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“Sobas sem povo” com os dias contados

Lourenço Bule | Menongue

A Associação Angolana das Autoridades Tradicionais (ASSAT) está a definir estratégias que visam combater, em todo o país, a situação de “sobas sem povo”, que normalmente são escolhidos entre pequenos aglomerados populacionais ou familiares, para se beneficiarem do subsídio pago pelo Estado.

Vice-presidente da Associação das Autoridades Tradicionais
Fotografia: Edições Novembro

Durante um encontro que elegeu o núcleo local da ASSAT no Cuando Cubango, o vice-presidente da referida agremiação, Miguel Matias, explicou que actualmente, em vários pontos do país, com realce no meio rural, muitas famílias estão a desintegrar-se das suas aldeias para criarem pequenos aglomerados de pessoas, onde escolhem um mais velho como soba, para que possam receber apoio do Governo.

“Este fenómeno tem os dias contados”, alertou o vice presidente da ASSAT, acrescentando que os sobas não devem preocupar-se muito com a questão dos subsídios mas assumirem o papel de orientadores das populações e servirem de elo de ligação com as autoridades administrativas dos seus municípios para transmitirem os problemas que afligem as comunidades.
Citou, como exemplo, as próximas eleições autárquicas, onde os sobas deverão exercer um papel fundamental e cooperar com as autoridades na escolha dos candidatos às autarquias.
“É um trabalho sério, que deve ser conduzido por pessoas igualmente sérias e não por elementos preocupados apenas com o seu bem-estar”, enfatizou.
Miguel Matias salientou que as autoridades tradicionais devem ser conhecedoras da História, hábitos e costumes dos seus povos, ser incorruptíveis, combatendo todas as práticas e comportamentos negativos que enfermam a sociedade.
Disse que a ASSAT tem, ainda, como pretensões trabalhar para acabar com o surgimento de novos agregados populacionais, valorizar os bairros históricos já existentes, bem como cuidar da figura dos líderes tradicionais, de acordo a realidade de cada região.
Miguel Matias apelou às autoridades presentes no encontro a juntarem-se ao esforço do Governo na implementação das eleições autárquicas, em 2020, visto que tal desiderato vai contribuir de forma significativa para o desenvolvimento de todos os municípios do país.
A vice-governadora do Cuando Cubango para o Sector Económico, Político e Social, Sara Luísa Mateus, apelou às autoridades tradicionais a participarem no grande desafio de combate à corrupção e nepotismo, denunciando todas as práticas, para o desencorajamento e responsabilização criminal dos transgressores.
Explicou que o país executa um conjunto de reformas nos métodos de governação, com o combate cerrado à corrupção, nepotismo, bajulação, entre outros males que enfermam a sociedade.
Disse que as autoridades tradicionais devem continuar a desempenhar o papel de vigilantes das comunidades, para se evitar invasões de indivíduos estranhos e ilegais no território nacional.
Sara Mateus salientou que o papel exercido pelas autoridades tradicionais é fundamental no que concerne à restituição da justiça perante casos que acontecem nas comunidades e que são solucionados através da sapiência e maturidade das mesmas.
“O Governo Provimncial vai continuar a contar com o apoio dos líderes tradicionais, como fiéis parceiros, apresentando propostas concretas para a resolução dos problemas das comunidades e participar em todas as acções que visam promover a justiça social e o resgate dos valores morais, para o desenvolvimento sustentável e melhoria das condições de vida das populações”, disse.
Sara Mateus acrescentou que as autoridades tradicionais continuam, por mérito pró-prio, a jogar um papel digno de reconhecimento nas variadas esferas sociais, fazendo o acompanhamento da implementação de projectos voltados para o bem-estar da sociedade e apontando soluções para vários problemas.

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