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Cidadãos satisfeitos com urbanização de Ndalatando

Marcelo Manuel | Ndalatando

A cidade de Ndalatando está a crescer de forma harmoniosa no que diz respeito à projecção de novas estruturas habitacionais, sociais e económicas, no âmbito do programa do Governo de “Requalificação e Ampliação das Cidades e Vilas” do país.

O bairro Catome de Baixo que antes apenas servia para a prática de agricultura está hoje transformado numa pequena cidade
Fotografia: Marcelo Manuel | Ndalatando

A cidade de Ndalatando está a crescer de forma harmoniosa no que diz respeito à projecção de novas estruturas habitacionais, sociais e económicas, no âmbito do programa do Governo de “Requalificação e Ampliação das Cidades e Vilas” do país. Segundo Sebastião António, morador da rua dos Voluntários, a zona que mais reflecte o desenvolvimento e a criação de novas infra-estruturas é o Bairro Catome de Baixo, que antes apenas servia para a prática de agricultura e está hoje transformado numa pequena cidade.
O morador Santana Augusto considera que as obras de reabilitação da rede de distribuição eléctrica e de água potável, e a requalificação dos passeios da cidade de Ndalatando, são investimentos capazes de melhorar a qualidade de vida dos habitantes locais.  
De acordo com a administradora municipal do Cazengo, Edvigens Ribeiro, a nova centralidade de Catome de Baixo está a ser projectada numa área de dois mil metros quadrados, para albergar mais de quatro mil casas sociais, assim como outros projectos habitacionais lançados no âmbito da parceria público-privada, aprovada pelo Conselho de Auscultação e Concertação Social do governo provincial.
Em relação às estruturas já erguidas na localidade, o Jornal de Angola apurou a construção de 90 casas T2 que albergam as famílias desalojadas ao longo da via dos postes de alta tensão de energia eléctrica no bairro da Boavista, zona Leste de Ndalatando, além das cem casas do Bairro Social da Juventude, cujas 50 primeiras já foram sorteadas.
Estão também construídas 20 casas para quadros do governo, duas escolas do primeiro ciclo com 10 e 13 salas de aula e um hospital municipal com capacidade para 75 camas, construído no âmbito de um programa do Governo Central, que, segundo o director do Gabinete de Estudos e planificação do Ministério da Saúde, António Daniel, orçaram em 17 milhões de dólares.
Edvigens Ribeiro revelou que, além da zona habitacional em referência, estão identificadas novas áreas para a criação de reservas fundiárias com um total de 1.252 hectares, nas aldeias de Canhoca, Quirima, Carianga e Camuaxi. Segundo Edvigens Ribeiro, esses terrenos vão solucionar o problema da falta de espaços para a auto-construção dirigida, muita reclamada pela juventude local.
A par da projecção de novos imóveis, a administração do Cazengo requalificou os principais edifícios públicos e privados de Ndalatando, durante o primeiro trimestre do ano em curso, através de trabalhos de pintura e arranjo das fissuras, enquadrados no “Programa de Intervenção Municipal.
A administradora Edvigens de Jesus assegurou que esses trabalhos vão ser retomados após a reabilitação da rede interna de distribuição de água potável de Ndalatando.
De acordo com o director provincial do Gabinete de Estudos e Planificação do Governo do Kwanza-Norte, Gonçalo Ribeiro, as obras de pintura e arranjo das fissuras dos imóveis durarão três meses e estão orçadas em 29 milhões de kwanzas. Durante a primeira fase foram contempladas as casas das ruas das Palmeiras, Tomás José Marques, Missão até à Catedral da Igreja Católica, edifícios das Finanças e Tribunal Provincial.

Palácio provincial está a ser reconstruído

O palácio do governo provincial do Kwanza-Norte, situado na avenida Doutor António Agostinho Neto, em Ndalatando, destruído há 18 anos em consequência da guerra, está a ser alvo de obras de requalificação e ampliação da sua estrutura.
Segundo um responsável da construtora Albase, a obra começou em Janeiro de 2009 e enquadra-se no Programa de Reconstrução Nacional, com custos avaliados em cinco milhões de dólares.
Já estão erguidos os três pisos, dos quais um subterrâneo, numa área total de três mil metros quadrados. A cave tem garagem e algumas dependências para o pessoal de apoio técnico. As salas de reuniões estão situadas no primeiro piso, enquanto o segundo está reservado para os quartos e outras dependências.
O palácio está projectado para ter uma zona de lazer com jardins, numa área de 1.500 metros quadrados, piscina com 10 metros de comprimento e cinco de largura, além de um balneário com áreas reservadas para homens e mulheres. A entrega da obra está prevista para meados de 2011.
Os ventos da paz permitiram ainda a implementação da primeira estrutura do ensino superior a nível da região, que ministra cursos de Química, Biologia, Física, Matemática, Língua Portuguesa, Francês e Inglês, na categoria de bacharéis. No fim do ano passado, a escola lançou os primeiros 120 finalistas no mercado de trabalho.
Edvigens Ribeiro sublinhou que o primeiro e segundo ciclo do ensino da reforma educativa estão a ser ministrados em 48 escolas e três institutos médios ministram cursos de Ciências de Educação, Enfermagem e Agronomia. Um total de 1.028 trabalhadores, dos quais 949 docentes e 79 administrativos, asseguram o funcionamento das instituições de ensino.
Por ocasião da realização do mais recente concurso público, realizado pelo Ministério da Educação, o município ganhou 200 novos professores, diplomados para o ensino primário, o que em seu entender dará nova vida ao sector, principalmente nas comunidades de Zavula e Zanga-Micari onde, por falta de professores, deixou de se leccionar da quinta à oitava classe.
Paralelamente a esta situação, as autoridades educacionais de Cazengo mostram-se preocupadas com o facto de existirem ainda 58 turmas com cerca de mil alunos a funcionarem ao relento. O total geral de turmas é de 334, das quais 123 construídas com material precário.

