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Suspensa a produção de próteses e órteses

Weza Pascoal | Menongue

O centro ortopédico de Menongue, o único da província do Cuando Cubango, suspendeu a produção de próteses e órteses, desde princípios do corrente ano, por falta de pés protéticos e alinhamentos, principais componentes para o fabrico de próteses, segundo o seu administrador.

 

José Moisés Tchissengue, entrevistado ontem pelo Jornal de Angola, disse que o centro tem um stock razoável de gesso, cola e polipropileno, mas, devido à falta de pés protéticos e alinhamentos (osso artificial do membro inferior), não é possível o fabrico de próteses, situação que tem vindo a se agravar desde que a cota financeira destinada a estes serviços passou a ser gerida pelos governos provinciais.
Explicou que quando dependia do Programa Nacional de Reabilitação Física, os equipamentos chegavam em tempo oportuno, mas agora as verbas demoram para serem desbloqueadas e, como resultado, o centro está a encontrar dificuldades para atender as dezenas de pacientes que diariamente procuram assistência médica no local.
“Em 2012 o centro teve um convénio com a Fundação Lwini, através da organização não governamental Irlandesa “OK-PROSTHETICS”, que permitiu fazer a distribuição de 150 próteses nos municípios de Menongue e Mavinga, mas, desde então, já não recebeu qualquer doação e como resultado os assistidos estão a passar por graves dificuldades, porque as anteriores próteses e muletas canadianas precisam de ser substituídas.
Fez saber que, devido à escassez de material para o fabrico de próteses, os técnicos do centro ortopédico limitam-se apenas a fazer pequenas reparações, segundo o grau de degradação do equipamento, bem como a ministrar aulas de fisioterapia aos pacientes diagnosticados para o efeito.

Novo centro

José Moisés Tchissengue lamentou o estado de abandono em que se encontra o novo centro ortopédico de Menongue, construído de raiz pelo governo da província, mas que, por falta dos equipamentos, ainda não foi inaugurado e, em consequência das chuvas, o edifício está a degradar-se e partes do tecto desabaram.
O novo edifício conta com uma enfermaria, com capacidade para 56 camas, uma sala de mecanoterapia, uma de electroterapia, refeitório, cozinha, uma sala de reuniões, cinco gabinetes para área administrativa, faltando apenas o material técnico e recursos humanos especializados para a sua abertura.
Acrescentou que a referida unidade sanitária necessita urgentemente da intervenção das autoridades competentes, para se evitar a sua degradação total, apetrechando os diferentes serviços com tecnologia moderna, até porque o edifício onde trabalham actualmente já não oferece condições boas para assistência e acomodação dos pacientes.
Salientou que no ano passado a área de ortoprotesia do referido centro produziu 138 muletas, 67 próteses tibiais, 56 órteses, 32 próteses femorais e seis corchetes. Fez igualmente a reparação de 894 próteses tibiais, 462 próteses femorais, 82 órteses, 42 muletas e 15 corchetes.
No capítulo da fisioterapia foram assistidos 3.335 pacientes, dos quais 1.558 com lombalgias, 1.175 por lesões traumáticas, 524 com sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC), 58 por diabetes mielites tipo II, 12 por traumatismo pós-parto e oito com paralisia cerebral infantil.
Em 2014, acrescentou, foram observados 4.034 pacientes, 90 amputados femorais, 138 tibiais, 3.022 actos de fisioterapia, 121 deformações articulares.

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