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Saúde no Cuando Cubango precisa de neurocirurgiões

Weza Pascoal | Menongue

O Hospital Geral do Cuando Cubango necessita urgentemente de médicos especializados nas áreas de neurologia e neurocirurgia, para atender os elevados casos de traumatismo craniano, causados na sua maioria por acidentes de viação, que todos os dias dão entrada no banco de urgência da referida unidade sanitária, afirmou, na cidade de Menongue, a directora da instituição.

O Hospital Geral recebe semanalmente cerca de dez casos de traumatismo craniano
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro | Menongue


Elsa Calenga disse que, desde que o Hospital Geral entrou em funcionamento, no passado mês de Agosto de 2017, as áreas de neurologia e neurocirurgia, apesar de estarem equipadas com tecnologia moderna, continuam fechadas por falta de especialistas.
Fez saber que o hospital recebe por semana entre 8 a 10 pacientes com traumatismo craniano, por vezes em estado crítico, que, por falta de um especialista, recebem apenas os primeiros socorros no Banco de Urgência e posteriormente são transferidos para as províncias de Luanda, Huambo ou Huíla.
Além destes serviços, o Hospital Geral do Cuando Cubango necessita ainda de médicos especializados para as áreas do bloco obstétrico, gastro, estomatologia, cardiologia, imagiologia e fisioterapia, para dar resposta à demanda de pacientes que diariamente solicitam estes serviços. Segundo a directora do Hospital Geral do Cuando Cubango, alguns destes serviços funcionaram durante quatro meses, porque, depois da sua inauguração, o Ministério da Saúde enviou para o Cuando Cubango 14 médicos, mas estes especialistas já regressaram para as suas unidades sanitárias de origem, em Luanda.
A saída dos 14 médicos angolanos agravou ainda mais o problema de assistência médica no Hospital Geral, que desde a sua inauguração debate-se com a falta de especialistas e muitos dos doentes que eram assistidos actualmente também são transferidos para outras províncias do país.
 “Tivemos que abrir parcialmente o bloco obstétrico porque o hospital conta com um médico expatriado génico-obstétrico. O bloco está devidamente equipado, mas encontramos várias dificuldades para atender as nossas gestantes, por falta de outros especialistas entendidos na matéria”, disse.
Diariamente são atendidos cerca de 100 pacientes nas consultas externas e no banco de urgência, nas especialidades de oftalmologia, otorrino, ginecologia e ortopedia, disse Elsa Calenga, apontando a malária, doenças diarreicas agudas em adultos e crianças, hipertensão arterial como as principais patologias que o Hospital Geral regista, bem como casos de pacientes com ferimentos, muitas vezes em estado grave, provocado por acidentes de viação.
Segundo a directora, o hospital conta com mais de 340 funcionários, entre médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico terapêutico, que tudo têm feito para garantir  melhor assistência médica aos pacientes.
Disse que actualmente são necessários cerca de 600 novos funcionários, entre médicos, enfermeiros, técnicos básicos e administrativos, para que todos os serviços estejam a funcionar, tendo em conta que o Hospital Geral recebe pacientes vindos de todos os municípios da província.
Referiu que, apesar de alguns equipamentos ainda não estarem a funcionar, o Hospital Geral do Cuando Cubango não tem relatos de avarias nos meios instalados, porém apelou ao Executivo central para a contratação urgente de profissionais, para que os equipamentos não estejam paralisados por muito tempo e culminar com a sua degradação.
Elsa Calenga apontou a falta de recursos humanos como a maior dificuldade que o hospital enfrenta. Acrescentou que o hospital não tem medicamentos e materiais gastáveis suficientes, mas ainda assim têm feito um grande esforço para que não faltem os fármacos essenciais.

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