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Abastecimento de água chega às aldeias

Manuel Fontoura | Ndalatando

O programa “Água para Todos” melhorou este ano a vida das populações do Kwanza-Norte, elevando para aproximadamente 200 mil o número de pessoas com acesso directo à água potável com a instalação de sistemas no Mussabo, Tango, Luinga (Ambaca) e Samba-Caju.

Número de beneficiários aumenta a cada ano
Fotografia: Nilo Mateus

 

O programa “Água para Todos” melhorou este ano a vida das populações do Kwanza-Norte, elevando para aproximadamente 200 mil o número de pessoas com acesso directo à água potável com a instalação de sistemas no Mussabo, Tango, Luinga (Ambaca) e Samba-Caju.
A par destas localidades, todas as vilas municipais da província já possuem água potável a jorrar nas torneiras, bem como a maioria das comunas e aldeias da província dispõem igualmente de novos sistemas de abastecimento e tratamento de água.
Os habitantes da cidade de Ndalatando já respiram de alívio, agora que está concluído o novo sistema de captação e distribuição de água, entretanto erguidona área, identificado na década de oitenta na represa do rio Mucari, localizada a 17 quilómetros a Leste da cidade. O sistema tem capacidade para bombear 90 litros por segundo.
As obras incluíram duas fases: a primeira teve a ver com a captação e tratamento da água e consequente acumulação nos reservatórios. Tais trabalhos terminaram em Março de 2009. A segunda fase consistiu na reabilitação da captação a partir do Mucari e terminou com a distribuição às residências.
A cargo da empresa chinesa Sino-Hydro, os trabalhos envolveram a reabilitação de 7,5 quilómetros de tubagem em “PVC” e ferragem para adução de 9,3 quilómetros, para além da nova captação, conduta adutora e estação de tratamento.
Foi igualmente construído um reservatório de distribuição semi-enterrado, com capacidade para cinco mil metros cúbicos de água, e concluída a rede geral de distribuição. O governo gastou 10 milhões e 350 mil dólares.
Com a conclusão do segundo lote do projecto, que consistiu na distribuição de água ao domicílio, bem como da construção de 93 fontenários nas zonas suburbanas, os habitantes sentem-se agora mais folgados.
Esta empreitada esteve a cargo da empresa “Abrantina Construtora”, e custou aos cofres do Estado oito milhões, 414 mil e 793 mil dólares. Actualmente, com mais de 150 habitantes, para além da nova conduta adutora do rio Mucari, Ndalatando possui mais duas condutas erguidas na década de 50, sendo uma de água mineral, a partir da fonte da “Santa Isabel”, e outra do “Monte Redondo”, que produzem cinco e 20 litros por segundo, respectivamente.

População aplaude

Anteriormente, com a escassez que se fazia sentir um pouco por toda a cidade e arredores, era possível assistir a distribuição da água a ser feita por camiões cisternas adquiridos pelo Governo da província do Kwanza-Norte, visando atenuar a carência no fornecimento do referido líquido às populações, contribuindo também para a prevenção de doenças causadas pelo consumo de água imprópria.
As cisternas circulavam todos os dias nas redondezas dos bairros Ndalatando, 28 de Agosto, 11 de Novembro, dentre outros. Apesar disso registavam-se grandes alvoroços para cada pessoa conseguir encher o seu recipiente, dado o pouco tempo que as viaturas, insuficientes para a demanda, permaneciam nessas zonas.
Actualmente, com a água a jorrar nas torneiras das ruas da cidade, bem como dos fontenários espalhados pelos bairros periféricos, é já notável a satisfação das populações que há muito almejavam este benefício.
A reportagem do Jornal de Angola ouviu alguns beneficiários, os quais congratularam-se com o esforço feito para a melhoria do abastecimento de água, tendo alguns deles solicitado o reforço do trabalho realizado no tocante às ligações domiciliares, uma vez que as novas canalizações fixam-se apenas até aos contadores de cada residência.
A senhora Constância Francisco, moradora há mais de 10 anos no bairro Sambizanga, referiu que a sua família deixou agora de percorrer longas distâncias para conseguir água, tendo sugerido um aumento do número de fontenários no seu bairro, para poder diminuir o fluxo de pessoas.
“Estamos muito contentes, é um passo bastante louvável. Nós desde sempre consumimos água das cacimbas. Tínhamos de andar longas distâncias para conseguir boa água, agora já não, só pedimos que acrescentem mais fontenários para nos ajudar, porque devido às enchentes a confusão também aumenta. Somos muitos e a água é pouca”, referiu.
Por outro lado, Helena Zamuna, doméstica e moradora na rua da emissora há mais de 30 anos, frisa que o número de cidadãos na cidade cresce todos os dias, pois a procura do precioso líquido era uma das maiores dores de cabeça na circunscrição. Salienta que o novo sistema que todos os dias leva a água à comunidade tranquiliza de que maneira os moradores da área. Aumentaram os níveis de oferta e diminuiu a procura.

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