porque está a chover moderadamente e se nos próximos meses continuar assim os celeiros voltarão a estar cheios de mantimentos.
Fernando Munengue Ndala disse que controla uma área de 32 hectares, onde cultivou de tudo um pouco, como milho, massango, massambala, mandioca, feijão, Inhame, entre outros produtos do campo, que foram lançados em quantidades suficientes para garantir o sustento da sua família e para comercializar nos mercados da província.
Por seu turno, a camponesa Joana Mutango disse que perdeu grande parte das culturas que lançou à terra no ano passado, devido a falta de chuvas, e augura que esta época seja melhor que a anterior, visto que tem-se registado uma frequência considerável de quedas pluviométricas.
Joana Mutango salientou que vai continuar a privilegiar o cultivo de milho, mandioca e batata-doce, por serem os bens alimentares que mais se consome na região e de fácil comercialização, como a melhor forma de contribuir no desenvolvimento agrícola, bem como no combate à fome e à pobreza.
“As sementes que lancei à terra na semana passada já brotaram e almejo aumentar a extensão da minha lavra nos próximos dias, visto que as chuvas têm caído regularmente e estão dentro da tolerância das culturas agrícolas”, disse Joana Mutango que pediu o apoio do Governo local, no sentido de ajudar os camponeses da localidade do Cuatir com inputs agrícolas, tractores e sistemas de irrigação, para que possam produzir o ano todo, visto que a terra é bastante seca e arenosa.
A mesma ideia é partilhada pelo responsável da Pró-paróquia Cristo Rei, afecta à Igreja Católica de Menongue, padre Florindo Dala Cativa, que em parceria de um grupo de 100 fiéis da referida instituição religiosas desenvolvem agricultura em grande escala, numa área de 12 hectares, sendo sete na localidade do Cuatir e cinco na comuna do Missombo (Menongue).
O padre Florindo Dala Cativa possui uma parcela de terra de aproximadamente dez hectares e tal como outros camponeses dedica especial atenção ao campo e reserva um tempo para poder servir a Deus. Realçou o facto de estar a chover moderadamente e esperar obter uma colheita satisfatória da lavoura de milho, massambala, massango, feijão-frade, mandioca, batata-doce, couve, repolho, gengibre, tomate e cebola.
Florindo Dala Cativa apelou ao Governo da província no sentido de velar pelo melhoramento das vias secundárias e terciárias, pois, como disse, os camponeses estão a fazer a sua parte, produzindo em grande escala, sendo necessárias estradas em condições, para facilitar o escoamento dos produtos do campo para a cidade.
Florindo Dala Cativa solicitou igualmente apoio de “inputs” agrícolas, sobretudo tractores, moto bombas e fertilizantes, para todas as cooperativas agrícolas e camponeses singulares, para que a agricultura não dependa apenas das chuvas, porque a província tem muitos rios e não há razões da população padecer de fome, quando ocorrem situações de estiagem, como aconteceu o ano passado.
“O trabalho da igreja não pode ser somente no campo espiritual, mas também no lado social, ajudando o próprio homem a desenvolver-se. Jesus Cristo ao multiplicar os pães e os peixes teve em conta a dimensão humana, razão pela qual devemos apostar cada vez mais na produção agrícola, para que possamos dar de comer a quem tem fome, com realce as pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade”, disse Florindo Dala Cativa, para quem a produção agrícola não pode ser apenas uma responsabilidade do Governo, mas sim a de todos actores da sociedade, visto que a província do Cuando Cubango é rica em recursos hídricos e terras aráveis, ambiente saudável para alavancar o sector da agro-indústria.

 

 

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