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Centros de formação profissional tiram a juventude do desemprego

Manuel Fontoura | Ndalatando

Os centros de formação e pavilhões de artes e ofícios criados nos municípios da província do Kwanza-Norte têm permitido o ingresso de centenas de jovens no mercado de trabalho, constatou o Jornal de Angola.

Jovens de vários municípios aprendem arte e ofícios para obter o primeiro emprego
Fotografia: Jornal de Angola

Os centros de formação e pavilhões de artes e ofícios criados nos municípios da província do Kwanza-Norte têm permitido o ingresso de centenas de jovens no mercado de trabalho, constatou o Jornal de Angola.
A cidade de Ndalatando, onde o Ministério da Administração Pública e Segurança Social abriu, em 1996, um centro de formação profissional no bairro Sambizanga é um exemplo.
A semelhança de Ndalatando, o Ministério da Administração Pública e Segurança Social criou centros de formação nas localidades de Samba Cajú, Quiculungo, Camabatela, Golungo Alto e Cambambe onde estão matriculados mais de 700 jovens.
Jovens vindos de vários bairros aprendem corte e costura, electricidade, informática, técnica de frio, carpintaria, serralharia e alvenaria. Gisela Castro, do Bairro Popular, e Isabel Alfredo, do Sambizanga, são duas jovens que se entregam inteiramente ao curso de decoração: “o meu sonho é ensinar outras pessoas”, disse Gisela, acrescentado que o seu trabalho já pode ajudar no sustento da família.
João Pascoal, de 16 anos, do Bairro 11 de Novembro, que está a aprender serralharia, disse que “a juventude deve apostar nestes cursos, uma vez que uma pessoa formada vale muito e é muito bom termos mais pessoas formadas para ajudarem na reconstrução país”, disse. Isaías Capitango, do Bairro da Posse, já faz portas e janelas, com cujo rendimento ajuda a família. Ele pensa abrir uma serralharia quando terminara a sua formação.
Estes jovens têm até nove meses para completar a formação profissional, depois ficam aptos a formar outros, como garantiu o carpinteiro Borges Bengo, que confirmou que a melhor madeira da região vem dos municípios de Bolongongo e Golungo Alto.
 “Nós aqui fazemos camas, mesas, cadeiras, portas, janelas, bancas e outras coisas”, referiu Borges Bengo, acrescentando: “até aqui não encontramos dificuldades em encontrar matéria-prima”.
O formador Sebastião Domingos está insatisfeito por a província não ter empresas de refrigeração. Devido ao seu clima húmido e tropical, a província do Kwanza- Norte tem pouca saída para os jovens formados na área de refrigeração. “Se tivéssemos na província empresas a operarem nesta área, acredito que os jovens já formados encontravam emprego sem problemas”.  Ser modista é o sonho de muitos jovens do Kwanza-Norte, como Isabel Constância que diz ter “habilidade para costurar roupas”e sonha com uma formação mais avançada fora da província.
“Pretendo ser modista e poder a minha província e o país em festivais de mod”, disse Isabel Constância, cuja preferência vai para as roupas africanas. A formadora do curso de corte e costura, Fernanda Caldas, assegura que “várias jovens modistas já passaram pelas minhas mãos e há muita gente com vontade de aprender. Umas saem daqui já com o desejo de serem modistas, mas outras fazem a formação e param dando continuidade à formação noutras áreas”, afirmou. Fernanda Caldas pediu às jovens para se dedicarem às profissões ministradas nos centros deformação profissional.
Com 30 anos de profissão, Fernanda Caldas sempre trabalhou por conta própria, até surgir a oportunidade de ser contratada pelo Ministério da Administração Pública e Segurança Social para ser formadora: “esta sempre foi a profissão que assegurou economicamente a minha vida”, referiu, encorajando outras pessoas a seguirem-lhe o exemplo.
Apesar do esforço do Governo Provincial na formação profissional, o Kwanza- Norte tem poucas  empresas de médio e grande porte para receberem os jovens formados.
“À excepção de algumas empresas de construção civil, que de vez enquanto empregam os nossos alunos, encontramos dificuldades em inserir estes jovens no mercado de trabalho, e isso faz com que muitos jovens abandonem a nossa província para encontrarem emprego em Malange, Uíge e Kwanza-Sul”, reconheceu o director provincial do Ministério da Administração Pública e Segurança Social, Francisco Fula.  

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