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Agora é mais fácil ir do Golungo Alto a Ndalatando

André Brandão | Ndalatando

As autoridades e a população do município do Golungo Alto, na província do Kwanza-Norte, estão satisfeitas com o andamento das obras que estão a asfaltar, pela primeira vez, os 55 quilómetros de estrada que liga a vila sede e a capital provincial, Ndalatando, constatou a reportagem do Jornal de Angola.

Com a reparação das principais estradas de acesso a vila do Golungo Alto fica mais perto dos que a desejam conhecer
Fotografia: Nilo Mateus | Ndalatando

 As autoridades e a população do município do Golungo Alto, na província do Kwanza-Norte, estão satisfeitas com o andamento das obras que estão a asfaltar, pela primeira vez, os 55 quilómetros de estrada que liga a vila sede e a capital provincial, Ndalatando, constatou a reportagem do Jornal de Angola.
O administrador municipal do Golungo Alto, Cirilo Matias Mateus, considerou que a obra está a fazer fluir a circulação de pessoas, o transporte dos materiais de construção e o escoamento dos produtos do campo. O tempo de viagem passou de três horas para apenas 45 minutos.
O munícipe Adelino José é de opinião que o arranjo do troço vai devolver a mística ao Golungo Alto no que diz respeito à produção agrícola, turismo e produção de óleo de palma, actividades que já foram, no passado, o seu cartão de visita.
Os trabalhos da estrada encontram-se na fase de implantação da base e sub-base, alargamento da berma, terraplanagem e colocação de brita. A obra teve o seu início em meados de 2008 e é da responsabilidade da construtora Vias 21.
A par do troço Golungo-Alto-Ndalatando, também se encontra em obras a via Golungo-Alto-Zanga, numa extensão de 50 quilómetros. Aqui, os trabalhos, a cargo da empresa Imbondex, estão na fase de alargamento, desmatamento e terraplanagem.
A nível do município estão em curso outros projectos de construção e recuperação de infra-estruturas sociais e económicas, destinadas a suprir as necessidades básicas da população, designadamente a auto-sustentação e a redução da fome e da pobreza.

Combate aos mosquitos

O município conta com um hospital municipal com capacidade para 70 camas, seis postos de saúde e um centro médico. “Essas infra-estruturas são ainda insuficientes para satisfazer as necessidades de cuidados de saúde da população, pelo que se coloca a necessidade de construção de mais unidades sanitárias em algumas comunidades”, afirma o administrador municipal Cirilo Mateus.
Por ser uma área endémica em malária, o governo do Kwanza-Norte criou um programa que visa o combate à doença e ao seu agente patogénico. Está assim declarada guerra aos mosquitos do Golungo Alto, com o objectivo de diminuir os óbitos causados pela malária. Mas esta luta pela prevenção das doenças é mais ampla e inclui as que afectam as vias respiratórias. 
Cirilo Mateus apontou o défice de quadros no sector da Saúde como um dos problemas a resolver com urgência. “Existem na região três médicos e 46 enfermeiros, números claramente insuficientes para cobrir toda a extensão do município”.
No entanto, segundo ele, “os fármacos existem em quantidade suficiente para dar resposta a qualquer eventualidade das doenças mais correntes”.  
No sector da educação, são aqui ministrados o primeiro e o segundo ciclo, que albergam um total de oito mil alunos, distribuídos por 40 escolas, das quais 28 de carácter provisório e 12 definitivo. O município recebeu 70 novos professores, saídos do último concurso público realizado pelo ministério de tutela.

Mais dois tractores para lavrar a terra

A população do Golungo Alto é maioritariamente camponesa. As principais culturas são a mandioca, amendoim, café e dendém, basicamente produzidas através da agricultura familiar, destinada ao sustento nuclear. A Administração Municipal, com a intenção de facilitar e agilizar o trabalho dos camponeses, vai, nos próximos dias, proceder à aquisição de mais dois tractores.
Cirilo Mateus acredita que os novos meios vão influenciar positivamente o relançamento da agricultura. As autoridades pretendem igualmente promover uma maior diversificação das culturas locais.
Outro aspecto em que o papel de fomento do Estado vai ter repercussões prende-se com a concessão do crédito agrícola. Golungo Alto já tem os comités de pilotagem constituídos e estes vão brevemente começar a receber os processos individuais dos camponeses
Os agricultores estão apostados na revitalização da produção do óleo de palma, café e plantas frutíferas, como os marmoreiros, abacateiros, laranjeiras e limoeiros. De acordo com o administrador, o objectivo é tornar a localidade um pólo de desenvolvimento agrário.
Nas décadas de 70 e 80, o Golungo Alto foi o maior produtor do óleo amarelo na província do Kwanza-Norte. Actualmente, com o objectivo de revitalizar a sua produção, estão a ser construídas algumas fábricas artesanais de óleo de palma, a par da recuperação de fazendas desactivadas ou a funcionar a meio gás há muito tempo, devido à instabilidade provocada pela guerra. É esse o caso das fazendas Samba e Karicote. 
Quanto à produção do café, o município conta com uma máquina de descasque, que está a ser montada por técnicos do Instituto Nacional do Café (INCA), mas os cafeicultores têm-se deparado com enormes dificuldade para comercializar o bago vermelho. As entidades compradoras andam desaparecidas e a falta de escoamento do produto tem desmotivado os produtores.

Água ainda é escassa

Na área habitacional, estão em curso vários projectos. Em fase de conclusão estão as casas para quadros, oito suites para os professores, a reabilitação de sete salas e a ampliação de mais cinco na escola 19. 
A sede do Golungo Alto é, actualmente, iluminada por um grupo gerador de 500 KV, sustentado na totalidade pela administração local e foi adquirido no quadro do programa de gestão municipal. Mas o gerador é incapaz de fornecer electricidade a toda a população. 
Cirilo Mateus adiantou à equipa de reportagem do Jornal de Angola que o governo da província já apurou, através de um concurso público, qual a empresa que vai construir as linhas de transporte de média e baixa tensão da subestação eléctrica de Ndalatando para o Golungo Alto.
Também o abastecimento de água tem sido deficiente, reconhece o administrador municipal. “O sistema que serve a população da sede foi construído nos anos 50 e na altura estava projectado para um universo de quatro mil habitantes e não para os 18 mil actuais”.
A fonte de abastecimento eram duas nascentes, uma das quais secou, e embora a outra funcione de forma regular, o sistema apresenta sérios problemas na tubagem que leva a água aos quatro chafarizes da vila.
Para além destas bicas, a Administração distribui água a algumas comunidades através de camiões cisternas. Em todo o caso, a procura é muito elevada e os meios tão escassos que a satisfação das necessidades fica muito aquém do desejável. 
Cirilo Mateus garantiu, no entanto, que no âmbito do programa “Água para todos”, o governo provincial e a Secretaria de Estado para as Águas trabalham num plano director, com vista a melhor, radicalmente, o abastecimento de água potável a toda a extensão do município.
O Golungo Alto comunica com o exterior através dos sinais da TPA, Rádio Nacional e das operadoras de telemóvel Movicel e Unitel.

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