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Sector da Educação na região necessita de mais professores

Carlos Paulino | Menongue

A Direcção Provincial do Cuando Cubango da Educação, Ciências e Tecnologia necessita, para o ano lectivo de 2018, de pelo menos 2.500 professores, com vista a inserir cerca de 40 mil crianças que se encontram fora do sistema de ensino e reforçar algumas escolas, onde os docentes são obrigados a leccionar mais de duas disciplinas.

Várias acções formativas têm sido realizadas para melhorar o processo de ensino e aprendizagem
Fotografia: Edições Novembro |

O director provincial da Educação, Ciências e Tecnologia, Miguel Kanhime, disse que a escassez de professores tem contribuído negativamente para que, a cada ano que passa, o número de alunos matriculados a nível da província do Cuando Cubango diminua.
 Recordou que isto deve-se também ao facto de a província estar há mais de cinco anos sem o recrutamento de novos professores. Acrescentou que outro motivo prende-se ao facto de muitos docentes irem para a reforma, outros abandonarem o sector da educação em busca de melhores condições salariais e ainda alguns que foram desactivados da folha salarial por dupla efectividade na função pública.   
 “Isto fez com que diminuíssemos significativamente o número de alunos matriculados a nível da província do Cuando Cubango, tendo em vista que anteriormente contávamos com cinco mil professores e hoje controlamos apenas 4.300 docentes”, disse.
 Miguel Kanhime referiu que no ano lectivo 2013 fo­ram matriculados mais de 195 mil alunos da iniciação à 12ª classe, sendo que este número começou a registar uma redução por falta de professores e que agora a cifra está em cerca de 185 mil estudantes.
 Realçou que se a situação não melhorar nos próximos dias o número de alunos matriculados vai reduzir ainda mais e vai se verificar um aumento gradual de crianças fora do sistema de ensino e aprendizagem.
 O director provincial da Educação, Ciências e Tecnologia sublinhou que neste momento o Instituto Médio de Saúde (IMS) e o Instituto Médio Agrário do Missombo (IMA) são os estabelecimentos escolares que mais registam escassez de professores, o que tem condicionado a abertura de novos cursos e fazendo com que algumas disciplinas não sejam leccionadas. 
 Frisou que para o normal funcionamento das duas unidades escolares mencionadas precisa-se de mais de 500 professores, tendo em vista que as mesmas funcionam na sua maioria com docentes colaboradores.
 
Processo de alfabetização
Miguel Kanhime disse que no capítulo do processo de alfabetização e aceleração escolar, a província do Cuando Cubango está muito bem, tendo em vista que nos últimos três anos foram alfabetizados mais de 30 mil cidadãos.
 Salientou que, segundo o censo geral da população realizado em 2014, existiam na província cerca de 100 mil cidadãos por alfabetizar, 40 mil dos quais já sabem ler e escrever.
 Acrescentou que, segundo informações do Ministério da Educação e dos parceiros cubanos que apoiam o processo de alfabetização, o Cuando Cubango foi considerado como a província do país que cumpriu a meta deste programa em 2017, tendo em conta  que houve o registo de muitas localidades livres do analfabetismo.
 Em função da falta de recursos financeiros para o recrutamento de alfabetizadores e facilitadores do programa de alfabetização “Sim Eu Posso”, criou-se uma dinâmica de se trabalhar com os estudantes universitários e do ensino médio, bem como parceiros sociais, como militantes da JMPLA, da OMA, efectivos das Forças Armadas Angolanas (FAA) e da Polícia Nacional.
 Salientou que os estudantes e os militantes da JMPLA e da OMA trabalharam nos bairros onde vivem, ao passo que os efectivos das FAA e da Polícia Nacional leccionaram nas suas unidades militares.  
 “Se continuarmos com este ritmo, num prazo de cinco anos vamos conseguir alfabetizar cerca de 70 ou 60 mil cidadãos que faltam por ser alfabetizados na região”, disse Miguel Kanhime.

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