Províncias

Centenas de mulheres em idade fértil vão às consultas de saúde reprodutiva

Marcelo Manuel | Ndalatando

Os centros hospitalares especializados, no município do Cazengo, província do Kwanza-Norte, atenderam mais de mil mulheres em idade fértil durante o primeiro trimestre do presente ano, na vertente de saúde reprodutiva.

Chefe da área do planeamento familiar
Fotografia: Jornal de Angola

Os centros hospitalares especializados, no município do Cazengo, província do Kwanza-Norte, atenderam mais de mil mulheres em idade fértil durante o primeiro trimestre do presente ano, na vertente de saúde reprodutiva.
A constatação foi feita ontem, na cidade de Ndalatando, pela chefe de secção em exercício para a área de planeamento familiar do centro municipal de saúde do Cazengo, Maria Jacinto.
Acrescentou que durante o ano passado registaram-se dez mil consultas em mulheres com idades compreendidas entre os 17 e 45 anos. De acordo com Maria Luísa Jacinto, a primeira consulta começa com o preenchimento de uma ficha, onde constam dados como a idade da paciente, residência e habilitações literárias.
Consta ainda do inquérito o número de filhos vivos e mortos, possíveis casos de aborto, seguido da explicação dos métodos existentes e como usar os medicamentos.
Maria Luísa Jacinto frisou que as drogas mais utilizadas são a pílula, depo, espermicida e os preservativos masculinos e femininos.
A responsável explicou que as espermicidas são comprimidos que devem ser aplicados na vagina, 15 minutos antes do acto sexual. Em relação à pílula, é também tomada antes ou até dez horas depois do envolvimento sexual. A depo-provera é injectável e aplica-se no fim de cada trimestre.
Sublinhou que em função do funcionamento de cada organismo, tais medicamentos podem provocar alguns efeitos colaterais, como o descontrolo na menstruação, em que os casos mais vulgares são menstruações prolongadas ou alcance de gravidez tardia. Em função disso, a especialista em saúde reprodutiva é de opinião que o método injectável é o menos aconselhável para mulheres jovens que queiram ter filhos num intervalo de dois anos.
Fez saber que diante desta situação, as pacientes podem recorrer ao centro, de forma a apanhar uma injecção que corta o sangramento. Caso a situação persista, realçou que a pessoa em causa é encaminhada ao corpo de médicos especialistas da maternidade provincial que, através de técnicas mais avançadas, tratam do caso. 
Em seu dizer, a referida situação obriga as especialistas daquela secção a realizarem palestras às mulheres interessadas no planeamento familiar, sobre as suas vantagens e riscos.

Procriação excessiva

O psicólogo Abreu Miguel apelou aos pais a absterem-se da procriação excessiva quando não há condições materiais e financeiras para o sustento dos filhos.
De acordo com Abreu Miguel, muitos casos de fuga à paternidade registados são influenciados pela má condição social e financeira do progenitor que, em função das dificuldades, recusa-se a assumir as suas responsabilidades.
Em sua opinião, a participação do pai em relação à questão de maternidade deve ser consciente, devendo primeiro reunir condições de saúde física, psicológica, económica e financeira para o garante do equilíbrio emocional da mãe grávida e da futura criança.  Para além do conforto material, realçou a necessidade da estreita ligação do pai para com a esposa e o filho, para transmitir à criança o sentimento de que foi aceite.
Considerou ser importante que os esposos primem pela fidelidade, que em seu entender garante segurança em relação ao surgimento de doenças sexualmente transmissíveis no seio da família e pode evitar a procriação fora do lar e filhos indesejados.
A jovem Maria Januário, de 22 anos, justificou a sua presença naqueles serviços pelo facto da gravidez do seu segundo filho estar fora das previsões. Já Claudeth de Jesus, com três partos, em que o último foi realizado através de uma cesariana, contou que já não pretende ter filhos, pelo facto da última experiência lhe causar danos à saúde.

Tempo

Multimédia