Províncias

Camponesas da região querem mais acções sociais

Marcelo Manuel | Ndalatando

A falta de rede de telefonia móvel em diversas comunidades do Cuanza Norte, bem como de programas de expansão e melhoramento dos sinais da rádio e da Televisão Pública de Angola e de acesso à terra para produção de alimentos e construção de residências, são apontadas como as principais preocupações das mulheres rurais da região.

O apoio à actividade agrícola visa o aumento da produção no âmbito do programa de combate à fome e pobreza nas comunidades
Fotografia: Arimatéia Baptista

As preocupações foram apresentadas sexta-feira, no cine Ndalatando, durante a realização do Fórum Provincial de Auscultação à Mulher Rural do Cuanza Norte, onde participaram 262 mulheres dos dez municípios que compõem a província.
Durante o  encontro, presidido pelo ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, as mulheres rurais do Cuanza Norte expressaram também preocupações ligadas ao acesso ao micro-crédito, para aquisição de instrumentos de trabalho, sementes, fertilizantes e equipamentos industriais para a transformação dos produtos agrícolas.
De acordo com o comunicado final, lido pela directora do Gabinete de Inspecção do Governo local, Maria de Lourdes Salgado, a necessidade de construção de agências bancárias, para viabilizar o crédito agrícola, bem como o aumento das redes de distribuição de electricidade e água potável constam do leque de preocupações. Segundo a porta-voz, as participantes solicitam de igual modo a realização de seminários e palestras sobre o género, bem como a construção de centros de aconselhamento familiar de referência, mais postos policiais, lares para idosos e reabilitação das estradas secundárias e terciárias.
Lurdes Salgado sublinhou que as mulheres do meio rural pediram o reforço da realização de mais palestras sobre género, com vista ao desencorajamento da prática de violência doméstica, bem como a instalação de moagens nas comunidades e a criação de mecanismo de facilitação de acesso de mulheres na função pública

Combate ao analfabetismo

A participante Samba Gaspar, oriunda do município do Golungo Alto, disse que em algumas localidades da comuna da Cerca as mulheres debatem-se com os danos causados constantemente pelos elefantes, que devoram culturas agrícolas, situação que a levou a solicitar ao Governo o reforço de stock alimentar familiar.
Manifestou a necessidade de mais emprego e formação técnica e profissional.
“A proximidade dos serviços de Registo de Nascimento e de emissão de Bilhetes de Identidade têm de ser reforçadas a nível dos municípios e comunas da província do Cuanza Norte”, defendeu  Samba Gaspar. Maria Alves da Costa, do município de Cambambe, apontou o aumento das salas de aula, implementação de núcleos do ensino superior nos municípios e a expansão do programa de alfabetização como factores fundamentais para a projecção de uma nação intelectual e livre do analfabetismo.
A adopção de políticas de atracção e fixação dos professores nas comunas e municípios, acesso à habitação social e materiais de construção a preços acessíveis, a par da aquisição de meios de transporte para o escoamento dos produtos do campo para as cidades, são encaradas pelas mulheres rurais do Cuanza Norte como premissas que podem melhorar a qualidade de vida da população.
Em relação ao sector da Saúde, mulheres demonstraram preocupação pela fraca formação e capacitação de parteiras tradicionais, entrega de kits de trabalho, aquisição de mais ambulâncias, construção de maternidades, postos médicos e aumento do número de profissionais de saúde.
Participaram no encontro membros do Governo Provincial, representantes do Ministério da Família e Promoção da Mulher, membros do Conselho Provincial de Auscultação e Concertação Social, representantes de Associações de Camponeses, autoridades tradicionais e religiosas.

Tempo

Multimédia