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Zonas rurais reforçadas com mais 62 professores

Weza Pascoal | Menongue

A província do Cuando Cubango conta com mais 62 professores do ensino primário, formados pelo Magistério da Organização-Não Governamental Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo, para reforçar o processo de ensino nas zonas rurais.

Objectivo das autoridades é baixar as taxas de analfabetismo em todas as comunidades
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro

Os novos professores, colocados na terça-feira à disposição do mercado de trabalho, foram habilitados em matérias de educação moderna dirigida às comunidades rurais.
No primeiro ano de formação, os finalistas viajaram de autocarro por algumas localidades recônditas dos municípios de Menongue, Cuito Cuanavale e Cuchi (Cuando Cubango) e Chitembo (Bié), tendo em conta que, devido à actual crise económica e financeira, não foi possível   realizarem viagens internacionais, a exemplo dos anos anteriores.
Durante o segundo ano, designado como “O ano de um outro tipo de escola”, destacaram-se as aulas práticas, nas quais tiveram o primeiro contacto com alunos de escolas primárias.
No terceiro e último ano de formação, “O ano de um outro tipo de professor”, começaram a assumir total responsabilidade das turmas, ministrando aulas de segunda a sexta-feira.
Segundo o director local da ADPP, Walter Alexandre, os finalistas trabalharam em 21 escolas da província do Cuando Cubango e do Bié, abrangendo 1.947 crianças que se encontravam fora do sistema de ensino.
Walter Alexandre pediu ao Governo da província  a conclusão das obras do Magistério da ADPP no Cuando Cubango, para ser possível formar mais jovens oriundos dos nove municípios da província. Desde 2013, a ADPP já formou 280 professores na região.
Para o presente ano lectivo, a ADPP no Cuando Cubango tem disponíveis 75 vagas para o ingresso de novos alunos. A instituição conta com oito salas de aula e 16 professores.
A representante da ADPP em Angola, Karen Hesselberg, disse que a cerimónia de graduação dos finalistas-2018 constitui um grande ganho para o Ministério da Educação e sua instituição, tendo em conta que, com os 62 jovens recém-formados no Cuando Cubango, são 1.010 jovens finalistas em todo o país.
Karen Hesselberg acrescentou que os 1.010 jovens formados em todo o país asseguram o ensino de mais de 40 mil crianças e implementaram microprojectos, com o objectivo de promover o desenvolvimento das comunidades, nas áreas da saúde, educação, ambiente, segurança alimentar e crescimento económico.
Karen Hesselberg informou que Angola conta com o apoio da ADPP desde 1995 e que a ONG já formou 11.764 professores rurais em todo o país. Karen Hesselberg disse que 14 províncias do país contam com Magistérios da ADPP, nomeadamente Luanda, Benguela, Bengo, Cabinda, Malanje, Lunda-Sul, Cuanza-Sul, Cuanza-Norte, Huambo, Bié, Cuando Cubango, Uíge, Zaire e Cunene, faltando Moxico, Huíla, Lunda-Norte e Namibe. Karen Hesselberg explicou que a formação tem um total de 6.660 horas, distribuídas por 37 disciplinas de grande importância para o professor primário.
Governador garante apoio
O governador do Cuando Cubango, Pedro Mutindi, disse que o Governo da província vai trabalhar no sentido de dar continuidade às obras do Magistério da ADPP, paralisadas desde Dezembro de 2014.
Segundo Pedro Mutindi, desde a implementação na região, a escola tem sido determinante na formação de professores primários, com vocação para trabalharem em zonas rurais, com as autoridades tradicionais, pais e encarregados de educação, agricultores, juventude, comerciantes, administrações municipais e comunais, com o objectivo de ajudar no desenvolvimento das localidades em que forem inseridos.
Pedro Mutindi reconheceu o papel importante que a ADPP desempenha na formação dos professores, uma vez que no Cuando Cubango, fruto da inacessibilidade de algumas zonas, ainda é notória, em algumas áreas, a existência de elevadas taxas de analfabetismo.

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