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Transportes públicos parados por falta de acessórios

Lourenço Bule | Menongue

Pelo menos, 114 autocarros de marca Bluebird e quatro viaturas de marca Volkswagem, distribuídos em 2012 a operadores privados, para reforçar os transportes públicos, encontram-se fora de circulação há cerca de três anos, por falta de peças de reposição para a manutenção e superação de avarias,

Maior parte dos autocarros que asseguravam o transporte de passageiros na província está inoperante por falta de peças para manutenção
Fotografia: Paulo Mulaza

afirmou ontem, em Menongue, a directora provincial dos Transportes, Telecomunicações e Tecnologias de Informação.
Maria de Fátima Carlos explicou que, entre 2009 e 2012, a província foi contemplada com 114 autocarros de marca Bluebird e 22 viaturas ligeiras Volkswagen Polo, mas hoje nenhum destes meios está ao serviço público, devido ao mau uso dos mesmos.
Realçou que as viaturas foram distribuídas a 14 empresas privadas e a pessoas singulares e permitiram gerar 123 postos de trabalho directos, mas, face à inoperância dos veículos, as empresas faliram e mais de 70 indivíduos perderam o emprego.
Acrescentou que algumas empresas que geriam os autocarros fizeram recurso à Abamat, que é a representante destes veículos no país, para aquisição de sobressalentes, mas sem êxito, porque, devido à actual conjuntura económica do país, a mesma está sem capacidade de resposta para satisfazer à procura.
Enquanto esta situação se mantém, disse Maria de Fátima Carlos, o transporte de passageiros na zona urbana e fora dela está a ser processado pelos taxistas e por mototaxistas, que, apesar de estarem a facilitar a vida dos cidadãos, também têm provocado muitos acidentes, devido à imprudência na condução e, às vezes, ao estado de embriaguez, o que preocupa as autoridades locais.

 Transporte fluvial

Maria de Fátima Carlos disse que, em 2012, o Ministério dos Transportes cedeu 11 embarcações para a deslocação de passageiros, nos rios navegáveis da província, nomeadamente Cuando, Cubango e Cuito.
Realçou que os meios foram repartidos a nível das localidades do Cuangar, com quatro embarcações, três para o Calai, Cuito Cuanavale com duas e Caiundo e Nancova com uma cada. De acordo com a responsável, com a entrada em funcionamento da ponte flutuante ao longo do rio Cubango, ligando as regiões do Rundu (Namíbia) e Calai (Angola), surgiu a necessidade de mover-se duas das três embarcações que trabalhavam para o transporte de pessoas e bens nas referidas localidades, para o Dirico e Mucusso, com uma cada.
Sem avançar o grau de execução das obras de abertura do canal fluvial entre as localidades do Rivungo (Angola) e de Shangombo (Zâmbia), Maria de Fátima Carlos sublinhou que ainda este ano estarão concluídas, permitindo assim uma maior e melhor circulação de pessoas e bens entre as duas regiões.
Para Maria Carlos, com a conclusão das obras do canal fluvial, com 30 metros de largura e três de profundidade, o reduzido tempo de viagem entre as localidades do Rivungo e de Shangombo vai permitir o desenvolvimento sustentável entre as duas regiões e garantir uma maior fluidez na circulação de pessoas e bens.
O canal fluvial, que está a ser aberto numa zona pantanosa do rio Cuando, custou aos cofres do Estado mais de 5,7 mil milhões de kwanzas, uma verba que, além das infra-estruturas de apoio, permitiu também a compra de dois barcos de 30 lugares cada e uma jangada de 60 toneladas, para o transporte de mercadorias diversas.
A directora provincial dos Transportes, Telecomunicações e Tecnologias de Informação disse que os habitantes do município do Rivungo recorrem como alternativa à localidade zambiana de Shangombo, para onde se deslocam em canoas precárias, para aquisição de alimentos, entre outros bens, e à procura de outros serviços, visto que, por falta de estradas, a região vive quase isolada do resto da província.
 
Operadoras móveis


Maria de Fátima Carlos realçou que, a nível do Cuando Cubango, a rede de telefonia móvel da operadora Unitel está instalada em todas as sedes municipais e em algumas comunas da província, ao passo que a Movicel funciona apenas na cidade de Menongue.
Acrescentou que a maior dificuldade de comunicação está nos municípios da orla fronteiriça, nomeadamente Calai, Cuangar, Dirico e Rivungo, que, devido às circunstâncias, optam pelos serviços de telefonia das vizinhas Repúblicas da Namíbia e da Zâmbia.
“Já escrevemos para as direcções regionais da Unitel e Movicel, com o intuito de se ultrapassar estas inquietações, mas, até agora, não temos um resultado positivo para a expansão dos serviços na região”, disse Maria Carlos, para quem a intenção do Governo é permitir à população comunicar-se com a família e/ou amigos onde quer que estejam.

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