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Trabalho infantil no Kuando-Kubango preocupa Instituto Nacional da Criança

Carlos Paulino

A directora provincial do Kuando Kubango do Instituto Nacional da Criança (INAC), Aida Rosalina Pedro, mostrou-se ontem, na cidade de Menongue, preocupada com o aumento de casos de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil informal e doméstico na região.

Os pais e encarregados de educação preferem mandar os filhos para o campo
Fotografia: DR

A directora provincial do Kuando Kubango do Instituto Nacional da Criança (INAC), Aida Rosalina Pedro, mostrou-se ontem, na cidade de Menongue, preocupada com o aumento de casos de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil informal e doméstico na região.
A responsável afirmou que é frequente verem-se dezenas de crianças e adolescentes a venderem nos mercados paralelos e nas ruas aa cidade de Menongue, assim como outras que são obrigadas pelos pais a trabalhar nas lavras ou a pastarem o gado.
Por causa destas situações, o índice de absentismo escolar tem aumentado consideravelmente, uma vez que estes menores são obrigados a dedicar mais tempo às referidas actividades, em detrimento das aulas.
Aida Rosalina Pedro salientou que muitas crianças contactadas pelo INAC nos mercados paralelos e ruas da cidade a vender produtos diversos alegaram a falta de condições financeiras em suas casas, por isso recorrem a este tipo de actividade para conseguir dinheiro com vista à aquisição de material didáctico. Para inverter a situação, a directora provincial do INAC defendeu a materialização de políticas de prevenção e de erradicação do trabalho infantil, reforçando paralelamente a protecção de crianças e adolescentes. A responsável considerou a entrada em vigor da nova lei contra a violência doméstica, aprovada pela Assembleia Nacional, como uma mais-valia para dar resposta a este mal, que tem ganho contornos alarmantes a nível da província.
“Os riscos do trabalho infantil são patentes na saúde e na educação, tendo em vista que muitas crianças e adolescentes têm que abandonar a escola e ir para as ruas e mercados paralelos, onde muitas vezes se perdem no mundo da droga e da prostituição, comprometendo, desta maneira, o seu futuro”, sublinhou.
Face à situação, Aida Rosalina Pedro disse que o INAC vai intensificar as campanhas de sensibilização e realização de palestras nos mercados paralelos, nas escolas e igrejas, bem como os debates radiofónicos, com vista a mudar a mentalidade de muitos pais e encarregados de educação, os principais responsáveis do trabalho infantil. A directora do INAC apontou a falta de meios de transportes como uma das principais dificuldades que a sua instituição enfrenta a nível da região para levar adiante a sua missão de proteger e garantir os direitos da criança.

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