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Alargada rede de distribuição de energia

Manuel Fontoura | Ndalatando

O governo da província do Kwanza-Norte está empenhado em levar a energia eléctrica a todos os pontos da província, com a conclusão de vários projectos de reabilitação e expansão de redes eléctricas de média e baixa tensão actualmente em diferentes estágios de execução.

Director Joaquim Jerónimo
Fotografia: Nilo Mateus

O governo da província do Kwanza-Norte está empenhado em levar a energia eléctrica a todos os pontos da província, com a conclusão de vários projectos de reabilitação e expansão de redes eléctricas de média e baixa tensão actualmente em diferentes estágios de execução.
A direcção local de energia está a desenvolver planos directores para a reabilitação e expansão das redes de distribuição de energia eléctrica em todas as localidades da província onde haja habitantes, com prioridade para as sedes municipais, seja da rede geral ou abastecidas por fontes alternativas.
Em declarações ao Jornal de Angola, o director de Energia e Água do Kwanza-Norte, Joaquim Jerónimo, disse que Kwanza-Norte é uma província privilegiada em termos de abastecimento de energia eléctrica, visto que as duas maiores barragens do país (Capanda e Cambambe), abastecem a região numa rede consideravelmente nova.
Afirmou que a energia eléctrica na província do Kwanza-Norte já é um factor de desenvolvimento socioeconómico, com uma rede de média tensão totalmente reabilitada, sendo que a distribuição de energia domiciliar e iluminação pública da rede geral já cobre cinco dos dez municípios, dos quais Cazengo, Cambambe, Lucala, Samba-Cajú e Ambaca.

Projectos em execução

Segundo Joaquim Jerónimo, a província dispõe de vários projectos de âmbito local e central. Os principais estão em curso nas cidades de Ndalatando e Dondo. Em Ndalatando o projecto já está praticamente concluído no que se refere ao casco urbano, onde foi reparada a totalidade da rede de baixa e média tensão, distribuição e iluminação pública.
“Posso dizer que Ndalatando é uma das cidades mais iluminadas do país. Acção idêntica está a acontecer na cidade do Dondo e no Alto Fina, onde decorrem obras de reabilitação e construção de uma nova rede de baixa e média tensão, para além de uma nova rede de iluminação pública. No casco urbano do Dondo estão a ser instalados transformadores com potências de 400, 630 e dois mil KVA. A par de Ndalatando e Cambambe, o Golungo Alto também é beneficiado”, referiu.
Neste último município estão a ser reabilitadas a rede de média tensão de 30 KW, com 70 quilómetros de linha aérea, e a rede de distribuição domiciliar e iluminação pública, com a instalação de seis Postos de Transformação no centro da vila e na periferia.

Energia permanente

Joaquim Jerónimo assegura que os trabalhos de distribuição de energia eléctrica de média tensão vão garantir o fornecimento domiciliar e iluminação pública permanente, sendo que já se pode considerar como estando em fase avançada de conclusão, em função do ritmo acelerado dos trabalhos, as obras de construção da linha de transportação para o Golungo Alto.
Em Ndalatando, o Governo provincial continua a fazer os trabalhos do projecto, numa linha de 30 mil volts que circunda a cidade e que vai facilitar a  distribuição dos Postos de Transformação para o abastecimento de energia eléctrica ao casco urbano. A maior parte dos “PT do Anel” – disse - vão ser dirigidos para a periferia, com cerca de 25 postos de transformação com transformadores de várias potências.
Para a conclusão do Projecto Anel, faltam ser beneficiados os bairros Sassa, 28 de Agosto, São Filipe, e outros, enquanto os bairros Kilamba Kiaxi, Azul, Comarca, Banga, Carreira de Tiro, Estação, Embondeiros, Kipata, Tala-Hadi, Vieta, Mil e 14, Coqueiros e Hoji-ya-Henda já beneficiam de energia eléctrica.
Joaquim Jerónimo afirmou que, só na periferia da cidade de Ndalatando, pensa-se atingir mais de cinco mil consumidores e oito mil e 500 na zona urbana, tendo já de momento uma cifra aproximada de 3 mil e 600 consumidores.
Nesta altura, referiu, estão em fase avançada os trabalhos que visam as ligações domiciliares e permanentes nas localidades de Ambaca, Lucala e Samba-Caju, para além de outros projectos de distribuição de energia noutras localidades onde existe grande número de habitantes, como Massangano, São Pedro da Kilamba, Zenza do Itombe, Caxissa, Cassualala e tantas outras.
O director provincial de Energia e Águas do Kwanza-Norte disse que a maior parte das vilas municipais que ficam próximo da rede de média e alta tensão têm energia a partir da rede de distribuição da ENE. Os municípios de Samba-Cajú, Ambaca e a localidade de Pambos de Sonhe já beneficiam de energia de forma permanente a partir da subestação do Lucala, que recebe a energia de Capanda.
“As demais sedes municipais, embora beneficiem de energia de geradores, são abastecidas das 16h00 às zero horas”, disse.
Joaquim Jerónimo acrescentou que a construção de mini-hídricas pode ser um facto no futuro. Para ele, as localidades que têm rios ou quedas de água com aproveitamento vão ser privilegiadas, pelo que em breve a maior parte das localidades do Kwanza-Norte será beneficiada de energia da rede pública em substituição da energia alternativa.
De acordo com o responsável, todas as linhas principais que saem de Capanda para Luanda e para o Uíge passam no território do Kwanza-Norte. Por este facto, disse, é necessário aproveitar este potencial e investir mais fortemente na construção de linhas e aproveitar ao máximo todas as oportunidades.
Precisou que esse potencial não é ainda sentido pela maior parte da população porque houve uma paralisação nos trabalhos, tendo apenas recomeçado em finais de 2005. Todavia até hoje já se nota alguma coisa em quase toda a província, disse, sustentando que os trabalhos vão prosseguir até se atingir a última localidade da província.

