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Chuva deixa milhares de famílias ao relento

Marcelo Manuel | Ndalatando

Mais de três mil residências da cidade de Ndalatando e arredores, construídas em áreas consideradas de risco, ficaram completamente destruídas, em consequência das fortes chuvas que caem nos últimos dias sobre a região.

População além de perder as casas também ficou sem os seus haveres mas a situação seria acautelada caso acatasse os conselhos
Fotografia: Domingos Cadência | Edições Novembro - Uíge

A administradora municipal do Cazengo, Leonor Garibaldi, reconheceu ser difícil a situação da população que, além de perder as suas casas, também ficou sem os seus haveres, mas lembrou que a situação seria acautelada caso acatassem os conselhos das autoridades de não construírem em áreas de risco.   
Segundo a responsável, a população insiste em construir em zonas de risco e incorre igualmente na prática de venda de terrenos, o que, para tal, pediu às autoridades tradicionais para colaborarem com as administrações nas suas áreas de jurisdição e denunciarem situações que podem comprometer a vida de muitas famílias.   
Leonor Garibaldi disse que as entidades tradicionais devem redobrar as acções de sensibilização para dissuadir a construção de casas em zonas pantanosas, montanhosas, cursos normais de água e em outras que não reúnam condições de habitabilidade humana. Comovido pela situação, o Governo da Província do Cuanza Norte mobiliza recursos para aquisição de tendas para o reassentamento dos sinistrados. Leonor Garibaldi fez saber que nesta altura decorrem trabalhos de desmatação e limpeza na zona do Quilómetro Onze, com vista a criar-se áreas específicas destinadas à autoconstrução dirigida. Recordou que se trata de um momento de angústia, daí a necessidade de os naturais e amigos do Cuanza Norte ajudarem com bens as vítimas das chuvas de Ndalatando. Em relação à venda de ilegal terrenos, a administradora referiu que nenhum cidadão tem autonomia para o fazer e chamou atenção aos sobas para não enveredarem na mesma, alertando-os que não se podem considerar donos da comunidade, pois as terras pertencem ao Estado. “Queremos que haja uma boa colaboração com as autoridades tradicionais na identificação de terras seguras, para que possamos desmatar e, posteriormente, serem entregues à população. A ideia é encontrar espaços para o fomento da auto-construção dirigida”, sustentou.  
O soba do bairro Posse, o mais populoso da cidade de Ndalatando com 25.858 habitantes, Conceição Cahango, solicitou das autoridades competentes uma intervenção urgente na recolha do amontoado de lixo espalhado na comunidade sob sua jurisdição.
Além dos resíduos sólidos, disse, as chuvas que caem em Ndalatando estão a danificar as zonas de acesso, facto que torna intransitável a circulação de viaturas e mercadorias.
O soba José Oitenta sugeriu a criação de valas de drenagem devidamente construídas nos bairros mais críticas, de modo a permitir que as águas sigam o curso normal até ao desfiladeiro, sem causar danos aos bens da população.
As autoridades tradicionais que participaram no encontro com os membros da administração lamentaram a falta de meios. 
O director provincial da Cultura, David João Buba, solicitou de igual modo a intervenção dos sobas na sensibilização da população para a adesão ao processo de registo eleitoral, com o fim previsto para o dia 31 deste mês. 

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