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Banga com água potável da nascente

Marcelo Manuel | Banga

Em nove bairros da comuna da Adeia Nova, município da Banga, Kwanza-Norte, dois mil habitantes vão beneficiar até ao final do ano de abastecimento de água potável, com a construção de chafarizes.

Investimento na construção proporciona melhores condições de habitabilidade à população
Fotografia: Marcelo Manuel

 Em nove bairros da comuna da Adeia Nova, município da Banga, Kwanza-Norte, dois mil habitantes vão beneficiar até ao final do ano de abastecimento de água potável, com a construção de chafarizes.
A água que alimenta a rede pública chega à vila por gravidade e foi captada numa fonte na “Serra da Banga”.
A população deixou de consumir água canalizada em1975, situação que obriga a a percorrer de três a cinco quilómetros diariamente, com bidões e banheiras. O projecto vai, também, beneficiar as outras 46 aldeias que compõe o município.
De acordo com o encarregado de obras, Acácio Augusto, o projecto está enquadrado no programa do Governo denominado “Água Para Todos” e custou mais de 30 milhões de Kwanzas. Os trabalhos contemplam a edificação de nove lavandarias nos bairros. António João Luís, morador na aldeia de Kitebe, disse que a conclusão do sistema vai melhorar a vida das populações.
No município da Banga estão a ser construídas dez casas para técnicos, nas comunas de Cariamba e Caculo Cabaça, para além de outras sete em reconstrução na sede municipal. Os dois projectos devem estar concluídos no início do próximo ano.
No quadro do “memorando sobre a melhoria da gestão municipal”, que visa aumentar a capacidade de intervenção das localidades na execução de programas e projectos nas áreas do saneamento básico, energia eléctrica, água potável e ambiente, a administração local recebe dos cofres do Estado, todos os trimestres, 375 milhões de Kwanzas.
 
Educação e Saúde

A cobertura educacional é suportada por 24 escolas, com mais de 4.477 alunos e 123 professores. O município carece de uma estrutura escolar para o ensino médio, facto que preocupa as autoridades administrativas e tradicionais da localidade.
A rede sanitária tem cinco postos de saúde, com 41 enfermeiros e um médico. A maior estrutura sanitária é o hospital municipal composto por uma enfermaria, sala de partos, banco de urgência, farmácia e laboratório. A malária, febre tifóide, doenças respiratórias agudas e diarreias são as doenças mais frequentes.
Com a reabilitação e apetrechamento, no ano passado, do posto de saúde, mais de 2.500 habitantes da comuna da Aldeia Nova deixaram de percorrer 18 quilómetros à procura de assistência médica e medicamentosa.
A reestruturação da unidade sanitária enquadra-se no programa nacional de Melhoria da Oferta dos Serviços Sociais Básicos ás Populações e tem capacidade para quatro camas, banco de urgência, consultório, sala de observação e pediatria. A obra está avaliada em mais de seis milhões de kwanzas.
 
Energia e comunicação
 
A energia eléctrica na Banga é fornecida por um grupo gerador. Está em curso a reabilitação da rede de iluminação pública. No município existe uma repetidora dos canais da Televisão Pública de Angola.
A Banga aguarda, nos próximos dias, pela inauguração de um emissor regional da TPA, cuja antena está a ser montada na “Serra da Banga”, com 75 metros de altura e uma cobertura de 70 quilómetros quadrados, beneficiando, igualmente, os municípios de Bolongongo, Samba Cajú e Kikulungo.
A expansão da rede de telefonia móvel é outra preocupação dos dirigentes locais, que apresentaram ao governador provincial Henrique Júnior e aos membros do Conselho de Auscultação Social da província.
O governador prometeu fazer esforços junto das representações da Unitel e Movicel para a implantação dos seus serviços na região, de forma a ligar a região ao resto do país e ao mundo.
 
Investimento na agricultura
 
Este ano, estão preparados 141 hectares de terras para produção da cana-de-açúcar, mandioca, milho, feijão macunde, feijão vulgar, ginguba, banana, abóbora e outros produtos.
Durante a abertura da campanha agrícola, os camponeses receberam catanas, enxadas, limas, ancinhos, pulverizadores, semeadores e sementes variadas. Nas 55 aldeias da Banga, 3.770 famílias camponesas estão envolvidas nos vários projectos de desenvolvimento rural.
As autoridades tradicionais da Banga, temem pela devastação das novas culturas agrícolas por elefantes, à semelhança do que aconteceu na campanha 2008/ 2009, na qual as manadas devastaram os campos agrícolas, deixando na penúria a maior parte da população.
 “O ano passado passámos fome por causa dos elefantes, tudo o que trabalhamos foi devastado, tememos que isto volte a acontecer”, disse um dos sobas.
Henrique Júnior, governador do Kwanza-Norte, assegurou que a situação está a ser estudada pelo Departamento Nacional do Instituto de Desenvolvimento Florestal.
A piscicultura é outra actividade que desponta na região devido à existência de uma lagoa com três quilómetros quadrados de extensão, onde 36 pescadores associados praticam a pesca do cacusso e do bagre.
Os pescadores receberam recentemente duas embarcações, canivetes, redes, facas, caixas térmicas, anzóis e outros apetrechos cedidos pelo Ministério das Pescas.

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