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Chuvas constantes no Kwanza-Norte provocam aumento de casos de malária

André Brandão | Ndalatando

O supervisor do Kwanza-Norte de combate à malária anunciou em Ndalatando que morreram 104 pessoas vítimas da doença, nos últimos três meses. Gonçalo Tandala considera que se regista uma subida considerável do índice de mortalidade, nos últimos meses, devido às constantes chuvas que se abatem sobre a região.

Autoridades sanitárias estão a distribuir mosquiteiros tratados com insecticida de longa duração para crianças e mulheres grávidas
Fotografia: Jornal de Angola

O supervisor do Kwanza-Norte de combate à malária anunciou em Ndalatando que morreram 104 pessoas vítimas da doença, nos últimos três meses. Gonçalo Tandala considera que se regista uma subida considerável do índice de mortalidade, nos últimos meses, devido às constantes chuvas que se abatem sobre a região.
As chuvas estão a provocar uma maior reprodução e concentração de mosquitos em charcos, lagoas, lixeiras e em águas nos recipientes, como pneus abandonados.
Só nos últimos três meses, a província registou 41.499 casos confirmados positivos de paludismo, números que Gonçalo Tandala considera preocupantes, uma vez que o pico da doença costuma a ser depois de Maio.
O supervisor provincial, que falava numa actividade realizada no Largo Doutor António Agostinho Neto, por ocasião do Dia Mundial de Combate à Malária, informou que o município do Cazengo tem o maior número de mortes, com 65, seguido por Cambambe (23), Golungo Alto (5), Lucala (4), Quiculungo (3), Banga (2) e Bolongongo e Samba Caju, com um óbito cada.
Durante o primeiro trimestre deste ano, disse Gonçalo Tandala, foram realizadas milhares de consultas, tendo os municípios do Cazengo e Ambaca totalizado mais de 35 mil. Também foram realizadas 810 análises.
Como medidas de prevenção, as autoridades sanitárias estão a levar a cabo campanhas de pulverização dentro das habitações, a luta de extermínio das larvas nos charcos e águas paradas e distribuição de mosquiteiros impregnados com insecticida de longa duração.
Gonçalo Tandala disse que, em termos de medicamentos anti-malária, a província está bem servida, com quantidades consideráveis de quinino e “artemeter”, fármacos utilizados no tratamento da malária grave, além do “cuartem” para os casos simples.

Há falta de técnicos

O supervisor provincial do programa de controlo da malária disse que uma das grandes preocupações da instituição tem a ver com a falta de técnicos formados e de maiores condições para as acções de promoção de saúde junto das comunidades mais recônditas.
  A falta de informação faz com que muitos casos que chegavam às unidades sanitárias fossem tidos como malária, dizia Gonçalo Tandala, quando, na verdade, se  tratavam de outras patologias com sintomas semelhantes aos do paludismo.
“Neste momento temos os teste rápidos, denominados ‘Paracheckes’, que foram distribuídos em todas unidades sanitárias. Agora vamos também utilizar os testes ‘Debioline’, que servem para detectar, em simultâneo, os agentes causadores da doença”, disse.

Fazer recuar a malária

A intensificação da distribuição de mosquiteiros tratados com insecticida de longa duração, na província do Kwanza-Norte, no âmbito do Projecto “Fazer Recuar a Malária”, financiado pelo Fundo Global e gerido pela UNICEF, decorre a bom ritmo, disse Gonçalo Tandala.
O supervisor disse que há acções que visam a redução de casos, como a transmissão de conhecimentos sobre o uso correcto de mosquiteiros, sensibilização e mobilização da população para a mudança de comportamentos, principalmente contra práticas e crenças estranhas em torno da malária.
Tandala fala num avanço significativo na redução de casos graves, de três por cento para 0,2 por cento de óbitos.

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