Custos elevados

“Mas é preciso saber que isso acarreta custos elevados, temos de contratar empresas que apresentem propostas concretas e que não venham apenas atrás do benefício. Devem fazer a exploração e gestão da rede, o que significa a facturação, alargamento e manutenção, gestão do cliente, para depois comprar a energia à ENE, vender à população e tirar daí bons rendimentos”, frisou.
Questionado sobre o volume de dinheiro gasto nos projectos da província, Joaquim Jerónimo não precisou, mas garantiu que se gastam somas avultadas em Ndalatando e nos restantes municípios da província na aquisição de transformadores e outros materiais.
“Actualmente, Ndalatando tem perto de 30 PT, tendo cada um custado entre dois a três milhões de kwanzas, para além do preço dos acessórios, cabos, torres, transporte do material de Luanda para cá, pagamento do pessoal e mão-de-obra dos eventuais, são de facto somas avultadas”, disse.
Seguindo o mesmo diapasão, o director local de Energia e Águas avançou que a  substituição total da rede de média tensão, de seis para 15 KW no casco urbano de Ndalatando, incluindo a iluminação pública, para além de intervenções em alguns bairros, está avaliada em perto de 10,5 milhões de dólares, um valor que pode ser gasto igualmente no Dondo.
Referiu também o investido no “Projecto Anel”, que visa distribuir a energia pública e domiciliar aos bairros circunvizinhos da cidade e que envolvem outros valores, para além da aquisição e transporte dos grupos geradores que alimentam as vilas municipais e zonas que ficam ao longo da Estrada Nacional 230.
Joaquim Jerónimo é de opinião que existem bairros que já possuem energia, mas com o crescimento demográfico, afirmou, pensamos que os Postos de Transformação ali existentes devem ser reforçados para aguentarem melhor e, para tal, deve-se adquirir outros equipamentos mais potentes.

Contribuição dos clientes

“Penso que a aquisição destes equipamentos já não será feita pelo Governo, mas devem ser adquiridos com o dinheiro que os clientes pagam pelo consumo da energia”, disse.
Para ele, um outro problema muito debatido, tem a ver com os clientes que praticamente não pagam energia, não por falta de meios, mas simplesmente porque não querem. Segundo disse, os mesmos, quando são forçados a pagar, queixam-se às instituições, esquecendo-se que a Direcção de Energia também é uma instituição do Estado que tem igualmente deveres e obrigações.
A seu ver, para se resolver o problema das cobranças será necessário ir-se ao terreno e confrontar as pessoas com a necessidade de pagarem o consumo. “Se conseguirmos cobrar 1.250 kwanzas a 1.000 clientes, conseguíamos mensalmente pagar a factura à ENE sem problemas e ainda restava alguma coisa para os nossos gastos pontuais. Não podemos estar sempre atrás do Governo para nos dar dinheiro para manutenção de uma determinada rede que sabemos ser rentável se o consumo for pago”, pontualizou.
Aquele responsável disse terem nesta altura perto de quatro mil clientes registados na sua base de dados. Dentre eles, há clientes que pagaram entre um, dois ou três meses desde 2005 até agora, enquanto outros abrem o contrato e nunca mais voltam para fazer os pagamentos - revelou. “Quando fazemos fiscalização nos bairros e ruas da cidade, deparamo-nos com muitas situações desagradáveis, desde a falta de pagamento às puxadas ilegais”, acrescentou.
Neste momento, de acordo com Joaquim Jerónimo, os frequentes cortes registados a nível de Ndalatando, resultam do facto se registarem trabalhos paliativos relacionados a asfaltagem das ruas, colocação dos cabos de fibra óptica, rede de água e de esgotos, pelo que algumas vezes provocam curto-circuito na rede de baixa tensão em determinadas zonas da cidade e bairros.

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