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Unidades sanitárias especiais construídas na região

Carlos Paulino | Menongue

A província do Cuando Cubango vai contar, nos próximos dois anos, com três unidades sanitárias específicas para o combate à malária, ao longo da fronteira entre esta região do sudeste de Angola e a Namíbia, anunciou, em Menongue, o chefe de departamento provincial da Saúde Pública e Controlo de Endemias.

População local é aconselhada a procurar as unidades sanitárias logo após os primeiros sintomas da doença e a evitar a automedicação
Fotografia: Maria Augusta

Ntima Mandawele disse que neste momento uma equipa técnica do Ministério da Saúde está a trabalhar nos municípios de Cuangar, Calai e Dirico, que partilham com a Namíbia uma fronteira terrestre e fluvial de 700 quilómetros.
O responsável provincial da Saúde explicou que a missão consiste essencialmente na identificação dos principais focos de reprodução do mosquito transmissor do paludismo, número de mortes e pessoas infectadas nos anos anteriores até à data presente, dados que servirão de linha de orientação para a instalação das unidades sanitárias, no quadro do projecto denominado Eliminação 8 (E8), que tem como objectivo acabar com a malária no continente africano.
Explicou que o E8 é uma iniciativa regional entre oito países africanos, designadamente África do Sul, Angola, Botswana, Moçambique, Namíbia, Suazilândia, Zâmbia e Zimbabwe, que tem como objectivo fundamental o combate cerrado até à erradicação do paludismo nestes espaços.
Ntima Mandawele disse que no caso concreto de Angola foi escolhida a fronteira com a Namíbia e a Zâmbia, ao longo da qual serão construídas sete unidades sanitárias, sendo três previstas no Cuando Cubango e quatro outras em território do Cunene e Moxico, e que, dependendo dos resultados alcançados, o projecto poderá evoluir para outras províncias fronteiriças. 
Realçou que constitui um elemento chave da estratégia do E8 o melhoramento no acesso aos serviços de saúde, identificação e gestão de casos de malária nas zonas fronteiriças, testagem e tratamento adequado da doença, através da criação de novas unidades sanitárias de referência ou específicas.  “É necessária a realização prévia de uma avaliação para se obter informações concretas sobre os locais ideais para a colocação das novas unidades sanitárias nos postos fronteiriços ou ao longo da fronteira comum entre Angola e a Namíbia”, disse.
Esta avaliação, acrescentou, prevê também a utilização de métodos qualitativos como recolha de informações e interacção com as comunidades, programas que contemplem entrevistas, discussões em grupos focais, questionários ao pessoal de saúde, agentes comunitários, autoridades tradicionais, efectivos do Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) e responsáveis de organizações não-governamentais (ONG).
Sublinhou que as infra-estruturas hospitalares a serem construídas vão ser financiadas a partir de uma subvenção concedida pelo Fundo Global para o combate à sida, tuberculose e malária.

Redução de casos 


O chefe de departamento provincial da Saúde Pública e Controlo de Endemias salientou que nos últimos tempos a província do Cuando Cubango tem registado uma diminuição considerável de casos de malária, fruto do reforço das campanhas de sensibilização à população sobre o combate da doença.
Durante o ano de 2015, acrescentou, o departamento provincial da Saúde Pública e Controlo de Endemias registou a nível da província 55.486 casos confirmados de malária, que provocaram a morte de 203 pessoas. Comparativamente ao ano de 2014, houve uma redução de 108.789 casos e 72 óbitos.
Ntima Mandawele anunciou que, para reduzir ainda mais os casos de malária na região, as autoridades sanitárias vão dar início, nos próximos dias, a uma intensa campanha de sensibilização porta-a-porta, denominada “Informação, educação e comunicação” (IEC), sobretudo nas zonas suburbanas e rurais. 

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