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Cemitérios à espera de obras

Manuel Fontoura | Ndalatando

A falta de condições adequadas para o enterro dos seus entes queridos tem sido, nos últimos tempos, a maior preocupação dos munícipes de Ndalatando, na província do Cuanza-Norte.

Um ângulo do cemitério de Catome de cima que actualmente é o único a realizar funerais em Ndalatando
Fotografia: Nilo Mateus | Ndalatando|Edições Novembros

Para alguns munícipes, o actual cemitério, aberto em 2006, na localidade de Catome, a cerca de seis quilómetros do centro da cidade, em substituição do cemitério municipal localizado no bairro da Kipata, encerrado há mais de dez anos, devido à falta de espaço, não possui condições exigidas para um enterro à altura.
O actual cemitério de Ndalatando, apesar de ter sido vedado, alguns anos depois de ser aberto, apresenta uma ligeira inclinação e não dispõe de arruamentos.
Com cerca de 150 metros quadrados, o  cemitério foi a solução encontrada para se acabar com a deposição de mais de um corpo na mesma campa, no cemitério municipal da Kipata.
Munícipes abordados pela reportagem do Jornal de Angola são unânimes em afirmar que a medida do Governo foi na altura louvável, mas era necessário   criar condições dignas antes da abertura do actual cemitério.   Jorge Soares disse que apesar de alguns cemitérios estarem oficialmente encerrados, devido às péssimas condições de funcionamento, continuam a ser utilizados, pelo que há necessidade de prestar o devido cuidado a todos os cemitérios. “Algumas pessoas transformam qualquer local em cemitério. É preciso mudar esta prática, para  os lugares onde jazem os nossos entes queridos srem dignificados”.
Além do cemitério na localidade de Catome, outros localizados em  bairros da periferia da cidade de Ndalatando, oficialmente encerrados pela Administração Municipal, continuam a ser utilizados. São os casos dos cemitérios dos bairros Tenga, Kitata, Caz e Kilamba.
No cemitério do bairro Catome de Cima, o único oficialmente aberto à realização de funerais em Ndalatando, decorrem nesse momento obras que visam dar outra imagem ao local.
O cemitério municipal de Cazengo está encerrado há  seis anos e só deve  ser aberto quando atingir 11 anos de encerramento. Está na base desta medida o abarrotamento do espaço, pois foi construído em 1889.
No  cemitério, segundo alguns munícipes de Ndalatando,   depois da Independência e com o conflito armado, muitas pessoas abandonaram as áreas de origem e fixaram-se na região, o que fez com que o cemitério atingisse a exaustão.

Obras em curso

A Administração Municipal de Cazengo está comprometida na construção de um novo cemitério e na reabilitação dos actuais, com vista a melhorar as condições de enterro na cidade de Ndalatando e arredores.
O administrador municipal adjunto para os serviços técnicos e infra-estruturas, Adão Malungo, disse que já foi localizado o espaço para o novo cemitério, mesmo ao lado do cemitério do Catome. O local já se encontra vedado e   estão a ser executados trabalhos de preparação e arranjo dos solos, assim como o seu loteamento.
O novo cemitério conta com áreas devidamente separadas, para funerais de adultos e de crianças, área administrativa, casas de banho e capela, e vai ocupar uma área de 41.529 metros quadrados, com capacidade para 4.110 campas.
  Adão Malungo explicou que a Administração Municipal de Cazengo está a elaborar um plano de urbanização com arruamentos, divididos por quarteirões e com áreas totalmente definidas, visando a organização do novo cemitério, fruto da experiência observada nos cemitérios que hoje estão completamente esgotados, onde foram feitos enterros de forma anárquica, não permitindo o seu redimensionamento.
“Às famílias que vão acorrer a este cemitério já não lhes é permitido fazer enterros de forma desorganizada, vai haver  rigor, as campas serão devidamente identificadas com placas de sinalização e estará lá um grupo de trabalho para organizar tudo”, disse o administrador. Neste momento, salientou  Adão Malungo, a Administração Municipal de Cazengo está a recrutar pessoal e a realizar acções formativas, para que possam desenvolver o trabalho de maneira harmoniosa, para satisfazer as necessidades das famílias que precisam sepultar os seus entes queridos.
Para Adão Malungo, o novo cemitério de Ndalatando pode  ter um tempo de vida útil de sete anos, de acordo com o diagnóstico feito em relação ao número de funerais realizados diariamente no município.
“Este tempo vai fazer com que possamos regressar à primeira fase, uma vez que o tempo de permanência dos corpos no solo é de cinco anos. Quando chegarmos aos sete anos podemos começar a fazer a exumação dos primeiros corpos e irmos dando lugar a outros. Vai ser um cemitério mais permanente e abrangente e não vamos ter esgotamento das áreas, porque vai haver  reposição do espaço, de cinco em cinco anos”, frisou  Adão Malungo, para acrescentar que dentro de dias a Administração Municipal de Cazengo vai fazer sair  um comunicado para se evitar os funerais em cemitérios clandestinos, assim como em locais próximos aos campos agrícolas, lavras e outros lugares não permitidos.
  Adão Malungo referiu que esses funerais não são legais nem condignos, mas a administração não está ainda em altura de mandar cancelá-los, por não dispor de momento de  alternativa. “Neste momento estamos a criar condições e sabemos que temos de correr contra o tempo, para que uma parte de aproximadamente 1,5 hectares sirva de alternativa, enquanto o novo cemitério não entra em serviço", disse o administrador, para explicar que, segundo o empreiteiro, a nova área é entregue, dentro de dias e  estão a ser preparados os instrumentos normativos da fórmula que vai definir como são realizados os funerais no  local.
A capital da província do Cuanza Norte (Ndalatando), situada a 280 quilómetros da capital do país (Luanda), ascendeu à categoria de cidade através do Diploma Legislativo 2.757, I Série, número 21, do Boletim Oficial do então Governo português em Angola, datado de 28 de Maio de 1956, segundo dados da Administração Municipal de Cazengo, município sede da província.
A urbe ostentou a nomenclatura de vila Salazar em homenagem ao então presidente do Conselho de Ministros português, António de Oliveira Salazar, denominação que prevaleceu até 1975, ano do alcance da Independência de Angola.
Na região, estão em curso diversas acções de  impacto social, para melhorar a qualidade de vida da população. Das obras em curso, destaque para as dos sectores da Saúde e da Educação, que visam melhorar assistência à população e inserir todas as crianças no sistema normal de ensino e aprendizagem.
Destaque também para a reabilitação das vias de acesso, que estão a facilitar as trocas comerciais e o escoamento dos produtos agrícolas para os principais mercados da região.

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