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Água corre nas torneiras de Ndalatando no próximo ano

Manuel Fontoura |Ndalatando

A população da cidade de Ndalatando só em Março do próximo ano vai contar com abastecimento de água potável ao domicílio. A inauguração do sistema estava marcado para final de Dezembro mas a data foi adiada, segundo informações prestadas pelos responsáveis do “Projecto “Mucari”.

Escavação para a passagem da tubagem que vai permitir o funcionamento do sistema de fornecimento de água potável
Fotografia: Manuel Fontoura

A população da cidade de Ndalatando só em Março do próximo ano vai contar com abastecimento de água potável ao domicílio. A inauguração do sistema estava marcado para final de Dezembro mas a data foi adiada, segundo informações prestadas pelos responsáveis do “Projecto “Mucari”.
A estação de captação e tratamento de água está localizada a 17 quilómetros de Ndalatando e quando entrar em funcionamento tem capacidade para produzir 96 litros por segundo.
O Governo Provincial está preocupado os sucessivos adiamentos da conclusão dos trabalhos e o vice-governador para Organização e Serviços Técnicos, José Alberto Kipungo, reuniu com responsáveis da empresa Abrantina Construtora encarregada dos trabalhos, para saber os motivos da demora na conclusão da empreitada.
Elaborado em 2006, o projecto começou apenas em 2008. Ficou previsto concluir a obra em 18 meses. De acordo como representante da Abrantina Construtora, Nuno Gaspar, surgiram inúmeras situações que atrasaram o projecto nem sequer faziam parte do caderno de encargos. Esses factores provocaram o adiamento.
Foi preciso construir uma passagem de nível do comboio que antes não estava prevista., As passagens na zona do rio Muembeje tiveram de ser alteradas para passagens aéreas quando estavam previstas passagens subterrâneas.
A adenda aos trabalhos a mais só foi assinada este mês de Novembro. As obras contratadas para além do projecto inicial exigem materiais que não existem no mercado  angolano. Foram importados mas só chegam a Ndalatando em Janeiro. 
“Houve situações, nomeadamente a travessia do rio Muembeje em que a conduta metálica não estava prevista no projecto. Foi um trabalho completamente novo e esperamos o resto do material apenas em Janeiro. Essa é uma das razões da prorrogação da conclusão dos trabalhos de Dezembro de 2010 para Março de 2011”, disse.
Os trabalhos estão a decorrer simultaneamente com os de uma empresa que está a asfaltar as ruas, melhorar os passeios e os esgotos. Nuno Gaspar garantiu que a sua empresa vai repor as ruas e passeios como se encontravam antes das escavações para colocar tubagens da rede de água e os esgotos das águas pluviais.

Obra bem executada

Nuno Gaspar informou que a empreitada custa 9,5 milhões de dólares ao Estado. A rede de distribuição de água ao domicílio tem mais de 42 quilómetros de tubagem, 96 fontanários e 1.600 ligações domiciliares, num total de 34 quilómetros na cidade e na área suburbana.
De acordo com o fiscal da obra, Marques Brumo, da empresa “Louis Berger Group”, a empresa aceitou a prorrogação dos trabalhos, uma vez que a construtora no devido momento apresentou os motivos dos atrasos, que depois de analisados foram aceites e foi dada uma moratória até ao fim do primeiro trimestre do próximo ano.
“Os trabalhos estão a ser bem executados e dentro das normas internacionais”, disse Marques Brumo. O representante da empresa de fiscalização informou que depois da conclusão dos trabalhos, a empresa construtora tem pelo menos mais um ano para efectuar trabalhos de operação e manutenção, para além da instrução aos técnicos locais que posteriormente vão manusear o sistema. “Caso o prazo previsto para entrega não seja cumprido, deve ser descontado diariamente um valor não acima de cinco por cento em relação ao montante do contrato”, disse.
A primeira fase do projecto consistiu na implantação do novo sistema de abastecimento de água, que incluiu a reabilitação de 7,5 quilómetros de tubagem em “PVC” e ferragem em 9,3 quilómetros, para além da nova captação, conduta adutora e estação de tratamento, que está orçada em 10,3 milhões de dólares.

Novo reservatório

Nesta fase foi igualmente construído um reservatório de distribuição semi-enterrado com capacidade de cinco mil metros cúbicos de água.
Nas regiões rurais mais distantes está a ser prestada uma atenção especial às aldeias e comunas com sistemas próprios e que servem também o regadio na agricultura. Em várias localidades estão a ser implantados sistemas de abastecimento com o apoio das Administrações Municipais e em parceria com a Direcção da Agricultura que montou pontos de apoio aos agricultores.
No âmbito do Projecto Água Para Todos, várias comunidades da província beneficiam de água potável e o programa continua com o propósito de beneficiar as restantes áreas. Os bairros considerados mais críticos em termos de distribuição de água potável, no município de Cazengo (Ndalatando), embora de forma irregular, continuam a ser abastecidos por camiões cisternas adquiridos pelo Governo Provincial, visando atenuar as carências das populações e contribuir para a prevenção de doenças causadas pelo consumo de água imprópria.

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