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Bens agrícolas com qualidade

Manuel Fontoura | Ndalatando

As chuvas abundantes registadas nas duas últimas campanha agrícolas permitiram aos camponeses associados em cooperativas aumentar os seus níveis de produção e os rendimentos. 

Uma boa organização e desenvolvimento da actividade agrária nas comunidades rurais passa por incentivo ao associatismo
Fotografia: JA

As chuvas abundantes registadas nas duas últimas campanha agrícolas permitiram aos camponeses associados em cooperativas aumentar os seus níveis de produção e os rendimentos. 
De acordo com o chefe de departamento provincial do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), engenheiro agrónomo Paulo Bungo, 41.133 toneladas de produtos como amendoim, milho, feijão, batata-doce, mandioca e banana foram produzidos na província, numa área de 84.869 hectares.
Paulo Bungo revelou que as Estações de Desenvolvimento Agrário (EDA) desenvolveram projectos técnicos para fomentar o aumento da produção agrícola.
Precisou que as actividades de maior relevância foram a identificação de áreas de intervenção e registo de famílias, acompanhamento da preparação de terras, formação de associações e cooperativas agrícolas, distribuição de instrumentos agrícolas, instalação de campos de ensaio, levantamento dos preços nos mercados municipais e avaliação da produção.
“O aprovisionamento em factores de produção foi considerado excelente, tendo em conta os apoios aos camponeses, com destaque para as sementes e instrumentos de trabalho”, disse Paulo Bungo.  Quanto à preparação de terras, frisou que a maior parte das famílias enquadradas prepararam manualmente as suas áreas de cultivo. Foram preparados mecanicamente campos agrícolas nos municípios de Cambambe, Cazengo, Banga, Lucala e Samba Cajú.
O Departamento Provincial do Instituto de Desenvolvimento Agrário enquadrou 69.489 famílias camponesas, o que corresponde a 95 por cento do universo preconizado inicialmente, dos três programas e projectos, como o de Extensão e Desenvolvimento Rural (PEDR), Fomento Agrícola e Programa de Reinserção dos Desmobilizados.
O responsável do Instituto de Desenvolvimento Agrário no Kwanza-Norte informou que para uma boa organização e desenvolvimento da actividade agrária nas comunidades rurais foi preciso incentivar o associativismo, para rentabilizar os seus pequenos empreendimentos agrícolas.

 Movimento associativo

No cômputo geral, a província tem mais de 100 cooperativas agrícolas, com 12.021 cooperadores e 464 associações de camponesas com 65.806 camponeses. Referiu que está a decorrer um processo de reorganização das associações e cooperativas.
Paulo Bungo precisou que, tendo em conta o sistema de cultivo praticado na região durante a época das chuvas, a grande maioria das famílias camponesas preparou manualmente as suas áreas de cultivo. No âmbito do Programa de Extensão e Desenvolvimento Rural (PEDR) foram mecanizados mais de 1.000 hectares de terras e preparados manualmente 83.869 hectares.
O Departamento Provincial do Instituto de Desenvolvimento Agrário recebeu mais de 45 toneladas de sementes e grandes quantidades de instrumentos agrícolas, tais como catanas, enxadas europeias, enxadas tradicionais, limas, pás, semeadores manuais e pulverizadores.
Paulo Bungo realçou que o Governo Provincial do Kwanza-Norte, através da Direcção Provincial da Agricultura, no âmbito dos esforços vigentes para erradicar a virose da mandioca, forneceu estacas de variedades resistentes à doença às populações dos municípios de Bolongongo, Kikulungo e Banga, localidades onde a doença ainda é notória.Com o intuito de certificar a vitalidade das sementes recebidas, o Instituto de Desenvolvimento Agrário realizou o teste do poder germinativo Das sementes de milho e feijão, cujos resultados foram excelentes. De acordo com Paulo Bungo, a cultura do milho com a variedade “ZM521”, num período de quatro dias, obteve um poder de germinação de 100 por cento, enquanto o feijão resultou em 96,5 por cento de germinação.
“Este teste foi feito em pequenos vasos em condições de humidade aceitáveis”, disse.                   
 
Líderes agrícolas

 
No Kwanza-Norte foram treinados 164 líderes agrícolas nos municípios de Cambambe, Ambaca, Banga e Samba Cajú, sobre o uso de semeadores manuais e fertilizantes químicos.
Os técnicos das Estações de Desenvolvimento Agrário, para aumentarem a produção e a produtividade e melhorem as condições de vida dos camponeses, instalaram 19 campos demonstrativos, onde participaram 315 camponeses.
A situação nutricional das populações do Kwanza-Norte é razoável, sem que existam casos alarmantes de subnutrição. Para o engenheiro agrónomo Paulo Bungo, as famílias camponesas têm o suficiente para o seu consumo, com realce para os produtos de origem vegetal. A grande preocupação reside na obtenção dos produtos de origem animal, para equilibrar a dieta alimentar.
 
Comercialização  de produtos

Paulo Bungo realça que a comercialização dos produtos do campo continua a ser um dos maiores factores que limitam o processo de relançamento da produção agro-alimentar na província do Kwanza-Norte.
A falta de uma rede de comércio rural desmotiva os produtores cujas consequências incidem na redução das áreas de cultivo.
“É importante realçar que os resultados da produção dos diferentes programas no domínio agro-pecuário têm vindo a surtir efeitos positivos, tendo em consideração as quantidades de produtos do campo colhidos nas últimas campanhas agrícolas, com destaque para a mandioca, milho, amendoim e feijão”, precisou Paulo Bungo.
O maior problema que tem vindo a dificultar a vida dos camponeses é a falta de mecanismos para facilitar o processo de escoamento e comercialização dos seus produtos.
Todavia, frisou, todos esforços estão a ser empreendidos pelo Executivo para aplicar o Programa do Comércio Rural Permanente, que tem como objectivo central apoiar as famílias camponesas no processo de comercialização dos seus produtos.

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