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Cidade do Dondo celebra mais um ano de existência

A cidade do Dondo, sede do município de Cambambe, celebra no próximo dia 29 deste mês, o seu quadragésimo quarto aniversário, desde que ascendeu a esta categoria.

Cidade do Dondo já foi o ponto de trânsito obrigatório nas ligações rodoviárias entre Luanda e as províncias do leste e centro e sul do país
Fotografia: Paulo Mulaza|Edições Novembro


Os munícipes, cada um a seu jeito, organizam várias actividades, sobretudo, comerciais, associando-se ao programa da administração municipal, que reserva a realização de actividades recreativas, desportivas e musicais e culturais.
De acordo com o programa das festividades, o ponto mais alto acontece no dia 26, sexta-feira, com a abertura de uma feira agrícola e a inauguração de uma loja, afecta ao projecto “Aldeia Nova”, onde vão ser comercializados diversos produtos do campo, com vista a aumentar a oferta de bens essenciais básicos e de qualidade à população.
A trajectória da cidade remonta desde a histórica vila do Dondo, fundada no século XIV, com a anterior denominação de Mbanza Kabaza, sede do Reino do Ndongo, espaço hoje ocupado pelo centro da actual cidade.
Esta era delimitada a Norte pelo rio Dande e pelas terras de Ambuila, a Sul pelo Planalto do Bié, a Leste pela região de Kassange (Malanje) e a Sudoeste, pela região da Quiçama (actualmente pertencente à região de Luanda).

Dondo colhe a maior feira

Em 1625, a então vila do Dondo acolheu a maior feira comercial do Reino do Ndongo, absorvendo ­produtos trazidos pelas caravanas idas das Lundas e da Quibala. Com a construção na região de Nova Oeiras (Massangano) da primeira fábrica de fundição de ferro em África, em 1771, sob a égide do português Francisco Inocêncio Coutinho, Dondo é elevado à categoria de sede do concelho, em 1857, e à vila, em 1870, tendo na altura, entre os seus habitantes, cerca de 100 portugueses. Grande número dos habitantes da aldeia do Soba Kambambe transferiu-se para o Dondo, o que originou o nome do município.
A evolução industrial do Dondo ficou marcada por dois acontecimentos. Em 1941, chegou o caminho-de-ferro, através do ramal de Zenza do Itombe, uma conexão do Caminho-de-Ferro de Luanda e o Dondo.E, em 1958, iniciou-se as obras da barragem hidroeléctrica de Cambambe, concluídas, em 1960. Seguiu-se um crescimento industrial, salientando-se o complexo têxtil Satec (depois denominado Bula Matadi l), a Sociedade de Vinhos (Vinelo) e a unidade de produção de matérias de construção (pré-blocos).Surgiu ainda na cidade do a Sociedade Algodoeira de Ambriz, que exportava para a Europa, e, mais tarde, a fábrica de cerveja EKA.
A 29 de Maio de 1973, o Dondo foi elevado a cidade. Mas, no decorrer da guerra civil angolana, a vida económica local ficou paralisada com o desaparecimento de todas as empresas aqui instaladas, ficando a funcionar somente a central hidroeléctrica de Cambambe e a fábrica de cerveja EKA.
Desde 2013, o Dondo tem vindo a receber novos incentivos, que já resultaram em investimentos japoneses no ramo têxtil e angolanos no ramo agro-industrial.

Paragem obrigatória

Actualmente, o Dondo é a sede do município de Cambambe. É conhecido como uma das cidades mais quentes do país e foi até a década de 80 o quarto parque industrial do país. Até 2000, foi o ponto de trânsito obrigatório nas ligações rodoviárias entre Luanda e as províncias do leste, centro e sul do país.
Situado a 183 quilómetros de Luanda, o Dondo é a segunda cidade mais próxima da capital do país, depois de Caxito (província do Bengo), e tem uma população estimada em 71.715 habitantes, maioritariamente oriunda dos municípios fronteiriços de Libolo (Cuanza Sul) e Quiçama (Luanda), cuja língua regional predominante é o quimbundu.

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