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Camponeses diversificam cultivo da mandioca

Adalberto Ceita| Lucala

Os camponeses do Lucala não sabiam o que fazer à vida, quando o “mosaico africano” apareceu e começou a atacar os mandiocais, principal cultura da região. O desespero começa a ser atenuado com a aplicação de medidas por parte do Instituto de Desenvolvimento Agrário.

São já visíveis sinais de relançamento da produção no município de Lucala
Fotografia: Dombele Bernardo

Os camponeses do Lucala não sabiam o que fazer à vida, quando o “mosaico africano” apareceu e começou a atacar os mandiocais, principal cultura da região. O desespero começa a ser atenuado com a aplicação de medidas por parte do Instituto de Desenvolvimento Agrário.
Para enfrentar o “mosaico africano”, que tem atacado as culturas de mandioca no município de Lucala, o Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) desenvolveu um projecto de multiplicação de 13 variedades da planta resistentes ao vírus. A iniciativa, integrada no Programa de Extensão e Desenvolvimento Rural (PEDR), tem tido resultados positivos.
O desânimo dos camponeses do município do Lucala era há cinco anos total, mas a situação tem vindo a normalizar graças à aplicação de novas técnicas de cultivo desenvolvidas pelo Instituto de Desenvolvimento Agrário.
A estratégia foi bem acolhida pelos camponeses, sendo já visíveis sinais de relançamento da produção. Um dos exemplos da multiplicação de variedades de mandioca resistentes ao vírus vem dos camponeses da aldeia de Helenje.
Numa área de cultivo de quatro hectares, de um total de 20 da área demarcada pelos técnicos do IDA, 27 famílias, agrupadas em associações, desenvolvem a agricultura. A plantação da mandioca obedece a um ciclo de entre 9 e 12 meses. Como acontece um pouco por toda a província, em Helenje a mandioca constitui a base de sustentação agrícola. 
O presidente da Associação de Camponeses de Helenje afirmou, ao Jornal de Angola, que, apesar da escassez de chuvas, as contrariedades são menores, sendo “razoáveis os resultados da última colheita”.
“Na última campanha agrícola tivemos uma produção de pouco mais de duas toneladas de mandioca”, disse.
 Fernando Salvador referiu que também houve produção de ginguba, milho, feijão e ananás.
Além do combate ao “mosaico africano”, o programa de acções que o IDA desenvolve na província do Kwanza-Norte inclui identificação e preparação das áreas de cultivo, registo de famílias, acompanhamento da preparação de terras, aprovisionamento e distribuição de insumos agrícolas e entrega de terras por parcelas. O chefe de departamento provincial do IDA confirmou que a campanha agrícola de 2009 não foi das melhores, recomendando aos camponeses que respeitem o calendário agrícola em função da época chuvosa. “Temos aconselhado os camponeses a prepararem a terra com a devida antecedência em relação ao início da época da chuva. Setembro é o melhor mês para isso”, disse.
À margem da campanha, 25 campos de demonstração de técnicas agrícolas foram instalados pelo IDA próximo das plantações, com o objectivo, disse Paulo Bungo, de incutir nos camponeses as vantagens do manuseio de técnicas modernas de cultivo, em detrimento das empíricas.
Dados do IDA referem que no âmbito do PEDR estão a ser apoiadas 464 associações e mais cem cooperativas de camponeses nos dez municípios da província.
O supervisor provincial do IDA afirmou, ao Jornal de Angola, que a virose não mata, mas prejudica o desenvolvimento dos mandiocais.
“Aparentemente inofensiva, esta doença a par da escassez de chuvas, é das principais contrariedades no cultivo da mandioca”, disse Afonso Zaila. Apesar disso, frisou, no ano passado foram produzidas mais de 800 mil toneladas de produtos diversos, sendo a mandioca a cultura predominante.

Dificuldades de escoamento
 
Além do problema da virose nos mandiocais, há o do escoamento dos produtos, disse Francisco Simão, o presidente da Associação de Camponeses de Kadembe. Francisco Simão reconhece que o PEDR trouxe consigo o aumento da produção e admite que o desafio passa por reforçar o escoamento.
O supervisor provincial do IDA revelou estar em avaliação um sistema organizado de comercialização dos produtos para impedir que o camponês tenha, com frequência, de sair dos locais onde reside para encontrar clientes.
Afonso Zaila disse que a montagem de uma moagem pode ajudar a rentabilizar o excedente de mandioca. “Junto das associações procuramos formas para contornar essa dificuldade. É uma situação que nos preocupa e creio que existe também um esforço da parte do governo da província para fomentar a agro-indústria”, disse.

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