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Aumentam os casos de doenças mentais

Manuuel Fontoura

O número elevado de dementes que deambulam pela cidade e bairros periféricos de Ndalatando preocupa as autoridades sanitárias da província do Cuanza-Norte, que consideram as doenças de foro mental um problema de saúde pública.

Fotografia: DR

Em entrevista ao Jornal de Angola,  o chefe de departamento provincial de Saúde Pública e Controlo de Endemias, Cruz Manuel, disse que é considerada doença mental a perda grave da memória, do juízo, da orientação, das capacidades intelectuais e de motivações e interesses.
Cruz Manuel acrescentou que a doença é mais frequente em pessoas maiores de 60 anos, embora actualmente afecte também jovens. Segundo Cruz Manuel, a doença caracteriza-se pela perda da capacidade de memorizar e de resolver os problemas do dia-a-dia. Esta perda de capacidade interfere muito nos relacionamentos e actividades sociais e profissionais.
A doença, acrescentou, pode ser progressiva ou estática, permanente ou reversível. Alguns indivíduos portadores de demência apresentam melhorias, quando o tratamento é iniciado antes de os danos se agravarem. São factores de risco a perda da memória (esquecimento fácil), perda da capacidade de planear o futuro, perda gradual dos hábitos sociais, desleixo, impulsividade e até mesmo agressividade. O indivíduo doente pode apresentar ânimo diferenciado, alegre, desinibido exageradamente (muitas vezes confundido como “malandro”), bem como podem surgir sintomas psiquiátricos, como depressão, ansiedade, desconfiança, delírios e alucinações. Para se prevenir da demência, o indivíduo deve ter uma alimentação adequada, controlar a hipertensão arterial, diabetes e colesterol, evitar o alcoolismo, tabagismo e sedentarismo, bem como praticar exercícios físicos, estimular a mente e a memória, através de leitura e realização de exercícios mentais.
      Para Cruz Manuel, os familiares dos pacientes não devem permitir que os doentes andem pelas ruas sem controlo, porque correm muitos riscos, e as autoridades devem, urgentemente, criar um hospício ou mesmo um local onde possam ser acolhidos, para serem tratados. Informou que, em meados do ano passado, o governo da província, em parceria com os bombeiros e os familiares de pessoas com perturbações mentais, realizou uma campanha de recolha de doentes mentais que se encontravam espalhados pela cidade de Ndalatando e encaminhou-os para Luanda.  Cruz Manuel frisou que dos 30 que foram submetidos a tratamento dez já regressaram a Ndalatando.

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