Províncias

Abate indiscriminado de árvores preocupa ecologistas

André Brandão | Ndalatando

O abate indiscriminado de árvores para feitura de carvão, a caça furtiva e a falta de saneamento básico em alguns bairros da periferia de Ndalatando, província do Kwanza-Norte, preocupa em grande medida a direcção provincial do Ordenamento do Território, Urbanismo e Ambiente, o Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF), ambientalistas e empresas de recolha de lixo.

Corte de forma desregrada de árvores para vários fins está a prejudicar em grande escala a flora situação que preocupa ambientalistas da região
Fotografia: Nilo Mateus|Ndalatando

O abate indiscriminado de árvores para feitura de carvão, a caça furtiva e a falta de saneamento básico em alguns bairros da periferia de Ndalatando, província do Kwanza-Norte, preocupa em grande medida a direcção provincial do Ordenamento do Território, Urbanismo e Ambiente, o Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF), ambientalistas e empresas de recolha de lixo.
O chefe de departamento da direcção provincial, Gaspar Barros, considerou grave a situação ambiental na província, e em particular em Ndalatando, devido ao constante aumento do número de árvores que são abatidas indiscriminadamente para a feitura de carvão. Além disso, classificou de preocupante o nível crescente e desordenado de caçadores furtivos, que todos os dias vendem animais de todas as espécies em quase todo o território da província, uma prática que se tornou comum para a população do Kwanza-Norte, que alega ser esta a sua fonte de subsistência.
Entre os animais que são abatidos mais frequentemente inclui-se a seixa, veado, paca, javali, pacaça e muitos outros, expostos diariamente ao longo da estrada 230 e do percurso entre Ndalatando, Golungo Alto, Lucala e Samba Cajú.
Gaspar Barro referiu que, apesar das florestas do Kwanza-Norte serem maltratadas com a devastação de árvores, ainda assim a província possui um nível ambiental estável.
Para ele, tem sido difícil controlar o índice de transgressões florestais devido ao défice de pessoal qualificado para o efeito, uma vez que o sector não possui fiscais para contrapor estas dificuldades. “Apesar desta situação, nós vamos continuar a realizar acções de sensibilização junto das comunidades, através de palestras e debates, mas que, a meu ver, não têm sido suficientes para consciencializar a população, no sentido de reduzir as acções contra as florestas”, disse.
As alegações mais constantes têm sido a procura de solos férteis para a prática de uma agricultura itinerante rentável, visto que nas áreas tradicionais os solos se apresentam, em certa medida, já cansados, daí que os detritos dos tecidos vegetais queimados ou apodrecidos garantam maior consistência de estrumes para os solos, durante um período de produção de dois anos.“É de realçar que as queimadas podem também contribuir de forma negativa para o aumento do dióxido de carbono na atmosfera, situação que pode contribuir para o aumento do aquecimento global, assim como para doenças respiratórias agudas”, referiu.
Por sua vez, o presidente da Associação Horizonte do Saber, José Jerónimo, defende a criação de mecanismos para resolver problemas ambientais, como a poluição do Rio Muembeje que atravessa a cidade, onde a população deita lixo e dejectos, apesar de ser o local onde muitos retiram a água para lavar a louça e a roupa.
O encarregado da empresa de saneamento Recolix, Paciência da Graça, referiu que tem encontrado muitas dificuldades na recolho do lixo na cidade de Ndalatando e arredores, por falta de colaboração da população, que inúmeras vezes deita o lixo para o chão.
A acrescentar a isto, era necessário haver um melhor acesso para a viatura de recolha de resíduos sólidos nos bairros Posse, Camungo e Banga, uma vez que nas circunstâncias actuais o trabalho é realizado com muitas limitações.
Paciência da Graça garante igualmente que a sua operadora tem efectivos suficientes para dar resposta às necessidades de Ndalatando na recolha do lixo, e esclareceu que este é depois depositado num aterro sanitário localizado em Carianga, cerca de sete quilómetros a Norte do centro da urbe.

Caça furtiva

O Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF) no Kwanza-Norte prevê reduzir, este ano, o índice de caça furtiva em toda a região da província, o abate incorrecto de árvores para produção de carvão vegetal e manter os níveis de produção de 15 mil plantas diversas por ano.
De acordo com o chefe de departamento da instituição é urgente baixar os níveis de caça em torno da via Trombeta/Zenza/Luanda e a feitura de carvão de forma desordenada.
 Guilherme da Costa considerou que as actividades realizadas no ano passado foram positivas, uma vez que foi construída uma escola florestalna província, instalada no município de Lucala, que está em vias de ser inaugurada, e foram produzidas 15.877 plantas diversas, o que corresponde a 132 por cento do planificado.
Com o volume de plantas produzidas e comercializadas foi possível obter 531.500 kwanzas.
De acordo com Guilherme da Costa, foram emitidas 44 licenças para carvoeiros, correspondendo a um volume de 3.972 toneladas, e 15 autorizações para madeira em toro, equivalente a 7.920 metros cúbicos.
Deste volume, os operadores económicos conseguiram produzir e pôr no mercado de Luanda e Ndalatando, 4.972 metros cúbicos de madeira em toro e 2.496 toneladas de carvão vegetal.

Tempo

Multimédia