Combate à pobreza

No quadro do programa Integrado Municipal de Combate à Fome e Redução da Pobreza, instituído pelo Executivo Central, prevê-se até finais deste mês de Dezembro o início da reabilitação e manutenção de algumas escolas do ensino primário, com realce para a revitalização do parque de recreação da escola número 20, cujas obras estão a cargo de uma empresa chinesa.
Segundo a administradora, o sector de Saúde é assegurado por 25 unidades sanitárias, sendo as de maior realce os hospitais provincial e municipal, com capacidade de 75 e 80 camas, respectivamente. Os recursos humanos assentam em 14 médicos, 28 técnicos médios e 90 de nível básico. À semelhança da educação, também foram inseridos novos quadros saídos do mais recente concurso público do sector.
Ainda no contexto do Programa Municipal de Combate à Fome e Redução da Pobreza, prevê-se a criação de um serviço materno-infantil específico, tendo em atenção a aproximação dos serviços de saúde à população, com vista à redução da mortalidade materno-infantil.
Edvigens Ribeiro precisou que se prevê a formação de 10 parteiras tradicionais, agentes de desenvolvimento comunitário, assistentes sociais e educadores de infância, reabilitação dos postos médicos em avançado estado de degradação, aquisição de kits de suporte para as parteiras tradicionais, e manutenção da cadeia de frio para a conservação de vacinas e reagentes.
Entre outras acções, realizadas pelo sector de saúde do município do Cazengo, constam a campanha de desratização e desactivação de charcos e valas de drenagem, com vista à diminuição de doenças como a malária e febre tifóide, entre outras, em curso um pouco em todas as comunidades.
 
Melhor água e mais luz
 
Em curso está também o projecto de abastecimento de água à cidade de Ndalatando, que abarca a construção de um centro de captação e tratamento da água potável, bem como a construção de 90 chafarizes nas zonas periféricas. Actualmente, o abastecimento às áreas em referência é feito todos os dias através de furos abertos pelo governo local, através de bombas submersíveis e camiões cisterna.
Os bairros Sambizanga, Comarca, Hoji ya Henda e Carreira de Tiro, situados na periferia de Ndalatando, já têm fornecimento de energia eléctrica pública e domiciliar, projectadas a partir de postos de transformação com capacidade de 40 KVA cada, alimentados a partir da barragem de Kapanda.
Enquadrado no Programa de Melhoria e Aumento da Oferta dos Serviços Sociais Básicos às Populações, cujos trabalhos duraram entre seis e 11 meses, o projecto a cargo do Departamento Provincial de Energia ficou orçamentado em mais de 60 milhões de kwanzas. 
Joaquim Gonçalves, de 68 anos e morador no bairro Carreira de Tiro, frisou que aos poucos a cidade de Ndalatando e os bairros periféricos, em especial, estão a ter a imagem que merecem.
Maria Adelaide, por seu lado, recordou os tempos em que circular de noite no Sambizanga era muito perigoso, principalmente na ponte que divide o bairro, onde recorda ter sido assaltada e roubada do único dinheiro do negócio que fazia para sobreviver, tudo isso devido à escuridão. Hoje, a situação é completamente diferente. O local fica bem iluminado toda a noite e os marginais partiram para outras paragens.

 Hotelaria e Turismo
 
Edvigens Ribeiro afirmou que o município tem um hotel de três estrelas com cerca de 40 quartos e quatro pensões em pleno funcionamento. Três outras unidades hoteleiras encontram-se em fase de conclusão e possivelmente uma delas pode ser inaugurada ainda este mês de Dezembro.
O município tem vários pontos de interesse turístico, como as quedas do rio Muembeji, as furnas do Zanga, o rio Lussue e o centro botânico do Kilombo que, na sua opinião, podem dar ao município muitas receitas, desde que os empresários invistam no ramo.

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