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Vacinação de bovinos previne a febre aftosa

Lourenço Bule | Menongue

Mais de 350 cabeças de gado bovino foram vacinadas contra o surto epidémico da febre aftosa, entre os meses de Setembro e Dezembro do ano passado, na província do Cuando Cubango, revelou ontem, em Menongue, o chefe da secção técnica dos Serviços de Veterinária.

Está prevista uma nova campanha de vacinação de gado bovino ainda no primeiro trimestre deste ano no Cuando Cubango
Fotografia: Nicolau Vasco | Cuando Cubango

Benedito Tximalha Isaac referiu que os animais foram vacinados para prevevir o surto que atingiu algumas localidades do Cuando Cubango e do Cunene, que fazem fronteira com a Namíbia, principal foco da febre aftosa.
O responsável salientou que, em Maio do ano passado, um surto de febre aftosa afectou com gravidade os criadores da República da Namíbia e, até Setembro, a doença alastrou-se para as províncias do Cuando Cubango e Cunene. Em função daquela situação, o Executivo gizou um plano de acção com vista a travar a propagação do vírus.
O chefe de secção avançou que foram vacinadas mais de 36 mil cabeças de gado bovino a nível da localidade de Olupale, no Cuangar, zona que faz fronteira com a região namibiana de Okongo, onde circulam cerca de 600 mil da referida espécie animal, sendo que boa parte destes entra em território angolano em busca de pasto.
Benedito Isaac disse que os restantes animais foram vacinados na província do Cunene e na República da Namíbia, por se tratar de uma campanha conjunta que permitiu controlar, nesta fase, o surto epidémico da febre aftosa.
Para o Cuando Cubango, o Serviço Nacional de Veterinária disponibilizou cinco mil doses de vacinas e criou duas equipas, que vacinaram 19.505 animais, na primeira fase, enquanto outras 16.661 cabeças de gado foram imunizadas na fase seguinte.
Salientou que, apesar do número elevado de animais infectados, não houve relato de casos de mortes de animais pelo vírus da febre aftosa, nem relatos de casos da doença a nível do Cuando Cubango.
Benedito Isaac disse que durante a campanha, a instituição enfrentou algumas dificuldades relacionadas com número reduzido de técnicos especializados, falta de meios de transportes e de mangas de vacinação.
O chefe de secção lamentou o facto de a nível do Cuando Cubango existirem apenas duas mangas de vacinação, insuficientes para fazer face às campanhas realizadas na região. Realçou que, apesar das dificuldades encontradas para a materialização da campanha, as equipas de fiscalização e de monitoria dos serviços veterinários contaram com o apoio das Forças Armadas Angolanas (FAA), Polícia Nacional, autoridades tradicionais e dos próprios munícipes, no controlo e acompanhamento do gado.

Nova campanha

Embora não se registem novos casos no Cuando Cubango, o responsável acrescentou que dentro deste primeiro trimestre do corrente ano, as equipas de vacinação voltam ao terreno, para fazerem uma prospecção entre os animais, incluindo de outras regiões da província e determinar eventuais novos casos. Benedito Isaac realçou que a febre aftosa é bastante contagiosa e susceptível de atacar todos os tipos de animais, incluindo os seres humanos no caso de consumirem carne contaminada. A mesma se manifesta com o surgimento de manchas na pele.
O chefe de secção referiu que a nível do Cuando Cubango não existe nenhum matadouro especializado, nem condições higiénicas e sanitárias aceitáveis para o abate de cabeças de gado.
Esta situação tem obrigado os técnicos dos serviços veterinários a redobrarem a vigilância sobre os comerciantes de carne. Apesar disso, salientou que muitos trabalham na clandestinidade. Realçou que por falta de meios técnicos e recursos, têm encontrado várias dificuldades para percorrer estes locais para os devidos controlos de qualidade dos animais a serem abatidos e da carne a ser comercializada, para que chegue com propriedade nas mãos do consumidor.

Vacina contra raiva

Benedito Isaac disse que o departamento provincial dos Serviços Veterinários vacinou, no ano transacto, um total de 2.069 animais contra a raiva.
No mesmo período, a instituição apontou 450 casos de mordeduras por animais vadios, mas sem registos de vítimas mortais.
Referiu que o número de vacinas de animais contra a raiva abrange só o município de Menongue, onde 2.065 são caninos e quatro macacos.
Explicou que a sua instituição está a envidar esforços junto do governo da província, com vista a estender as campanhas de vacinação contra a raiva em todo o território do Cuando Cubango.
Acrescentou que o arranque do programa de vacinação contra a raiva não tem data prevista, por falta de vacinas.
De acordo com o responsável, a vacina contra a raiva é uma medida mais eficaz, vantajosa e económica, para a prevenção da enfermidade, que o tratamento da pessoa mordida por um canino, símio (macaco) ou felino (gato) doente.
Fez saber que a raiva é uma doença infecciosa aguda de proveniência idiopática, com um período de incubação de sete dias, apresentando-se nos animais mamíferos de forma furiosa, muda e atípica.

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