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Autoridades apostam no relançamento da actividade pesqueira e agro-pecuária

Silvino Fortunato | Ndalatando

 As autoridades do Kwanza-Norte estão prestes a concluir um estudo para o relançamento da actividade agro-pecuária e pesca continental na província, anunciou ontem ao Jornal de Angola, em Ndalatando, o governador provincial.

Governador Provincial Henrique Júnior
Fotografia: Nilo Mateus | Ndalatando

 As autoridades do Kwanza-Norte estão prestes a concluir um estudo para o relançamento da actividade agro-pecuária e pesca continental na província, anunciou ontem ao Jornal de Angola, em Ndalatando, o governador provincial.
Henrique Júnior disse que as autoridades locais pretendem devolver ao planalto de Camabatela e às lagoas e rios existentes no município de Cambambe o seu verdadeiro papel no desenvolvimento económico do Kwanza-Norte. 
No planalto de Camabatela, está em fase de conclusão um estudo para o relançamento da produção agro-pecuária, orientado pelo Ministério da Agricultura e que prevê o loteamento dos espaços e sua distribuição aos interessados, sem prejuízo para aqueles que já existem.
O planalto de Camabatela possui cerca de 800 mil hectares repartidos pelas províncias do Kwanza-Norte, Uíge e Malange. O governador da província lembrou que os estudos visam criar um ambiente propício para o desenvolvimento da agro-pecuária e pescas.
Em relação ao gado de corte, a estratégia das autoridades da província do Kwanza- Norte visa o resgate do papel que o planalto de Camabatela teve em finais da década de 70. “Este é um projecto que está de pé”, sublinhou, notando que já existem alguns cidadãos a trabalhar no município de Ambaca para a criação de gado e reposição das culturas tradicionais da localidade.
“Em função do estudo que está a ser feito no planalto de Camabatela, acreditamos que, este ano, o projecto de relançamento agro-pecuário dá os primeiros passos e vai devolver o seu papel fundamental na economia da província”, salientou.
O director provincial da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas no Kwanza- Norte, Humberto Mesquita, reiterou a aposta do governo no meio rural, notando que tal passa pelo desenvolvimento do planalto de Camabatela. O planalto de Camabatela possui apenas 5.508 cabeças de gado bovino, muito aquém das mais 70 mil que existiam até meados da década de 70.
 O responsável admitiu que a situação resulta da falta de ocupação efectiva das fazendas pelos novos proprietários e dos escassos investimentos nas mesmas.
Humberto Mesquita acrescentou que a falta de estruturas básicas, sobretudo mangas de vacinação, inviabiliza, também, o crescimento da população bovina. “A maioria das fazendas está abandonada e não é visível qualquer intervenção das pessoas que as ocuparam”, disse, garantindo existirem no planalto condições para a assistência veterinária dos animais.
Em Dezembro de 2011, o governo iniciou a entrega das primeiras 1500 cabeças de gado bovino aos criadores do planalto de Camabatela, sob orientação do Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas (MINDER). Na altura, o ministro Afonso Pedro Canga alertara as pessoas que detinham grandes extensões de terra, mas incapazes de explorá-las, que perderiam os respectivos títulos de propriedade.

Novos proprietários

Dos agricultores que trabalham nos espaços que o governo provincial e o MINDER atribuíram para a actividade agro-pecuária, Henrique Júnior reconheceu que têm tido êxito, pois, sublinhou, produzem muito.  Além da mandioca, lembrou que as culturas do milho e da batata têm dado muitos rendimentos aos agricultores do Kwanza-Norte. “Os agricultores têm mostrado que, com o trabalho, querer e vontade, podem conseguir tudo” , sublinhou. O estudo sobre o plano de desenvolvimento do planalto de Camabatela prevê, além de sanções, com a retirada dos títulos para as pessoas que não dão aproveitamento às terras, delimitar a extensão do território que pode ser distribuído a cada empresário.
O governo do Kwanza-Norte projecta, também, a recuperação da produção horto-frutícola no baixo Kwanza, como a banana, os citrinos, ananás e de outras frutas tropicais e semi-tropicais nos municípios do Cazengo e Lucala, bem como o apoio às pequenas empresas familiares para incremento da produtividade e promoção do desenvolvimento das respectivas comunidades e empresas.
O programa contempla o sector florestal, aliando uma correcta política de corte a um processo progressivo de industrialização local dos produtos florestais.

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