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Cheias na Muxima destroem as lavras

Alfredo Ferreira e Guimarães Silva | Quissama

O ano agrícola de 2010/2011  na Muxima e Quissama, província do Bengo, está comprometido devido às cheias. As chuvas são constantes e o nível do rio Kwanza sobe diariamente. Muitas lavras encontram-se submersas e os produtos do campo começam a rarear. 

Zona da Muxima inundada pelas enxurradas que se têm abatido na região do Bengo e que já causou enormes estragos
Fotografia: Edmundo Eucílio

O ano agricola de 2010/2011  no município da Quissama, província do Bengo, está comprometido devido às cheias. As chuvas são constantes e o nível do rio Kwanza sobe diariamente, com consequências negativas para a economia agrícola. Muitas lavras encontram-se submersas e os produtos do campo começam a rarear e a subir de preço.
As autoridades  estão preocupadas com a situação e já tomaram medidas. Foi feito o  levantamento do número de sisnistrados e foram registadas 1.505 famílias afectadas pelas cheias.
“Temos o número exacto de localidades atingidas. O problema está nas áreas de cultivo danificadas,  qualquer coisa como 780 hectares com milho, mandioca, batata doce, feijão e abóboras”, informou João Martins, administrador municipal da Quissama.
“Precisamos de apoios do Ministéio da Assistência e Reinserção Social e da Protecção Civil, porque  vamos entrar num período de fome daqui a dois ou três meses”, disse o administrador municipal da Quissama.
As populações ribeirinhas dependem do produto das lavras. “As cheias destruíram as plantações e sem produção agrícola as pessoas que vivem do campo, não têm  outra fonte de rendimentos”, disse o administrador municipal. 
A Direcção Provincial da Agricultura,  a Mecanagro e o Instituto de desenvolvimento Agrícola, logo que haja condições “vão apoiar-nos com máquinas e alfaias para preparamos terrenos no interior, mais longe do rio. Depois vamos destribuir sementes e aproveitar as grandes chuvas de Abril para recuperarmos alguma produção, ” disse João Martins.
O município da Quissama é atravessado a Norte pelo rio Kwanza, a Sul  pelo rio Longa  e a Sudoeste pelo oceano Atlântico. Tem uma população de 22.308 habitantes,  maioritariamente  camponeses.
Nas últimas semanas tem caído muita chuva, o que provocou as cheias. O Kwanza invadiu as culturas ribeirinhas do bairro Pita, na Muxima, e  o milho está submerso. O rio transbordou e inundou uma área de dois quilómetros. A  força da corrente é enorme. As cheias tomaram conta de aldeias ribeirinhas como Gondola, Condole, Dele, Caululu, Cacoba, Culemba e várias zonas da Muxima. As águas inmvadiram as lavras  mas não causaram prejuízos nas casas.
Em Caululu e Culemba, as casas construídas perto das margens do rio Kwanza estão em risco e são inundadas, caso as chu­vas  continuem. Rita José, uma das camponesas da Muxima, tem seis lavras nas imediações  do bairro do Pita. Disse à nossa reportagem que “não sabemos o que vamos comer, porque o que semeamos para colher daqui a alguns meses ficou tudo estragado por causa das cheias”. Rita José acrescentou que “perdemos tudo e isto pode trazer uma crise de fome”.
Susana Domingos disse que neste ano agrícola contava colher algumas toneladas de tomate e milho para o seu sustento e para vender nos mercados da região.
 “Com esta situação perdemos as colheitas e se vamos ao mercado comprar, tudo está caro. E muitas vezes só encontramos aquilo que precisamos nos mercados de Luanda”, afirmou Susana Domingos.

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