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Autoridades locais traçam estratégias para combater a cegueira dos rios

André Brandão| Ndalatando

Os serviços sanitários do Kwanza-Norte vão dar início, a partir do próximo ano, a uma campanha de combate à oncocercose, doença conhecida como “cegueira dos rios”, anunciou na terça-feira o supervisor provincial do Programa de Doenças Tropicais Negligenciadas da direcção local da Saúde.

Supervisor provincial do Programa de Doenças Tropicais Negligenciadas
Fotografia: Nilo Mateus | Kwanza-Norte

Os serviços sanitários do Kwanza-Norte vão dar início, a partir do próximo ano, a uma campanha de combate à oncocercose, doença conhecida como “cegueira dos rios”, anunciou na terça-feira o supervisor provincial do Programa de Doenças Tropicais Negligenciadas da direcção local da Saúde.
Pedro Samuel disse que a campanha contra a doença, que é transmitida pela mosca Crysops (Simulium) e pelo mosquito amarelo (Crysops ou mutuca), muito frequentes em zonas ribeirinhas, surge pelo facto da enfermidade estar a ganhar contornos preocupantes na região.
Para dar suporte a esta tarefa, as autoridades sanitárias vão dar formação a 72 agentes sanitários (distribuidores comunitários), nos municípios de Ambaca, Bolongongo, Banga, Ngoguembo e Golungo-Alto, já estando a ser seleccionados. As localidades acima referidas são as mais afectadas, disse o responsável.  Até agora, no Kwanza-Norte já foram detectadas mais de dez pessoas infectadas pela oncocercose.
O técnico esclareceu que a doença se transmite de um indivíduo para outro através da picada do mosquito amarelo e mosca preta (Crysps), insecto este que se reproduz no curso das águas rápidas, tem a capacidade de voar até 70 quilómetros ao longo do curso do rio, mede três milímetros e vive cerca de 21 dias.
Depois de ser infectado, o indivíduo pode esperar entre um a cinco anos até que o parasita se revele.
“A doença manifesta-se com pequenos nódulos na pele, visíveis e facilmente palpáveis, que provocam comichão, deixando um sinal escuro no corpo”, disse.
Os sintomas, ou sinais, da doença surgem inicialmente com pequenas comichões nas zonas lombares, nádegas e ventre, o que leva o doente a coçar-se até provocar lesões ou úlceras, a pele apresenta dermatite prolongada e despigmentação irregular, sobretudo nas pernas.

As consequências
 
Pedro Samuel sublinhou que a maior dificuldade ou complicação da oncocercose é a cegueira, com as microfilárias a invadirem toda a estrutura dos olhos, provocando diminuição progressiva da visão até se cegar, sendo que as sequelas dependem da intensidade.
As lesões são provocadas por uma reacção à volta de uma microfilária morta ou a morrer, podendo provocar conjuntivite, queratite (função esponjosa ou esclerosante), inflamação da região média vascular dos olhos que compreende a coróide, o corpo ciliciar e a íris.  Os aspectos socioeconómicos que afectam a população com a doença prendem-se com a diminuição da produtividade, perturbações psíquicas, como urinar nas calças e perda de memória, diminuição do tempo de trabalho, perda de mão-de-obra activa, declínio moral dos doentes (perda da autoestima pessoal) e marginalização dos doentes. Quando combatida na fase inicial, segundo o técnico, a doença é curável. Por isso, Pedro Samuel afirma que o tratamento deve ser feito quando o doente tem os seus primeiros sintomas, com a administração do Mectizan, medicamento já usado em vários países de África e América do Sul.

Acções de controlo

No sentido de inverter o actual quadro da doença no seio da população rural, os agentes de saúde instruíram os chefes das repartições de Saúde, administradores municipais e comunais, autoridades tradicionais e religiosas, no sentido de informarem as populações sobre os perigos da oncocercose.
O responsável reforçou o apelo para que os administradores municipais e sobas levem rapidamente as informações de prevenção da doença, assim como recomendou que, em caso de detecção ou suspeita, o indivíduo procure imediatamente os serviços de saúde mais próximos.

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